O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) alerta a população sobre os perigos do uso de cerol e linhas chilenas em pipas. Os materiais utilizados para encerar as linhas são altamente cortantes e podem ferir gravemente pedestres, ciclistas, motociclistas e animais.
O cerol é uma mistura de vidro moído e cola, usada para aumentar a resistência das linhas e facilitar o corte de outras. Já a linha chilena é produzida com materiais como pó de quartzo e óxido de alumínio, o que a torna ainda mais cortante do que a linha com cerol.
Em 2023, o CBMMT registrou apenas uma ocorrência relacionada ao cerol. No entanto, em 2024, esse número aumentou para 14 incidentes, o que gera preocupação pelo crescimento desse índice.
Além do risco à saúde pública, as linhas cortantes podem danificar cabos da rede elétrica, causando incêndios e curtos-circuitos em algumas situações.
A tenente-coronel bombeira militar, Poliana Simões, destaca que é essencial que pais e responsáveis fiquem atentos e supervisionem os carreteis de linhas utilizados por crianças e adolescentes, a fim de evitar o uso desse tipo de material.
“Os pais e responsáveis devem sempre supervisionar os filhos e explicar os malefícios do cerol e das linhas chilenas, que não devem ser utilizadas, compradas ou produzidas de forma artesanal”, afirma.
A bombeira militar explica que existe linha própria para brincadeiras com pipas. A mais indicada é a linha de algodão, que não machuca as mãos das crianças. Além do uso da linha adequada, é necessário que os responsáveis supervisionem as crianças para que brinquem em locais apropriados.
“Ainda que a linha não esteja encerada, ela pode acabar ferindo ciclistas e motociclistas, especialmente se estiverem em alta velocidade. Existe também o risco de que essas crianças sofram acidentes por estarem desatentas ao brincar, pois, muitas vezes, estão distraídas e não prestam atenção ao atravessar a rua ou perceber buracos onde podem cair. Por isso, é importante evitar que crianças brinquem em locais com intenso movimento de carros, ciclistas e motociclistas, e, principalmente, desacompanhadas”, orienta.
A coronel também destaca a necessidade de manter distância de fios elétricos e antenas para prevenir choques.
“Locais seguros, como campos de futebol e parques, são mais indicados para essa atividade, pois diminuem o risco de atingir fios elétricos, evitando danos, interrupções de serviços e, principalmente, o risco de sofrer uma descarga elétrica”, diz.
Outro ponto importante é não encorajar crianças e adolescentes a retirarem pipas presas em árvores, pois isso pode causar quedas graves. Além disso, não se deve permitir que soltem pipas em lajes ou telhados.
Legislação
Em Cuiabá, a comercialização de linhas cortantes, como a linha chilena, é proibida pela Lei Municipal 6.652, de 02 de março de 2021. Denúncias de comercialização dessas linhas devem ser feitas ao Procon ou na Delegacia do Consumidor (Decon) através do site ou de forma presencial.
Representação apresentada por Iraci Ferreira de Souza acusa parlamentar de ataques pessoais, quebra de decoro e uso do mandato para desqualificar a gestora
A prefeita de Pedra Preta, Iraci Ferreira de Souza, apresentou uma representação disciplinar contra o vereador Carlos Fernando Pereira de Oliveira, o “Fernando do Galvileiro”, sob acusação de violência política de gênero e quebra de decoro parlamentar.
A denúncia foi encaminhada à Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal e, posteriormente, remetida à Presidência do Legislativo para análise e adoção das providências cabíveis. No documento de encaminhamento, a própria Procuradoria ressalta que não possui natureza investigativa ou poder para aplicar sanções, cabendo aos órgãos competentes da Câmara analisar o caso.
Segundo a representação, os episódios teriam ocorrido durante fiscalizações e manifestações públicas realizadas pelo vereador nos meses de junho, julho e agosto de 2026. A prefeita sustenta que as críticas ultrapassaram o debate administrativo e passaram a conter ataques pessoais e expressões consideradas ofensivas.
Entre os episódios citados está uma fiscalização realizada no Distrito Industrial, em junho, quando o parlamentar fez críticas à administração municipal. Outro fato apontado ocorreu às margens da Rodovia 459, em julho. A representação também relata um episódio ocorrido em 11 de agosto, na Farmácia Municipal, quando o vereador realizou uma transmissão ao vivo e questionou a falta de medicamentos. A defesa da prefeita afirma que, durante essas manifestações, foram utilizadas expressões como “incompetente”, “omissa” e “mentirosa”.
Na representação, Iraci argumenta que não pretende impedir a fiscalização do Legislativo ou críticas à administração, mas sustenta que houve uma sequência de manifestações direcionadas à sua pessoa e à sua condição de mulher ocupante do cargo de chefe do Executivo.
O documento fundamenta a denúncia na legislação que trata da violência política contra a mulher e também defende que a imunidade parlamentar não serviria para proteger eventuais ofensas pessoais sem relação direta com o exercício legítimo do mandato.
Ao final, a prefeita solicita o recebimento da representação, a análise preliminar dos fatos e o encaminhamento do caso à Mesa Diretora e à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Pedra Preta. Entre as medidas requeridas está a abertura de processo disciplinar que poderá, caso as acusações sejam comprovadas e observados o contraditório e a ampla defesa, resultar inclusive na cassação do mandato do vereador.
Iraci também pede o envio de cópia dos autos ao Ministério Público de Mato Grosso, para análise de eventuais ilícitos funcionais e crimes contra a honra. A representação foi protocolada na Câmara Municipal de Pedra Preta no dia 20 de agosto de 2026.
Até esta etapa, trata-se de uma representação com acusações formuladas pela prefeita, e não de uma decisão definitiva contra o parlamentar. Caberá aos órgãos competentes da Câmara avaliar o prosseguimento do caso e assegurar ao vereador o direito de defesa.
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