O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) recebe, ao longo desta semana, a comitiva do Corpo de Bombeiros Militar e da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Pará, para uma visita técnica voltada ao intercâmbio de experiências e à apresentação do modelo de gestão adotado no enfrentamento aos incêndios florestais neste ano.
A iniciativa tem como objetivo compartilhar boas práticas, estratégias operacionais e ações de prevenção e combate desenvolvidas pela corporação, que obteve, neste ano, os melhores resultados dos últimos 27 anos na redução de focos de calor, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Durante o encontro desta quarta-feira (17.12), foram apresentados dados que demonstram a eficiência das ações integradas adotadas, como o planejamento antecipado, o uso de tecnologias no monitoramento de focos de calor, a capacitação contínua do efetivo e a atuação conjunta com órgãos ambientais, de segurança pública e produtores rurais.
De acordo com o comandante-geral do CBMMT, coronel BM Flávio Glêdson Vieira Bezerra, a cooperação entre os estados é fundamental para a disseminação de medidas que têm contribuído significativamente para a melhoria dos índices de redução dos focos de calor, especialmente em um estado como Mato Grosso, que abrange três biomas distintos. Esse resultado, segundo ele, demonstra a expertise do estado na implementação de estratégias integradas.
“Se compararmos os resultados com a extensão territorial do Estado, alcançamos nosso melhor desempenho. Houve redução em todos os indicadores analisados: focos de calor, eventos de fogo e área queimada. Por isso, estamos à disposição para colaborar com outros estados. Nossa intenção é que todos se fortaleçam nessa temática. Temos capacidade técnica e operacional para sermos protagonistas e, para nós, é gratificante poder contribuir”, destacou o comandante.
A programação da visita técnica da comitiva inclui reuniões e apresentações sobre protocolos operacionais e visitas a unidades especializadas, permitindo que os militares paraenses conheçam de perto a estrutura, inovações e os métodos empregados no enfrentamento aos incêndios florestais.
Entre os locais visitados estão o Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), a Sala de Situação Central, o Comitê de Gestão do Fogo, além da Diretoria de Administração Institucional, para apresentação dos contratos vinculados às ações de combate aos incêndios florestais. Neste ano, o Governo de Mato Grosso investiu R$ 125 milhões em ações de prevenção e combate aos incêndios florestais e ao desmatamento.
O coronel BM Pablo Cruz de Oliveira, do Corpo de Bombeiros Militar do Pará (CBMPA), avaliou a visita como extremamente produtiva, destacando que os desafios enfrentados pelos dois estados são semelhantes, especialmente em relação às grandes distâncias para deslocamento das equipes.
Ainda segundo o coronel, embora as operações no Pará sejam planejadas, a metodologia ainda difere da adotada em Mato Grosso e pode evoluir a partir da troca de informações e experiências proporcionadas pela visita técnica.
“Esta visita representa um intercâmbio técnico e operacional na área florestal. Nossa intenção é absorver as boas práticas, aprender com os resultados positivos e com a experiência de um estado que está avançado tanto em tecnologia quanto em metodologia, para levar esses conhecimentos ao Pará e evoluir continuamente na prevenção e no combate aos incêndios”, afirmou.
O comandante do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), coronel BM Rafael Ribeiro Marcondes, ressaltou que o intercâmbio entre estados fortalece o sistema nacional de proteção ambiental e contribui para o aprimoramento das ações de prevenção e combate aos incêndios florestais em todo o país. “A cooperação institucional é fundamental diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pelos períodos de estiagem”, concluiu o coronel.
Além dos locais já visitados, a comitiva ainda conhecerá a Sala de Situação Descentralizada do Pantanal, em Poconé, e a Secretaria-Adjunta de Proteção e Defesa Civil de Mato Grosso, bem como as respectivas ações realizadas. A visita se encerra na sexta-feira (19).
Representação apresentada por Iraci Ferreira de Souza acusa parlamentar de ataques pessoais, quebra de decoro e uso do mandato para desqualificar a gestora
A prefeita de Pedra Preta, Iraci Ferreira de Souza, apresentou uma representação disciplinar contra o vereador Carlos Fernando Pereira de Oliveira, o “Fernando do Galvileiro”, sob acusação de violência política de gênero e quebra de decoro parlamentar.
A denúncia foi encaminhada à Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal e, posteriormente, remetida à Presidência do Legislativo para análise e adoção das providências cabíveis. No documento de encaminhamento, a própria Procuradoria ressalta que não possui natureza investigativa ou poder para aplicar sanções, cabendo aos órgãos competentes da Câmara analisar o caso.
Segundo a representação, os episódios teriam ocorrido durante fiscalizações e manifestações públicas realizadas pelo vereador nos meses de junho, julho e agosto de 2026. A prefeita sustenta que as críticas ultrapassaram o debate administrativo e passaram a conter ataques pessoais e expressões consideradas ofensivas.
Entre os episódios citados está uma fiscalização realizada no Distrito Industrial, em junho, quando o parlamentar fez críticas à administração municipal. Outro fato apontado ocorreu às margens da Rodovia 459, em julho. A representação também relata um episódio ocorrido em 11 de agosto, na Farmácia Municipal, quando o vereador realizou uma transmissão ao vivo e questionou a falta de medicamentos. A defesa da prefeita afirma que, durante essas manifestações, foram utilizadas expressões como “incompetente”, “omissa” e “mentirosa”.
Na representação, Iraci argumenta que não pretende impedir a fiscalização do Legislativo ou críticas à administração, mas sustenta que houve uma sequência de manifestações direcionadas à sua pessoa e à sua condição de mulher ocupante do cargo de chefe do Executivo.
O documento fundamenta a denúncia na legislação que trata da violência política contra a mulher e também defende que a imunidade parlamentar não serviria para proteger eventuais ofensas pessoais sem relação direta com o exercício legítimo do mandato.
Ao final, a prefeita solicita o recebimento da representação, a análise preliminar dos fatos e o encaminhamento do caso à Mesa Diretora e à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Pedra Preta. Entre as medidas requeridas está a abertura de processo disciplinar que poderá, caso as acusações sejam comprovadas e observados o contraditório e a ampla defesa, resultar inclusive na cassação do mandato do vereador.
Iraci também pede o envio de cópia dos autos ao Ministério Público de Mato Grosso, para análise de eventuais ilícitos funcionais e crimes contra a honra. A representação foi protocolada na Câmara Municipal de Pedra Preta no dia 20 de agosto de 2026.
Até esta etapa, trata-se de uma representação com acusações formuladas pela prefeita, e não de uma decisão definitiva contra o parlamentar. Caberá aos órgãos competentes da Câmara avaliar o prosseguimento do caso e assegurar ao vereador o direito de defesa.
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