Agro News

Criação de búfalos no Vale do Ribeira impulsiona economia, mas manejo inadequado ameaça solo e meio ambiente

Publicado

O Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, conhecido como um dos maiores polos produtores de banana do Brasil, também abriga uma importante atividade de criação de búfalos, iniciada na região desde a década de 1960. Os animais fornecem leite e carne, fortalecendo a economia local. No entanto, estudos recentes indicam que o manejo inadequado desses ruminantes pode degradar o solo e comprometer a sustentabilidade do agronegócio e do meio ambiente.

Bubalinocultura no Vale do Ribeira

Embora a criação de búfalos seja mais comum no Norte do Brasil, São Paulo concentra o maior rebanho fora dessa região, com cerca de 118.824 cabeças, segundo o IBGE. Aproximadamente 53% desses animais estão no Vale do Ribeira, área que abriga os maiores remanescentes de Mata Atlântica do país.

Pesquisadores alertam que, sem manejo correto, a atividade pode gerar impactos ambientais significativos, afetando tanto a agricultura quanto a biodiversidade local.

Solo prejudicado compromete produção agrícola

Um estudo conduzido pela Unesp e publicado na revista Geoderma Regional aponta que o pisoteio dos búfalos compacta o solo, tornando-o menos produtivo para culturas agrícolas.

Leia mais:  Brasil destaca protagonismo sustentável da pecuária no World Meat Congress 2025, em Cuiabá

Os búfalos podem atingir até 1,70 m de altura e pesar mais de 800 kg. Cada passo exerce uma pressão de até 408 kPa no solo, superior à de máquinas agrícolas, concentrando força em apenas quatro pontos. Isso aumenta a densidade do solo, reduz a penetração das raízes e dificulta a absorção de água e nutrientes pelas plantas.

Além disso, o solo compactado tem menor infiltração de água, agravando encharcamento superficial e erosão. Em comparação, áreas de vegetação nativa permitem 92% a 95% mais infiltração de água do que pastagens danificadas pelo pisoteio contínuo.

Consequências para a biodiversidade e reservas naturais

O Vale do Ribeira é considerado Patrimônio Natural pela Unesco desde 1999. A região abriga mosaicos de unidades de conservação e destinos de ecoturismo, como o PETAR e o Parque Estadual da Ilha do Cardoso.

O manejo inadequado das pastagens pode levar à abertura de novas áreas de cultivo e pasto, impactando diretamente a Mata Atlântica nativa e reduzindo a biodiversidade local.

Manejo rotativo é a solução

Rodrigo Batista Pinto, mestre em agronomia pela Unesp e autor do estudo, reforça que o problema não é a bubalinocultura em si, mas sim a forma de manejo. Algumas áreas foram utilizadas continuamente por até 21 dias durante o verão, o que intensifica a compactação do solo.

“É importante que os animais circulem com maior frequência entre as áreas de pastejo, permanecendo menos tempo em cada espaço. Esse tipo de manejo tende a ser menos prejudicial ao solo, pois reduz a intensidade do pisoteio contínuo. Com uma rotação bem planejada, o solo tem tempo de se recuperar e a vegetação pode se regenerar”, explica Pinto.

Sustentabilidade e agronegócio em equilíbrio

A pesquisa mostra que práticas de manejo corretas podem conciliar a produção de búfalos com a preservação ambiental. Rotação de pastagens, monitoramento do solo e estratégias de recuperação de áreas degradadas são essenciais para manter a produtividade agrícola e proteger os ecossistemas do Vale do Ribeira.

Leia mais:  Paraná alcança safra recorde de 46,8 milhões de toneladas em 2024/25, com milho liderando a produção

Ao adotar essas medidas, pecuaristas podem fortalecer a economia local sem comprometer a Mata Atlântica nem a capacidade produtiva de suas terras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Bureau Veritas e Abrapa alinham estratégias para fortalecer qualidade do algodão brasileiro na safra 2025/2026

Publicado

Parceria estratégica mira avanço na padronização da qualidade do algodão

A nova direção da divisão de algodão da Bureau Veritas no Brasil realizou, nesta terça-feira (28/04), uma visita técnica à sede da Abrapa, em Brasília, com foco no alinhamento de expectativas para a safra 2025/2026 e no fortalecimento da cooperação institucional entre as entidades.

A agenda incluiu reuniões no Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), com destaque para a atualização do Programa SBRHVI, considerado essencial para a padronização e confiabilidade da qualidade da fibra produzida no país.

Participaram da visita o gerente executivo da divisão Agro Interior da Bureau Veritas no Brasil, Alexandre Gustavo Mansani, e o gerente técnico dos laboratórios HVI SR, Romário Matos, representantes da nova gestão responsável pelas operações de classificação no país.

SBRHVI e qualidade do algodão são foco do alinhamento técnico

Segundo o gerente de qualidade da Abrapa, Deninson Lima, o encontro teve como principal objetivo apresentar o estágio atual do SBRHVI, além de discutir desafios e metas do programa.

“Foi um alinhamento inicial importante para mostrar em que nível estamos, quais são os objetivos do programa e os desafios atuais, especialmente no que diz respeito à padronização do controle. Também buscamos entender como eles enxergam esse processo e quais são as expectativas daqui para frente”, explicou.

Classificação de contaminantes ganha força na agenda do setor

Outro ponto central da reunião foi a evolução da classificação de contaminantes no algodão brasileiro, considerada estratégica para ampliar a credibilidade dos laudos de qualidade no mercado internacional.

Leia mais:  Paraná alcança safra recorde de 46,8 milhões de toneladas em 2024/25, com milho liderando a produção

Apesar do reconhecimento global do Brasil como grande produtor, o setor ainda enfrenta desafios relacionados à padronização mais detalhada.

“A ampliação da categorização de contaminantes torna os laudos mais completos e alinhados às exigências do mercado internacional. A Abrapa, por meio do laboratório central, conduz testes de metodologias e promove a conscientização dos laboratórios, ampliando as garantias aos compradores”, destacou Lima.

Bureau Veritas amplia engajamento no programa de qualidade

Do lado da Bureau Veritas, a sinalização foi de maior engajamento nos programas conduzidos pela entidade, especialmente no SBRHVI.

A empresa já desempenha papel relevante no setor, sendo responsável pela análise de mais de 50% do algodão brasileiro, e demonstrou interesse em ampliar sua participação com foco em inovação e certificações.

“Eles têm hoje um papel relevante no mercado e pretendem atuar de forma ainda mais ativa, agregando valor à cadeia como um todo”, afirmou o representante da Abrapa.

Compromisso com evolução contínua da cadeia algodoeira

Para Alexandre Mansani, o fortalecimento da parceria é essencial para garantir ganhos mútuos e consolidar a competitividade do algodão brasileiro no cenário internacional.

“É muito importante estarmos alinhados para construir um modelo que seja positivo para todos — para o Bureau Veritas, para a Abrapa e, consequentemente, para todo o setor. Essa interação fortalece nossos resultados e a posição do algodão brasileiro no mercado internacional”, disse.

Na mesma linha, Romário Matos reforçou a continuidade do compromisso da empresa com o programa.

Leia mais:  Brasil destaca protagonismo sustentável da pecuária no World Meat Congress 2025, em Cuiabá

“Participamos do SBRHVI desde o início, com todos os nossos cinco laboratórios integrados. Estamos entrando no décimo ano do programa com resultados relevantes, e nossa intenção é seguir evoluindo junto com a Abrapa”, concluiu.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana