Tribunal de Justiça de MT
Curso aborda uso estratégico de ferramentas de inteligências artificiais no Judiciário
Publicado
4 de fevereiro de 2026, 11:30
A primeira aula do curso “Uso do ChatGPT, Claude, Perplexity, Copilot e Gemini (Google AI Studio e Advanced) por profissionais das carreiras jurídicas” reuniu magistrados(as), servidores(as) e operadores do Direito que atuam em Mato Grosso em um encontro virtual voltado à compreensão qualificada do uso da inteligência artificial generativa no Judiciário. Com 15 horas-aula, divididas em quatro dias de imersão teórica e prática, o curso é ministrado pelo analista judiciário do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Jaime Zacarias.
A aula inaugural apresentou os fundamentos teóricos das chamadas Large Language Models (LLMs), ou, em português, Grandes Modelos de Linguagem, que são sistemas avançados de Inteligência Artificial (IA) projetados para entender, processar e gerar texto semelhante ao humano. Eles se tornaram a base da IA generativa moderna, capazes de realizar tarefas como tradução, resumo de documentos, criação de conteúdo e escrita de código. Zacarias demonstrou, de forma prática, como essas ferramentas podem ser utilizadas para ampliar a produtividade e a qualidade técnica do trabalho jurídico, sem afastar a centralidade humana na tomada de decisões.
“A inteligência artificial não veio para substituir o magistrado ou o servidor. É uma ferramenta que amplia nossa capacidade de análise, de escrita e de organização do raciocínio jurídico”, afirmou o professor.
Fundamentos, ética e responsabilidade
Jaime Zacarias destacou que o uso da IA exige responsabilidade, método e consciência de limites. Segundo ele, delegar o raciocínio jurídico à tecnologia é um equívoco que compromete a ética e a segurança das decisões. “Não é correto simplesmente inserir as peças do processo e pedir que a IA elabore uma sentença. O caminho precisa ser definido pelo operador do Direito. A inteligência artificial apenas estrutura o texto a partir das premissas que nós fornecemos”, explicou.
O professor também abordou as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), especialmente quanto aos riscos de automação excessiva, vieses cognitivos, alucinações e proteção de dados pessoais, reforçando que a IA deve ser usada como apoio, e não como substituta do juízo crítico humano.
As diretrizes do CNJ, segundo Jaime Zacarias, são claras para o uso da inteligência artificial no Poder Judiciário, com foco na responsabilidade humana, ética e proteção de direitos. “A principal premissa é a centralidade humana: a IA pode auxiliar, mas nunca substituir o raciocínio jurídico de magistrados e servidores”, ressaltou.
“Entre os pontos destacados está a vedação à delegação da decisão judicial. Não é considerado adequado inserir peças processuais na ferramenta e solicitar uma sentença pronta sem orientação. Cabe ao usuário definir previamente o provimento e os fundamentos jurídicos, utilizando a IA apenas como apoio à redação e organização do texto”, completou.
O CNJ também proíbe o uso da IA para dosimetria da pena, em razão do risco de vieses cognitivos e da reprodução de desigualdades estruturais. Outro alerta importante é o chamado viés de automação, que ocorre quando há confiança excessiva nas respostas da tecnologia. Por isso, toda produção assistida por IA deve passar por revisão crítica obrigatória, sendo o usuário integralmente responsável pelo conteúdo final.
No campo da proteção de dados, o CNJ orienta cautela redobrada, especialmente em processos sigilosos, recomendando a anonimização prévia das informações, a desativação do uso de dados para treinamento dos modelos e a priorização de ferramentas institucionais ou que operem em ambiente controlado.
Segundo o professor, as diretrizes do CNJ não buscam impedir a inovação, mas garantir que o uso da inteligência artificial fortaleça a prestação jurisdicional sem comprometer a ética, a segurança jurídica e os direitos fundamentais. “A IA pode auxiliar, mas não decide, não julga nem não assume responsabilidade jurídica. O uso correto ocorre quando todo o raciocínio crítico passa pela centralidade humana”, enfatizou.
Aplicações práticas no cotidiano jurídico
Ao longo da aula, foram apresentados exemplos concretos de aplicação da inteligência artificial nas rotinas dos gabinetes e unidades judiciais, como:
❗elaboração de minutas de decisões, votos e relatórios;
❗ extração e organização de dados processuais;
❗ análise de peças e identificação de pontos controvertidos;
❗ apoio à condução de audiências, com sugestão de perguntas estratégicas;
❗ revisão crítica de decisões, com identificação de possíveis omissões ou fragilidades argumentativas.
“Quando bem utilizada, a IA permite que o profissional concentre o tempo nos processos mais complexos e sensíveis, melhorando a qualidade da prestação jurisdicional e também a qualidade de vida de quem trabalha no Judiciário”, ressaltou Zacarias.
Cenários criativos e simulação de teses
A aula também expôs o chamado modo interativo ou criativo de uso da IA, no qual a ferramenta é utilizada para simular cenários, testar teses e identificar riscos decisórios.
Entre os exemplos citados, está o uso da IA para sugerir perguntas em audiências ou para apontar potenciais vícios em minutas de decisões, permitindo que o(a) magistrado(a) ou assessor(a) fortaleça a fundamentação antes do julgamento.
“Em um caso de improbidade administrativa, a IA me ajudou a identificar elementos que tornaram o voto mais robusto e resistente. O resultado foi uma decisão acolhida por unanimidade”, relatou Jaime Zacarias.
Ferramentas institucionais e uso responsável
Durante o curso, também foram mencionadas as experiências de tribunais que já adotam soluções próprias de inteligência artificial, com destaque para o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
O TJMT conta com ferramentas institucionais de IA que auxiliam magistrados(as) e servidores(as) em atividades como:
✅ extração automática de peças processuais;
✅ organização e síntese de informações dos autos;
✅ apoio à elaboração de relatórios e minutas;
✅ integração direta com os sistemas internos do Judiciário.
Essas soluções se diferenciam por operar em ambiente controlado e institucional, reduzindo riscos relacionados à privacidade de dados e ao uso de plataformas externas. Durante o curso, a experiência do TJMT foi citada como exemplo de boas práticas na adoção da inteligência artificial no Judiciário, conciliando inovação tecnológica, segurança da informação e respeito às normas do CNJ. “Quem compreende os fundamentos, conhece os limites e sabe direcionar a IA passa a atuar em outro nível profissional”, concluiu o professor Jaime Zacarias.
Autor: Ana Assumpção
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
Tribunal de Justiça de MT
Esmagis-MT completa 41 anos com balanço positivo de 99 ações pedagógicas no biênio 2025/2026
Publicado
13 de junho de 2026, 09:31
Neste sábado (13 de junho de 2026), a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) celebra 41 anos de criação (1985). A data marca também o balanço de quase 18 meses da atual gestão (biênio 2025/2026), período caracterizado pela continuidade das ações de formação e pelo fortalecimento das atividades pedagógicas voltadas aos juízes(as) e desembargadores(as), bem como aos profissionais que integram o sistema de Justiça e instituições parceiras.
A direção da Esmagis-MT é exercida pelos desembargadores Márcio Vidal, na função de diretor-geral, e Anglizey Solivan de Oliveira, como vice-diretora-geral (janeiro de 2025 a dezembro de 2026). A coordenação das atividades pedagógicas está sob responsabilidade do juiz Antônio Veloso Peleja Júnior, e a Secretaria-Geral é conduzida pela servidora Claudia Regina Duarte Bezerra Candia.
Ações formativas
De janeiro de 2025 a maio de 2026, a Escola realizou 99 ações pedagógicas, entre cursos, seminários, eventos e capacitações, totalizando 3.770 horas de formação.
O diretor-geral da Esmagis-MT, desembargador Márcio Vidal, destaca que os resultados apresentados não devem ser compreendidos apenas em sua dimensão numérica, mas principalmente como expressão de um processo mais amplo de amadurecimento institucional. “Ao longo desses quase 18 meses de gestão, buscamos preservar a continuidade das ações já consolidadas pelos meus antecessores, ao mesmo tempo em que promovemos ajustes necessários para que a Esmagis permaneça fiel à sua missão formativa em um cenário de constantes transformações”, pontua.
“A formação do magistrado, em nosso tempo, exige muito mais do que a atualização técnica: impõe uma postura intelectual aberta, sensível às mudanças sociais, às inovações tecnológicas e às complexidades humanas que atravessam a atividade jurisdicional. A Escola tem procurado afirmar-se como um espaço de reflexão qualificada, voltado não apenas à transmissão do conhecimento, mas à construção de um pensamento crítico e de inequívoca responsabilidade.”
Programação pedagógica
A programação da Esmagis-MT manteve alinhamento com as diretrizes da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira (Enfam). No período, das 99 ações pedagógicas, foram realizados 19 cursos credenciados, correspondentes a 19% da programação. As atividades foram desenvolvidas nas modalidades presencial, híbrida, virtual e a distância (EAD), com o objetivo de ampliar o acesso à formação em todo o Estado.
A vice-diretora da Esmagis-MT, desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira, ressalta a relevância da diversificação das modalidades e os resultados alcançados pela instituição até o momento. “A Esmagis tem ofertado um ciclo de trabalho consistente, marcado pelo comprometimento institucional e pela busca permanente de aprimoramento. Mais do que números, esses indicadores revelam a consolidação de uma política educacional que vem sendo construída com seriedade, planejamento e atenção às reais necessidades da magistratura”, salienta.
Segundo a desembargadora, cada ação desenvolvida, cada participação registrada e cada hora de formação realizada traduzem um esforço coletivo voltado ao fortalecimento da atividade jurisdicional e à valorização do saber como instrumento essencial à prestação da Justiça. “Esse conjunto de resultados também reflete o engajamento da própria magistratura, que reconhece na Escola Superior da Magistratura um ambiente confiável para o seu desenvolvimento profissional e intelectual. Trata-se de um movimento que ultrapassa a mera dimensão administrativa e alcança um sentido muito mais amplo: o de contribuir para a construção de um Judiciário cada vez mais preparado, consciente de seu papel e comprometido com as transformações da sociedade.”
Formação acadêmica stricto sensu
Em mais um ano, a Esmagis-MT manteve o apoio à formação acadêmica stricto sensu de magistrados(as), com participação em programas de mestrado e doutorado, em parceria com instituições de ensino superior. Atualmente, 19 magistrados integram programas de mestrado e 18 de doutorado.
O juiz coordenador das atividades pedagógicas, Antônio Veloso Peleja Júnior, ressalta a relevância da iniciativa. “O incentivo à formação acadêmica stricto sensu representa um compromisso institucional com a qualificação aprofundada da magistratura. Trata-se de uma política que ultrapassa a capacitação imediata, ao estimular a produção de conhecimento jurídico e o desenvolvimento de uma atuação jurisdicional cada vez mais fundamentada e refletida.”
Conforme o magistrado, a participação de magistrados e magistradas em programas de mestrado e doutorado contribui para o fortalecimento do pensamento crítico e para a construção de soluções mais consistentes diante das demandas contemporâneas do sistema de Justiça. “Ao investir nesse tipo de formação, a Esmagis reafirma seu papel não apenas como espaço de ensino, mas como ambiente de reflexão, pesquisa e desenvolvimento institucional.”
Ampla participação
A política de formação continuada registrou resultados expressivos no período. Em 2025, o programa alcançou 77,43% do quadro da magistratura, com 247 magistrados e magistradas capacitados. Destaca-se o elevado nível de engajamento, que superou o número de participantes individuais e atingiu 942 participações, evidenciando a adesão recorrente a múltiplas ações formativas.
No primeiro semestre de 2026, a tendência se mantém consolidada, com 165 magistrados(as) já envolvidos em atividades ofertadas pela Esmagis, o que representa 47% do corpo funcional capacitado até o momento, somando 723 participações no período.
A secretária-geral da Esmagis-MT, Claudia Regina Duarte Bezerra Candia, destaca a adesão às capacitações. “Mais do que um dado estatístico, esse engajamento dos magistrados e magistradas do Judiciário mato-grossense expressa o compromisso com o aprimoramento permanente e com a qualidade da prestação jurisdicional.”
Segundo a gestora, a participação registrada ao longo do biênio revela o reconhecimento da formação continuada como elemento indispensável ao exercício da jurisdição. “Os números alcançados refletem não apenas a procura pelas atividades promovidas pela Esmagis, mas também a credibilidade construída a partir de uma programação alinhada às necessidades da magistratura”, assinala.
Comunicação e presença digital
A presença digital da Esmagis-MT também foi ampliada no período, com forte produção audiovisual e jornalística voltada à divulgação de conteúdos jurídicos e institucionais. Ao longo do biênio, a Escola produziu 167 episódios de podcasts e programas temáticos, além de vídeos educativos e materiais para redes sociais, consolidando a comunicação como ferramenta estratégica de aproximação com a sociedade.
Entre os principais formatos, destacam-se o programa Por dentro da Magistratura, o podcast Explicando Direito, a série Entendendo Direito, a versão do Explicando Direito para o YouTube e o programa Magistratura e Sociedade, que abordam temas jurídicos de forma acessível e promovem o diálogo entre o Judiciário e a população. Os conteúdos foram produzidos com o objetivo de ampliar o alcance das ações institucionais, contribuindo para a difusão do conhecimento jurídico e o fortalecimento da confiança no sistema de Justiça.
A produção jornalística institucional também registrou crescimento, com a publicação de 571 matérias no site oficial (janeiro de 2025 a maio de 2026) e intensificação da presença nas redes sociais.
A Esmagis-MT registrou crescimento expressivo em sua presença digital no primeiro semestre de 2026. Os dados levantados pela Assessoria de Comunicação apontam avanço significativo nas principais métricas do Instagram institucional (@esmagismt), com destaque para o aumento de 46% nas interações com o conteúdo publicado em comparação ao mesmo período de 2025.
Entre 1º de janeiro e 8 de junho de 2026, as publicações do perfil acumularam 385,2 mil visualizações, crescimento de 10,1% frente ao desempenho registrado no ano anterior. No total, foram publicados 635 conteúdos, entre posts, Reels, carrosseis e stories, que juntos alcançaram mais de 210 mil contas e geraram 13,6 mil interações, incluindo curtidas, comentários, compartilhamentos e salvamentos. O perfil também conquistou 882 novos seguidores no período, fortalecendo a base de audiência da instituição nas redes sociais.
Segundo a assessora de Comunicação da Esmagis-MT, jornalista Keila Maressa, a comunicação é uma ponte essencial entre o Judiciário e a sociedade, contribuindo para a transparência e para a compreensão do papel da magistratura, além de ampliar o acesso da população a informações claras e confiáveis.
Pluralidade de conteúdos formativos
As ações formativas desenvolvidas pela Esmagis-MT contemplaram temas diretamente relacionados à atividade jurisdicional e às demandas contemporâneas, com abordagem em áreas como tecnologia, direitos fundamentais, políticas públicas e sustentabilidade, evidenciando a preocupação institucional em oferecer uma formação abrangente, atualizada e interdisciplinar.
Segundo o diretor-geral, a definição desses conteúdos decorre de um processo criterioso de identificação das necessidades da magistratura, em diálogo permanente com as transformações sociais e institucionais que impactam o exercício da jurisdição. “A estruturação da programação formativa parte de uma leitura atenta e sistemática das demandas que emergem da prática jurisdicional, buscando não apenas acompanhar, mas também antecipar os desafios impostos pelo cenário contemporâneo. Trata-se de uma atuação orientada por uma perspectiva estratégica, na qual o conhecimento é compreendido como instrumento essencial para o fortalecimento institucional do Poder Judiciário.”
A pluralidade temática, explica o desembargador, não constitui apenas um dado quantitativo, “mas expressa uma concepção pedagógica comprometida com a formação de magistrados aptos a atuar com segurança, discernimento e responsabilidade diante da complexidade crescente das demandas judiciais.”
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Autor: Lígia Saito
Fotografo:
Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT
Email: [email protected]
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