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Custo da Cesta Básica sobe em 14 capitais em fevereiro; feijão e carne impulsionam alta

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Em fevereiro, o valor da cesta básica aumentou em 14 capitais brasileiras, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No mesmo período, outras 13 capitais — incluindo o Distrito Federal — registraram queda nos preços.

Capitais com maior alta no custo da cesta em fevereiro

O levantamento revelou que a maior elevação no preço da cesta básica ocorreu em Natal (RN), com alta de 3,52% em relação a janeiro. Outras capitais que também apresentaram aumentos significativos foram:

  • João Pessoa (PB): 2,03%
  • Recife (PE): 1,98%
  • Maceió (AL): 1,87%
  • Aracaju (SE): 1,85%
  • Vitória (ES): 1,79%

Esses aumentos refletem pressões sobre itens essenciais, especialmente alimentos de grande peso no orçamento familiar.

Capitais com recuo no valor da cesta básica

Por outro lado, algumas capitais registraram redução no custo da cesta básica em fevereiro. As maiores quedas foram observadas em:

  • Manaus (AM): -2,94%
  • Cuiabá (MT): -2,10%
  • Brasília (DF): -1,92%

Essas variações negativas sugerem que fatores locais e dinâmicas de mercado podem impor alívio de preços em determinadas regiões.

Acumulado do ano: 25 capitais com alta

No acumulado de 2026 até fevereiro, 25 capitais apresentaram aumento no custo da cesta básica, enquanto as demais registraram queda. As maiores elevações no ano até agora foram em:

  • Rio de Janeiro (RJ): 4,41%
  • Aracaju (SE): 4,34%
  • Vitória (ES): 3,98%
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Em contrapartida, as maiores reduções acumuladas foram observadas em:

  • Florianópolis (SC): -0,47%
  • Brasília (DF): -0,30%
Principais itens que pressionaram os preços

Um dos principais responsáveis pelo aumento do custo da cesta em fevereiro foi o feijão, item que registrou alta de preços em 26 das 27 unidades federativas. A exceção foi Boa Vista (RR), onde o preço do quilo do feijão recuou 2,41%. Em Campo Grande (MS), o aumento chegou a 22,05%, devido à oferta mais restrita, resultado de dificuldades na colheita e menor área plantada em comparação com o ano anterior.

Além disso, a carne bovina de primeira também contribuiu para a elevação da cesta em 20 capitais. A valorização está associada à menor disponibilidade de animais para abate e ao forte desempenho das exportações, que elevaram os preços da proteína no mercado interno.

Capitais com as cestas básicas mais caras e mais baratas

Em fevereiro, São Paulo (SP) teve a cesta básica mais cara do país, com valor médio de R$ 852,87. Outras capitais com custo elevado foram:

  • Rio de Janeiro (RJ): R$ 826,98
  • Florianópolis (SC): R$ 797,53
  • Cuiabá (MT): R$ 793,77

Nas regiões Norte e Nordeste, onde a composição dos itens da cesta é diferente, os menores valores médios foram observados em:

  • Aracaju (SE): R$ 562,88
  • Porto Velho (RO): R$ 601,69
  • Maceió (AL): R$ 603,92
  • Recife (PE): R$ 611,98
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Salário mínimo ideal estimado com base na cesta mais cara

Considerando o valor da cesta básica mais elevada do país em fevereiro — a de São Paulo — e a determinação constitucional de que o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estimou que o piso salarial ideal para o mês passado seria de R$ 7.164,94. Esse valor representa 4,42 vezes o salário mínimo vigente de R$ 1.621,00.

Cenário econômico atual e taxa básica de juros

O cenário macroeconômico também impacta o custo de vida, incluindo os preços de alimentos. A taxa básica de juros no Brasil, conhecida como Selic, está atualmente em 15,00% ao ano, conforme definição do Banco Central do Brasil e do Comitê de Política Monetária (Copom). Essa é a manutenção de um patamar elevado de juros, o maior em quase duas décadas, com objetivo de controlar a inflação em meio a um ambiente econômico ainda incerto e pressões de preços persistentes.

Apesar de sinais de desaceleração inflacionária e expectativas alinhadas de convergência para a meta oficial de inflação de 3%, o Copom já indicou a possibilidade de iniciar um ciclo gradual de redução da Selic em 2026, dependendo dos dados econômicos futuros.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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