Política Nacional

Debate pede fortalecimento dos direitos humanos e da comunidade LGBTQIA+

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O fortalecimento da cultura de direitos humanos foi defendido nesta quinta-feira (11) em audiência pública conjunta as Comissões de Educação (CE) e de Direitos Humanos (CDH). Representantes de entidades do setor destacaram os avanços que o país obteve nos últimos anos, mas ressaltaram que o combate a todos os tipos de violência, desigualdade e discriminação deve estar presente no cotidiano dos brasileiros.

O debate teve como tema “Por uma Cultura de Respeito aos Direitos Humanos”, em alusão ao 77º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.  A iniciativa foi dos senadores Paulo Paim (PT-RS) e Teresa Leitão (PT-PE).

Paim defendeu a construção de uma cultura de respeito aos direitos humanos, com plena proteção à vida e à liberdade de cada pessoa, independentemente de orientação sexual ou identidade de gênero.

Em 2022, foram contabilizadas 273 mortes violentas de pessoas LGBTQIA+ no Brasil, sendo 228 homicídios, 30 suicídios e 15 óbitos por outras causas, disse Paim. Os números mostram que nosso país segue registrando uma média brutal de assassinatos e agressões motivadas pelo ódio, preconceito e desrespeito à diversidade, afirmou.

Entre as vítimas identificadas naquele ano, havia 159 travestis e mulheres trans e 97 homens gays. Ainda em 2022, mais de 11 mil pessoas LGBTQIA+ denunciaram algum tipo de agressão física psicologia ou sexual, motivada por sua identidade sexual ou de gênero.

— Além dos homicídios, a violência cotidiana atinge brutalmente essa população. Essa escalada de violência, agressões, mortes e assassinatos representa uma violência sistemática dos direitos fundamentais. A evidência é que não estamos diante de ocorrências isoladas, mas de um padrão cultural de intolerância que precisa ser combatido com firmeza — afirmou Paim.

Presidente da CDH, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) defendeu o respeito a todos e uma educação que favoreça a diversidade. A senadora destacou que os avanços nos direitos humanos surgiram a partir dos diálogos ocorridos nos últimos 30 anos. Disse ainda que “muita gente quer confusão porque a confusão dá voto”, mas ressaltou que é preciso avançar no diálogo.

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‘Tirania dos extremos’

Fundadora da Empresa de Consultoria B-Have, Érika Linhares disse que onde há tirania falta respeito. Em sua avaliação, “o Brasil vem dando passos, mas para andar mais rápido tem que parar com o conflito dos extremos, que mais atrasam e se retroalimentam do que propriamente ajudam”.  

— Há a tirania da militância, que não escuta, e a tirania dos dogmas conservadores, que também não escutam. Quando a gente fala da prática do respeito, a gente fala da prática do escutar, do tentar dialogar. É uma luta mesmo contra toda essa tirania ideológica. Ter ideologia é uma coisa, mas usar de uma tirania é outra — afirmou.

Defensor público-geral federal, Leonardo Cardoso de Magalhães destacou o reforço da presença da Defensoria Pública no interior do país, “onde muitas vezes o Estado não chega”. Segundo ele, é preciso fortalecer o sistema de direitos humanos com investimentos em qualificação, estrutura logística para atender a missão central do órgão na promoção de direitos humanos, defesa e acesso à Justiça.

Secretária Nacional LGBTQIA+ do Partido dos Trabalhadores, Janaina Oliveira ressaltou que “os direitos humanos são para todas as pessoas e cidadãos”, independentemente do campo ideológico de atuação. Também afirmou que o movimento social atua para o reconhecimento de direitos, e não privilégios

— A gente tem uma dificuldade nessa cultura, de fazer com que o Senado e a Câmara consigam atuar no sentido de nos incluir. A gente avança no Executivo, avança muito no Judiciário, mas a gente não consegue que o Legislativo brasileiro faça o mesmo pelos nossos corpos. A quantidade de projetos de lei nessa casa contra a população LGBTQIA+ é um absurdo e um desrespeito à existência e aos nossos direitos, mas continuam sendo pautados — afirmou.

Escala do preconceito

Diretor-presidente da Aliança Nacional LGBTQIA+, Toni Reis defendeu o diálogo entre a esquerda e a direita e enumerou uma escala em que se traduz o preconceito.

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— O nazista mata o diferente, o nazismo nós temos que denunciar não pode existir, não concordo com a pessoa que quer matar o diferente. O fanático morre e não muda em nada. Tem o dogmático, que tem ideia concebida que não vai mudar. O preconceituoso dá para melhorar, esse a gente pode ensinar. O tolerante respeita, mas se sente superior. Tem o respeitador. E tem o competente cultural que não discute mais. Nós temos setores muito radicalizados de todas as partes, de nossa comunidade inclusive — afirmou.

Presidente do Grupo Dignidade, Rafaelly criticou o assassinato de mulheres e pessoas trans e disse que o país não pode mais admitir esses tipos de ocorrências, em que os acusados muitas vezes são postos em liberdade.

Coordenadora-geral de Cultura em Direitos Humanos e Mídias Digitais do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Miriam Gomes Alves defendeu o fortalecimento dos centros de cultura em direitos humanos para ações estruturais em todos os âmbitos, rompimento de estigmas e estereótipos.

‘Princípio inegociável’

Representante da rede nacional de mulheres travestis de mulheres trans e de homens trans vivendo e convivendo com HIV/Aids (RNTTHP), Cleonice Araújo disse que o respeito aos direitos humanos constitui um princípio inegociável em qualquer sociedade. A persistência de violência estrutural, discriminação institucional e a prática de exclusão demonstra que ainda há um longo caminho rumo à equidade. “Daí a importância da criação de políticas públicas específicas”, afirmou.

Presidente do Grupo Estruturação e Centro DH, Michel Platini Gomes Fernandes disse que a disputa política atual não é abstrata, ela aparece no corpo, inclusive das pessoas trans. Ele ressaltou ainda que os direitos humanos “surgiram justamente para entregar direito a quem não tinha direito nenhum”.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Cancelado debate sobre os impactos da desinformação em situações de calamidade

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A comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha os impactos das fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata de Minas Gerais em fevereiro cancelou a audiência pública que realizaria nesta quarta-feira (10) para discutir a propagação de notícias falsas em situações de calamidade pública.

Ainda não foi marcada nova data para o debate.

A reunião foi pedida pela coordenadora da comissão, deputada Ana Pimentel (PT-MG), para discutir os efeitos da desinformação em cenários de desastre, identificar estratégias de prevenção e resposta e fortalecer a comunicação institucional em situações de emergência.

A comissão
Em fevereiro de 2026, municípios da Zona da Mata de Minas Gerais, especialmente Juiz de Fora, registraram chuvas intensas que causaram danos à população e à infraestrutura local.

A comissão criada pela Câmara dos Deputados acompanha os danos causados pelas chuvas e discute medidas de apoio à população afetada.

Consequências das notícias falsas
Segundo Ana Pimentel, o enfrentamento dos efeitos das chuvas não depende apenas da reconstrução dos danos materiais, mas também da garantia de acesso a informações corretas.

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“A difusão de conteúdos enganosos pode dificultar ações de resgate, comprometer a atuação da Defesa Civil, desorientar a população quanto a rotas seguras, pontos de apoio e serviços disponíveis, além de agravar o medo, a insegurança e a desorganização social em momento de especial vulnerabilidade coletiva”, enumera a coordenadora.

Da Redação – MB

Fonte: Câmara dos Deputados

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