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Desembargador Hélio Nishiyama é o entrevistado do programa Por Dentro da Magistratura

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Está no ar o 34º episódio do programa Por Dentro da Magistratura, com uma entrevista com o desembargador Hélio Nishiyama. Ele tomou posse em 21 de fevereiro deste ano como desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso em vaga destinada à Ordem dos Advogados do Brasil pelo Quinto Constitucional.
 
Cuiabano, 41 anos, Nishiyama é mestrando em Direito pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP). É especialista em Direito Penal e Processo Penal e em Didática no Ensino Superior. Coordenador estadual do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM), ele atuou como professor universitário entre 2013 e 2017. Na OAB-MT foi corregedor-geral entre 2022 e 2023, conselheiro estadual nos biênios 2016-2018 e 2019-2021, e secretário-geral da Comissão de Assuntos Legislativos no biênio 2013-2015.
 
Na entrevista concedida ao juiz Gerardo Humberto Alves da Silva Júnior, o magistrado contou que seu desejo inicial era ter feito Engenharia da Computação. Às vésperas do vestibular, mudou para Direito e cursou a faculdade por apenas um ano antes de ir para o Japão, onde trabalhou como operário de fábrica por um ano e meio. “Depois eu voltei, retomei a faculdade já com outra cabeça, com outra maturidade, com outro senso de responsabilidade, e consciente de que a faculdade era minha ponte de salvação.”
 
“Eu digo que o Japão foi providencial, porque provavelmente se eu tivesse seguido com a faculdade de direito, sem ter essa diferença no Japão, talvez não teria tido uma boa formação acadêmica, talvez o meu futuro profissional teria sido diferente. O Japão me deu esse amadurecimento enquanto homem, enquanto pessoa, e me deu condições financeiras de concluir a minha faculdade sem ter que me preocupar em trabalhar. Eu consegui estudar, fazer meus estágios e concluir um bom curso de direito”, revelou o magistrado.
 
Depois de fazer estágio em diversas instituições, como no Fórum de Várzea Grande, na Corregedoria Geral da Polícia Civil e no Ministério Público, ele iniciou a carreira em um modesto escritório na cidade de Várzea Grande. Ele deixou os planos de prestar concursos públicos e se dedicou integralmente à advocacia e à docência. “Consegui ir vencendo na profissão até que quando chegou na minha reta final, vamos dizer assim, eu tinha uma carreira consolidada, uma posição dentro do mercado, então por isso que eu posso dizer que eu conheci todas as fases da advocacia.”
 
Na entrevista, contou ainda sobre a experiência com a docência e a paixão pelo Direito Penal. “Meus estágios foram direcionados para a área criminal, eu poderia até ter migrado para algum estágio cível, mas realmente eu sempre achei o direito penal muito mais desafiador, com todo o respeito aos civilistas, mas eu sempre enxerguei o direito penal como uma matéria muito mais desafiadora, com um fator humano muito mais preponderante do que o fator formal. E a minha faculdade, meus estágios foram direcionados para a área criminal, isso me levou naturalmente para uma advocacia criminal, que também me levou para uma docência na área também criminal, na parte material e processual, que me levou também para o meu mestrado em Direito Penal Econômico e por uma felicidade, porque daí não foi mais uma condução minha, hoje eu estou numa câmara criminal no Tribunal de Justiça.”
 
 
O programa Por Dentro da Magistratura pretende conhecer experiências e condutas de magistrados(as) a partir de situações durante a carreira, opiniões, escolhas e relacionamentos pessoais, institucionais e sociais, com o intuito de transmiti-las, na forma de orientação ou recomendação, a magistrados e magistradas. Ele é veiculado no canal oficial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso no YouTube (@tjmtoficial).
 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição da imagem: peça publicitária colorida. Na lateral esquerda, o ícone de play acompanhado do texto: /tjmtoficial. Na parte superior central, o logo do Programa Por Dentro da Magistratura e a foto do desembargador Hélio Nishiyama, acompanhados do texto: Desembargador Hélio Nishiyama. Assista agora! 34º episódio. Ele é um homem de traços asiáticos, com cabelos pretos escuros e óculos de grau. Assina a peça o logo do Poder Judiciário e da Esmagis-MT.
 
Lígia Saito
Assessoria de Comunicação
Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT)
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Lei Maria da Penha: magistradas do TJMT destacam avanços, desafios e a luta para salvar vidas

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Close de uma mão com um X vermelho desenhado na palma, símbolo de combate à violência contra a mulher. Ao fundo, outra mão e manga de blusa cinzaA cada mulher que rompe o silêncio, uma história de coragem se sobrepõe ao medo. Há 20 anos, a Lei Maria da Penha passou a oferecer instrumentos concretos para proteger vítimas de violência doméstica e familiar, transformando a forma como o Brasil enfrenta um problema que, por muito tempo, permaneceu invisível dentro dos lares. Apesar dos avanços conquistados desde então, magistradas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) alertam que a mudança cultural ainda é o maior desafio para impedir que novas mulheres tenham suas vidas interrompidas pela violência.

A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, que atuou por muitos anos na 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e atualmente responde pela 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões, destaca que a legislação representou uma mudança histórica ao reconhecer diferentes formas de violência contra a mulher e criar mecanismos de proteção mais efetivos.

Segundo ela, além de ampliar o conceito de violência doméstica para incluir as agressões psicológica, sexual, patrimonial e moral, a Lei Maria da Penha instituiu medidas protetivas com análise prioritária, fortaleceu a punição aos agressores e criou varas especializadas com equipes multidisciplinares e atuação integrada com a rede de proteção.

A juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, titular da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra aMulher de cabelos longos e escuros veste jaqueta branca sobre blusa amarela com detalhes em azul, semblante alegre, olha para o lado. Ao fundo, vegetação desfocada Mulher de Cuiabá, também aponta a visibilidade dada ao problema como um dos maiores legados da legislação.

“Um dos principais avanços foi, principalmente, a visibilidade da violência doméstica contra a mulher. Hoje, nós conseguimos entender que não se trata de um problema no âmbito privado, como se entendia no passado, mas ela se tornou o centro do debate público. Hoje, nós discutimos não apenas a violência física, mas também a violência psicológica, moral, patrimonial, sexual e, mais recentemente, a violência vicária”, afirma.

Para a magistrada, dar visibilidade ao problema também permite produzir estatísticas e direcionar políticas públicas voltadas à prevenção e ao acolhimento das vítimas.

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Desafio permanente

Mesmo após duas décadas da Lei Maria da Penha, as duas magistradas concordam que a violência doméstica não será combatida apenas com a aplicação da legislação.

Mulher de cabelos longos e loiros, veste blazer preto rendado sobre blusa branca e colar dourado, sorri em ambiente iluminado. Ao fundo, plantas e estrutura de vidroPara a juíza Ana Graziela, trata-se de um problema social e estrutural. “A violência doméstica e familiar contra a mulher, para além de um problema judicial, é um problema social e estrutural. Esse é o maior desafio, a mudança social e estrutural do que gera e fomenta essa violência, não bastando a aplicação correta da lei para findar a violência e proteger as vítimas. Por isso se mostra tão importante a articulação em rede”, ressalta.

A magistrada observa ainda que nos últimos anos houve aumento das denúncias envolvendo violência psicológica e patrimonial, impulsionado pelo maior conhecimento sobre os direitos das mulheres. Ao mesmo tempo, o crescimento dos casos de feminicídio em Mato Grosso preocupa o Judiciário, que busca identificar fatores de risco para fortalecer as ações preventivas.

Na mesma linha, a juíza Tatyana lembra que o aumento das penas para feminicídio representa uma resposta importante do Estado, mas não é suficiente para mudar uma realidade construída ao longo de gerações. “Infelizmente, como a gente vê que isso não é um problema só legislativo, é um problema cultural, mesmo com a implantação da lei, no ano passado nós tivemos um aumento de feminicídio”, afirma.

Rede que protege

As magistradas destacam que nenhuma instituição consegue enfrentar a violência doméstica sozinha.

Ana Graziela defende investimentos permanentes em políticas públicas, fortalecimento das Delegacias Especializadas, ampliação da Patrulha Maria da Penha, atendimento psicológico e ações que promovam a autonomia financeira das mulheres. Para ela, a atuação integrada da rede é indispensável para garantir proteção efetiva às vítimas.

Tatyana reforça que o trabalho em rede também precisa olhar para o futuro, apostando na educação como instrumento de transformação social.

Ela cita iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário, como o projeto Lei Maria da Penha Vai às Escolas e o A Escola Ensina, a Mulher Agradece, que levam o debate sobre respeito, igualdade e prevenção da violência às salas de aula. “Por meio da educação, a gente pode transformar essa cultura de violência para uma cultura de respeito”, afirma.

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Romper o silêncio salva vidas

Outro ponto destacado pelas magistradas é a importância da denúncia e das medidas protetivas de urgência.

Segundo Tatyana, Mato Grosso concede medidas protetivas em poucas horas, um dos melhores desempenhos do país. Ela ressalta que esses mecanismos têm papel fundamental na preservação da vida das mulheres. “As medidas protetivas realmente salvam vidas. No ano passado foram quase 20 mil medidas protetivas deferidas dentro do nosso estado. Milhares de mulheres estão protegidas por medidas protetivas e é de forma célere”, destaca.

Às mulheres que ainda enfrentam situações de violência, Ana Graziela deixa uma mensagem de acolhimento. “Procurem ajuda, seja de familiares, amigos ou ajuda especializada, se informem sobre os seus direitos, sobre as medidas de proteção que podem lhes ser deferidas e sobre as ações judiciais e sociais que podem ser adotadas”, orienta, lembrando que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso disponibiliza atendimento psicológico, social e diversas ações de apoio por meio do Centro Especializado de Atendimento às Vítimas (CEAV).

Tatyana faz um apelo semelhante e reforça que a denúncia deve vir acompanhada de uma rede de apoio. “O que eu diria para essa mulher é que ela procure primeiramente uma rede de apoio. Se for uma situação de emergência, realmente vá até uma delegacia especializada da mulher e ofereça essa denúncia. A partir desse momento em que ela procura essa ajuda inicial, serão feitos os encaminhamentos necessários para que ela possa realmente romper com esse ciclo da violência”, conclui.

Roberta Penha

Josi Dias e Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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