Política Nacional

Dia do Quadrinho Nacional pode virar lei em 2026

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Comemorado em 30 de janeiro, o Dia do Quadrinho Nacional deve ganhar caráter oficial em 2026. Um projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados já está no Senado e pode ser votado pelos senadores neste primeiro semestre. A autora do PL 2.328/2024 é a deputada federal Juliana Cardoso (PT-SP).

O Dia do Quadrinho Nacional já é comemorado pelos fãs da nona arte todos os anos desde 1984, quando a comemoração foi criada simbolicamente pela Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-SP). No ano seguinte, a AQC instituiu o Prêmio Angelo Agostini, uma das principais premiações para autores e desenhistas de quadrinhos no Brasil.

O quadrinista Angelo Agostini, um italiano naturalizado brasileiro, publicou, a partir de 30 de janeiro de 1869 (há 157 anos), As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte, considerada a primeira história em quadrinhos brasileira de longa duração e uma das primeiras em âmbito mundial. A história foi publicada pela revista Vida Fluminense até janeiro de 1872, com algumas interrupções, totalizando 14 capítulos.

Em 2002, o Senado publicou a coletânea As Aventuras de Nhô Quim & Zé Caipora – Os Primeiros Quadrinhos Brasileiros (1869-1883), pesquisada e organizada por Athos Eichler Cardoso. A obra apresenta, na íntegra, os 14 capítulos de Nhô-Quim e os 75 capítulos de Zé Caipora, outro personagem criado por Agostini e publicado nas revistas Dom Quixote, Revista Illustrada e O Malho. A coletânea, que tem 200 páginas, está esgotada mas pode ser baixada em PDF gratuitamente.

Boa parte das histórias teve de passar por longo e cuidadoso trabalho de restauração digital para que pudesse ficar legível na publicação do Senado. Nhô-Quim foi criado por Agostini como um caipira rico e muito ingênuo que chega à cidade do Rio de Janeiro, ainda capital do Império. 

O personagem, por meio de sua ingenuidade e ao longo de várias situações cômicas, tece seguidas e irreverentes críticas abordando problemas urbanos, modismos, costumes sociais e políticos da época. Zé Caipora também nasce como herói cômico, mas em sua longa publicação, de 1883 até 1906, o personagem urbano passa também por uma fase aventureira e outra romântica.

O projeto

O texto da proposta torna oficial em todo o país o Dia do Quadrinho Nacional (30 de janeiro) e determina que, nessa data, o poder público deverá realizar atividades públicas que promovam a arte dos quadrinhos em suas diversas formas e variantes. 

Além disso, o poder público terá que criar, dar continuidade e ampliar as políticas públicas direcionadas à promoção do emprego e renda dos artistas da cadeia produtiva dos quadrinhos. O objetivo é apoiar a arte e a indústria cultural nacional.

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O PL 2.328/2024 será enviado para análise de comissões pertinentes e, em seguida, para votação no Plenário do Senado. Se aprovado, seguirá para sanção ou veto do presidente da República

A deputada Juliana Cardoso afirma que o Brasil é um dos pioneiros na criação das histórias em quadrinhos, sendo Nhô Quim considerada a primeira história em quadrinhos brasileira, dividindo a primazia mundial com a primeira história em quadrinhos conhecida: Max und Moritz, de Wilhelm Bush, publicado na Alemanha em 1865.

Ela lembra que a data foi comemorada pela primeira vez em um evento no Sesc Fábrica Pompeia, em São Paulo, em 1985, data na qual também foi instituído o Troféu Ângelo Agostini, que já tem mais de 40 edições. Juliana Cardoso também registra que o Dia do Quadrinho Nacional é comemorado em todo o país, principalmente pelas gíbitecas de cidades como Curitiba, São Paulo, Brasília e Porto Alegre, entre outras. 

“A propositura de 30 de janeiro como o Dia do Quadrinho Nacional reconhece historicamente a luta dos produtores de cultura e dos movimentos artísticos organizados envolvidos com a área das histórias em quadrinhos”, afirma a deputada na justificativa do projeto.

Debate

A criação de dias comemorativos no Brasil precisa ser precedida de debate público (Lei 12.345, de 2010), o que deve ocorrer no Senado em 2026. Em audiência pública na Câmara em junho de 2024, Rick Goodwin, que foi editor de entrevistas do clássico semanário O Pasquim e hoje é colaborador do Instituto Ziraldo, definiu as bases dessa arte secular, popular e com público cativo como uma série de quadrinhos que, colocados em sequência, contam uma história e estimulam a imaginação dos leitores de maneira interativa.

Apesar de contar com várias escolas e temáticas, a arte dos quadrinhos costuma enfrentar preconceito e menosprezo, que a associam a temas meramente infantis ou a apêndice do gênero literário. O mundo celebra o Dia do Quadrinho, em 5 de maio, inspirado no personagem norte-americano Yellow Kid, criado em 1895. 

Também em audiência pública na Câmara, a cartunista Laerte, com mais de 50 anos de atividade profissional, lembrou que a arte do quadrinho teve papel fundamental na luta contra a ditadura militar e na redemocratização do país com “a linguagem da sátira, da caricatura, da intervenção política”.

Na mesma ocasião, a presidente do Instituto Memorial das Artes Gráficas do Brasil (Imag), Daniela Baptista, cobrou incentivos para manter a expansão da arte e registrou que há quadrinhos feitos nas periferias, na região amazônica e em produções indígenas.

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O presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil, José Alberto Lovetro, mais conhecido como Jal, citou a relevância da arte para a educação. Lembrou que a ONU já homenageou Maurício de Souza, criador da Turma da Mônica, pelo estímulo à leitura e à alfabetização. Também falou de pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) que mostrou o papel dos quadrinhos no aprendizado escolar.

Jal ainda contou a experiência própria com crianças e adolescentes da Fundação Casa, a antiga Febem de São Paulo, que desenharam as próprias HQs, o que serviu como “uma terapia antiviolência”.

Livraria do Senado

Para baixar gratuitamente o PDF da HQ As aventuras de Nhô-Quim e Zé Caipora: os primeiros quadrinhos brasileiros na Livraria do Senado, clique aqui.

Outra raridade publicada pela Livraria do Senado é o Memórias d’O Tico-Tico – Juquinha, Giby e Miss Schocking, publicação em que surgiu o primeiro herói nacional dos quadrinhos infantis, o Juquinha, que estreou nas páginas de O Tico-Tico, da empresa O Malho, no dia 14 de fevereiro de 1906. Seu idealizador, J. Carlos, o José Carlos de Brito e Cunha, também foi o criador do primeiro afrobrasileiro dos quadrinhos, o Giby, companheiro do Juquinha e vítima de suas travessuras. 

A livraria tem outras obras em quadrinhos, como o Estatuto da Igualdade Racial em Miúdos. O Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288, de 2010) define um conjunto de regras para coibir a discriminação racial e estabelecer políticas para diminuir a desigualdade racial no Brasil. 

A lei, que possui um texto longo, com mais de 60 artigos, foi lançada como cartilha pela Livraria do Senado. Os textos foram redigidos pela escritora Madu Macedo, de forma simplificada e direta, e as ilustrações são de Felipe Modesto, servidor do Senado.

Outra obra é o ECA em miúdos, uma versão em quadrinhos do Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA. O livro ajuda a entender os direitos das crianças e dos adolescentes garantidos na lei aprovada pelo Congresso. Textos de Madu Macedo e arte de Felipe Modesto.  

Também há a Lei Maria da Penha em miúdos; Constituição em Miúdos I e II; e O Guarany de José Alencar adaptado em quadrinhos por F. Acquarone, lançada originalmente em 1937.

Com Agência Câmara

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Em debate na Câmara, especialistas apontam desafios ambientais e econômicos da transição energética

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Em seminário promovido por três comissões da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (9), especialistas apresentaram sugestões ambientais e econômicas para a gradual substituição dos combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural, diretamente ligados ao aquecimento do planeta. De forma geral, defenderam uma transição energética com metas anuais, prazos vinculantes e fundos para garantir justiça climática.

No aspecto político, a coordenadora de projetos do Instituto ClimaInfo, Carolina Marçal, destacou que o Brasil precisa superar contradições na condução do tema.

“Ao mesmo tempo em que o Brasil tem se colocado como um líder climático global e tem de fato exercido um papel importante nesse sentido, a gente vê uma expansão da indústria fóssil e de frentes de exploração inclusive em lugares emblemáticos, como na Margem Equatorial e em outras regiões”, salientou.

Analista do WWF Brasil, Ricardo Fuji mostrou impactos da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, com elevado custo social e risco de emissão de 446 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Segundo ele, o quadro seria bem diferente se o investimento fosse direcionado à produção de eletricidade limpa e biocombustíveis.

“Com aquele mesmo investimento de R$ 32 milhões na Foz do Amazonas, daria para instalar um parque e linhas de transmissão para gerar eletricidade renovável”, exemplificou.

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Derivados do petróleo
Os especialistas também discutiram o cenário geopolítico que impacta no preço internacional dos derivados de petróleo. Só nos primeiros 50 dias da atual guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, a indústria petrolífera lucrou 150 bilhões de dólares, segundo a 350.org Brasil, organização global pelo fim dos combustíveis fósseis.

Outro dado revela que 2/3 da população mundial vivem em países que importam petróleo e, obviamente, tiveram aumento no custo de vida durante essa guerra.

O diretor da organização 350.org no Brasil, João Cerqueira, lembrou que o setor é altamente subsidiado no mundo inteiro. Ele pediu aos parlamentares a aprovação do Projeto de Lei 219/25, que proíbe novos subsídios ao carvão, além da rejeição de outra proposta (PL 1371/25) que mantém esses subsídios até 2050 no Brasil.

Um dos organizadores do debate, o deputado Fernando Mineiro (PT-RN) defendeu a atual estratégia do governo federal no enfrentamento da crise. “Quero ressaltar o papel do governo brasileiro diante dessa crise em curso. Foi a ação política, e não a ação de mercado, que posicionou o Brasil em um lugar melhor do que o de outras nações. Ou seja: não é o livre mercado que vai dar o tom de como nós vamos alcançar e fazer essa travessia para uma transição justa sobre a questão energética.”

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Custo de vida e dependência dos Combustíveis Fósseis: Caminhos para reduzir a vulnerabilidade econômica. Especialista em Transição Energética e Minerais Críticos do Instituto E+, Bruna Targino.
Bruna Targino defendeu estratégia industrial de longo prazo

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Conta de luz
Também houve debates em torno dos impactos da política energética na conta de luz. Representante da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Leandro Moreira citou esforços para redução do peso dos subsídios custeados pela tarifa energética. Um deles é o projeto da Lei de Responsabilidade Tarifária (PLP 100/26), em análise na Câmara.

Bruna Targino, do Instituto E+ Transição Energética, sugeriu foco do país em planejamento, financiamento e estratégia industrial de longo prazo, sobretudo diante das novas opções de exploração mineral e energética.

“Nós não podemos sair da dependência fóssil para uma nova dependência tecnológica e material. Por isso, agendas como a de minerais críticos estratégicos precisam ser tratadas como agendas industriais, com agregação de valor e considerando rastreabilidade, circularidade e salvaguardando padrões socioambientais robustos”, defendeu Bruna Targino.

O seminário na Câmara foi promovido pelas Comissões de Meio Ambiente, da Amazônia e de Defesa do Consumidor.

Reportagem –  José Carlos Oliveira
Edição –  Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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