Política MT

Diego Guimarães critica “colapso do CAR” e aciona Governo para socorrer agricultura familiar

Publicado

O deputado Diego Guimarães (Republicanos) apresentou, na sessão desta quarta-feira (20) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), uma indicação oficial direcionada ao Governo do Estado. O documento cobra providências técnicas urgentes e a criação de um incentivo financeiro voltado à regularização ambiental de pequenos proprietários e assentados, que hoje enfrentam um travamento crônico na aprovação do Cadastro Ambiental Rural (CAR).

Ainda na sessão de hoje, os deputados estaduais também aprovaram a convocação da secretária de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, para prestar esclarecimentos sobre as dificuldades enfrentadas pelos produtores para obtenção do CAR.

“O colapso gerado pela ausência do CAR está provocando êxodo rural e concentração de terras nas mãos de poucos”, alertou Diego Guimarães na tribuna. A iniciativa do parlamentar foi motivada por dados alarmantes discutidos na reunião desta semana da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

O levantamento revelou uma disparidade regional profunda: enquanto municípios com forte base no agro empresarial lideram os índices de aprovação, as cidades onde predomina a agricultura familiar e os assentamentos rurais estão praticamente paralisadas pelo sistema ineficiente da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

Leia mais:  Assembleia promove reunião para debater situação de servidores endividados

“O que chama atenção é que justamente os municípios que ainda possuem forte presença da agricultura familiar e áreas oriundas de assentamentos rurais são os que apresentam menor índice de aprovação do CAR”, pontou o deputado Diego Guimarães, em pronunciamento em plenário.

O deputado fez questão de fazer um alerta quanto ao êxodo rural provocado pela dificuldade de acessar créditos. “Sem o CAR, o produtor não consegue produzir adequadamente, vender, negociar ou acessar financiamento em instituições financeiras. Ou seja, a dificuldade na aprovação do CAR tem se tornado um obstáculo à permanência do pequeno produtor rural no campo”.

O reflexo da gravidade do tema repercutiu de imediato no plenário. Ainda na sessão de hoje, os deputados aprovaram a convocação da secretária da Sema-MT, Mauren Lazzaretti, que deverá comparecer ao Parlamento para prestar esclarecimentos detalhados sobre os gargalos e as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais para obter o cadastro.

O Raio-X por Município – Em seu pronunciamento, o Deputado Diego Guimarães jogou luz sobre o mapa da lentidão no estado, apontando as cidades afetadas pela instabilidade da plataforma e citando, por outro lado, as que conseguiram avançar:

• Municípios com menor aprovação do CAR: Terra Nova do Norte, Figueirópolis D’Oeste, Novo Mundo, Planalto da Serra, Guarantã do Norte, Matupá, Conquista D’Oeste, Nova Guarita, Nova Brasilândia, Peixoto de Azevedo, Rio Branco, Salto do Céu, Jauru e Juína.

Leia mais:  Wilson Santos assegura R$ 2 milhões para fortalecer a saúde em Cuiabá

• Municípios com maior aprovação do CAR: Campos de Júlio, Campo Novo do Parecis, Santa Rita do Trivelato, Primavera do Leste, Sinop, Alta Floresta, Querência, Feliz Natal, Sapezal, União do Sul, Ipiranga do Norte, Gaúcha do Norte, Santa Cruz do Xingu e Canarana.

Como saída para o impasse, a indicação protocolada pelo parlamentar propõe a aplicação de mecanismos previstos no próprio Código Florestal para acelerar os processos. A estratégia inclui a priorização das análises nos municípios com menor cobertura e a flexibilização de requisitos legais específicos para as pequenas propriedades rurais.

“Solicitamos providências técnicas e até incentivo financeiro para regularização ambiental dos pequenos proprietários rurais, visando facilitar a obtenção do CAR, inclusive com eventual flexibilização de requisitos legais quando possível e priorização das análises nos municípios com baixa cobertura. Isso, inclusive, é autorizado pelo próprio Código Florestal”, afirmou o deputado.

Fonte: ALMT – MT

Comentários Facebook
publicidade

Política MT

CST debate desembargos ambientais à agricultura familiar em Mato Grosso

Publicado

A Câmara Setorial Temática (CST) do Desembargo Ambiental da Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou, nesta quinta-feira (16), uma reunião com a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, para discutir os procedimentos relacionados aos desembargos ambientais e ao licenciamento ambiental simplificado.

O debate teve como foco a implementação da Lei Complementar nº 830/2025 e da Lei nº 13.349/2026, que estabelecem regras para a regularização ambiental e o licenciamento simplificado destinados a agricultores familiares e pequenos produtores rurais. Também foram discutidos os desafios enfrentados pelo Estado na execução do Código Florestal e na consolidação de um modelo que concilie proteção ambiental, segurança jurídica e inclusão produtiva.

A Lei Complementar nº 830/2025 estabelece tratamento diferenciado, simplificado e proporcional para infrações ambientais cometidas por agricultores familiares e proprietários de imóveis rurais com até quatro módulos fiscais que desenvolvam atividades agrossilvipastoris. A norma busca conciliar a regularização ambiental com a permanência da produção no campo.

Já a Lei nº 13.349/2026 instituiu o regime de Licenciamento Ambiental Simplificado para atividades agropecuárias desenvolvidas por agricultores familiares e pequenos produtores rurais. A medida é destinada às propriedades que atendam aos critérios de sustentabilidade estabelecidos pelo órgão ambiental estadual, com o objetivo de tornar mais ágil o processo de licenciamento, sem abrir mão das exigências legais.

Para aderir ao novo regime, os proprietários deverão cumprir uma série de requisitos, entre eles manter o imóvel inscrito e regular no Cadastro Ambiental Rural (CAR), não possuir embargos ambientais vigentes na área da propriedade e apresentar declaração de conformidade ambiental, assumindo responsabilidade civil e administrativa por eventuais danos ambientais causados.

A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, afirmou que os desafios enfrentados por Mato Grosso na regularização ambiental e nos desembargos refletem um problema nacional relacionado à implementação do Código Florestal. Segundo ela, o tema tem sido debatido em nível federal, em reuniões realizadas em Brasília com representantes do Ministério da Gestão e da Inovação, do Serviço Florestal Brasileiro e dos estados da Amazônia Legal e de Mato Grosso do Sul, em busca de soluções para aperfeiçoar a execução da legislação ambiental.

Leia mais:  Governo lança Programa 'MT Produtivo' e destaca parceria com a ALMT nos avanços do equilíbrio fiscal

A gestora apresentou dados do Painel de Regularização Ambiental, que apontam mais de 8,3 milhões de imóveis inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) em todo o país, mas com menos de 10% das análises concluídas. Em relação à área cadastrada, apenas 7,25% tiveram a análise finalizada.

Para a secretária, os números demonstram a complexidade da implementação do Código Florestal e as dificuldades enfrentadas pelos órgãos ambientais diante de lacunas na legislação, da pressão da sociedade e de orientações divergentes dos órgãos de controle, o que exige equilíbrio para cumprir a lei sem comprometer a segurança jurídica e a efetividade da política ambiental.

Mauren Lazzaretti afirmou que Mato Grosso construiu um modelo próprio para conciliar a proteção ambiental com a realidade dos pequenos produtores rurais, transformando o desembargo ambiental em uma oportunidade de regularização. Segundo ela, o objetivo é promover a inclusão produtiva sem abrir mão dos compromissos com o desenvolvimento sustentável, destacando que as medidas adotadas pelo Estado não representam anistia nem retrocesso na legislação ambiental.

A secretária também defendeu que as iniciativas previstas na Lei Complementar nº 830/2025 sejam adotadas de forma mais homogênea pelos demais entes federativos. De acordo com ela, a falta de uniformidade na aplicação das normas pode levar ao questionamento, em âmbito nacional, de atos administrativos praticados por Mato Grosso, como embargos, desembargos e licenças ambientais. Por isso, pediu o apoio da Assembleia Legislativa para fortalecer a defesa do modelo adotado pelo Estado.

Ela afirmou ainda que Mato Grosso se consolidou como referência nacional na regularização ambiental de imóveis rurais, independentemente do tamanho das propriedades. Segundo ela, levantamentos do Climate Policy Initiative (CPI), organização que acompanha, desde a implementação do Código Florestal, o desempenho dos estados na análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA), colocam Mato Grosso entre os estados mais inovadores e com avanços contínuos tanto na validação dos cadastros quanto na regularização ambiental.

Leia mais:  Wilson Santos propõe audiência pública para tratar dos impactos causados pela Usina Hidrelétrica Colíder

Lazzaretti destacou que os maiores avanços na validação dos cadastros ocorreram em Mato Grosso, São Paulo e, mais recentemente, no Paraná, resultado da adoção da análise automatizada dos processos. Ela ressaltou que, diferentemente dos estados das regiões Sul e Sudeste, Mato Grosso enfrenta desafios muito maiores em razão da dimensão territorial e da complexidade ambiental, o que torna os resultados ainda mais expressivos.

A secretária também enfatizou que o trabalho desenvolvido pelo Estado recebeu reconhecimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que acompanha, por meio da ADPF 743 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), a implementação do Código Florestal nos estados da Amazônia e do Pantanal. Segundo ela, decisões do ministro André Mendonça destacam os avanços de Mato Grosso no cenário nacional da regularização ambiental.

Entre os encaminhamentos definidos durante a reunião está a parceria entre a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) para atuar, por meio da Câmara Setorial Temática (CST) do Desembargo Ambiental, na criação de uma mesa técnica destinada à discussão de soluções relacionadas aos desembargos ambientais.

A iniciativa tem como objetivo construir propostas e aperfeiçoar a legislação, buscando garantir maior segurança jurídica e mecanismos que favoreçam a regularização ambiental e beneficiem os proprietários rurais.

Fonte: ALMT – MT

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana