Mato Grosso

Dilmar Dal Bosco endurece o discurso e afirma que decreto de Lula sobre terras em MT atropela agricultores e ignora municípios inteiros

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A homologação de três terras indígenas em Mato Grosso, assinada pelo presidente Lula nesta semana, mudou de forma brusca o desenho da ocupação de terra em várias regiões do estado. Os decretos que tratam das terras Manoki, Uirapuru e Estação Parecis atingem diretamente municípios como Brasnorte, Campos de Júlio, Nova Lacerda, Conquista D’Oeste e Diamantino. Nessas cidades, fazendas consolidadas há muitos anos passaram a conviver com um cenário de incerteza sobre o futuro. Em vez de diminuir o conflito, a decisão do governo federal aumentou a preocupação de produtores, prefeituras e famílias que vivem do agro.

Os decretos não apenas confirmam áreas que já eram discutidas, eles ampliam principalmente a Terra Indígena Manoki, que já tinha um reconhecimento anterior. O novo desenho aprovado em Brasília usa como referência fazendas, estradas e rios, e leva a área para mais de 250 mil hectares. No papel, está descrito como ajuste de limite. Na prática, atinge diretamente produtores que têm escritura, registro no CAR, financiamentos, maquinário comprado a longo prazo e uma vida inteira de trabalho em áreas que agora passam a ser enquadradas como terra indígena.

Diante desse cenário, o deputado estadual Dilmar Dal Bosco (UB), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária de Mato Grosso e líder do governo na Assembleia Legislativa, adotou posição firme. Ele questiona a forma como o governo federal conduziu o processo e alerta para o efeito dominó que pode recair sobre os municípios atingidos. “Não sou contra o direito indígena nem contra demarcação feita com critério, o que eu não posso aceitar é uma decisão tomada em Brasília, sem ouvir quem está na ponta, sem conversar com os prefeitos, Câmaras Municipais, produtores e lideranças que vivem nessas regiões, lembrando que somos um estado que ajuda o PIB brasileiro em quase 30%, quer dizer, nós fomentamos o alimento do mundo,  do Brasil inteiro e, infelizmente, temos que aceitar uma atitude do presidente, sem sequer ouvir os envolvidos”, desabafou Dal Bosco.

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Para o deputado, o ponto central é a quebra da segurança jurídica em um estado que já tem grande parte de seu território preservado e com extensas áreas destinadas a unidades de conservação e terras indígenas. Ele lembra que muitos dos atuais proprietários chegaram à região por incentivos do próprio poder público, programas de ocupação e políticas de fomento à produção. “Não é justo chamar de invasor quem comprou terra de boa fé, seguiu orientação do Estado, registrou propriedade, investiu em infraestrutura, criou emprego e ajudou a construir a economia local”, reforça. Na avaliação de Dilmar, decisões dessa magnitude não podem ignorar a Lei 14.701, que trata do marco temporal, nem o impacto social sobre famílias inteiras. “Nós já nos movimentamos, junto do governador Mauro Mendes, do Secretário Fábio Garcia, da Assembleia Legislativa, e vamos acelerar também a Frente Parlamentar da Agropecuária, em Brasília,  para fazer um Decreto Legislativo,  sustando o efeito desta barbaridade,  que não respeita a Constituição nem as leis brasileiras.  Vamos nos movimentar contra a atitude do governo federal”, disse.

Ao mesmo tempo, o parlamentar faz questão de frisar que não se trata de um confronto entre indígenas e produtores rurais. Segundo ele, esse tipo de narrativa apenas alimenta divisão e desinformação. “Eu respeito profundamente as comunidades indígenas, sua história e seu direito à terra, mas Mato Grosso tem um patrimônio cultural e ambiental enorme dentro das terras indígenas, e isso precisa ser protegido. O que estou cobrando é equilíbrio. É possível proteger os povos originários e, ao mesmo tempo, garantir segurança para quem produz alimento, paga imposto e sustenta o comércio e os serviços nos municípios”, disse Dilmar.

Como saída, Dilmar defende uma mesa de negociação ampla, com presença da União, governo do estado, prefeituras, produtores, comunidades indígenas e Ministério Público. A proposta é revisar, caso a caso, as áreas de conflito, garantindo transparência e participação efetiva de quem será diretamente afetado. “Onde houver ocupação de boa-fé, tem que haver diálogo, entender as partes. Onde for necessário reassentar famílias, que isso seja feito com planejamento, infraestrutura e condições reais de recomeço. E, onde houver dúvida sobre perímetro, que se façam novas perícias, com técnicos indicados por todas as partes”, sugere Dal Bosco.

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A preocupação dele vai além do impacto direto nas áreas demarcadas. Há receio de que a forma como esses decretos foram publicados funcione como sinal negativo para novos investimentos em Mato Grosso. Produtores, cooperativas, transportadores e indústrias ligadas ao agro observam com atenção o desenrolar desse processo. “Quem pensa em construir armazém, ampliar lavoura, abrir indústria de processamento ou investir em logística precisa de previsibilidade. Se a regra muda no meio do jogo, se o produtor deixa de confiar no próprio Estado, todo o país perde”, avalia Dilmar.

Enquanto o tema avança no campo jurídico e político, Dilmar prometeu manter agenda constante nos municípios atingidos, ouvindo produtores, prefeitos, vereadores e lideranças. Parlamentar comentou que a intenção é construir um relatório detalhado sobre os impactos dos decretos e levá-lo às instâncias federais, inclusive ao Congresso Nacional. “Vou seguir defendendo o agro com firmeza, mas sempre com respeito às comunidades indígenas, a solução não virá de decisões unilaterais, e sim da coragem de sentar, olhar nos olhos e construir uma saída que respeite a lei, a história de quem produziu e o direito de todos viverem com dignidade nessas terras”, finalizou Dal Bosco.

Por: Juninho Poyer – Assessoria de Gabinete

Fonte: Polítia MT

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Mato Grosso

Prefeita de Pedra Preta denuncia vereador por violência política de gênero e pede cassação de mandato

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Representação apresentada por Iraci Ferreira de Souza acusa parlamentar de ataques pessoais, quebra de decoro e uso do mandato para desqualificar a gestora

A prefeita de Pedra Preta, Iraci Ferreira de Souza, apresentou uma representação disciplinar contra o vereador Carlos Fernando Pereira de Oliveira, o “Fernando do Galvileiro”, sob acusação de violência política de gênero e quebra de decoro parlamentar.

A denúncia foi encaminhada à Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal e, posteriormente, remetida à Presidência do Legislativo para análise e adoção das providências cabíveis. No documento de encaminhamento, a própria Procuradoria ressalta que não possui natureza investigativa ou poder para aplicar sanções, cabendo aos órgãos competentes da Câmara analisar o caso.

Segundo a representação, os episódios teriam ocorrido durante fiscalizações e manifestações públicas realizadas pelo vereador nos meses de junho, julho e agosto de 2026. A prefeita sustenta que as críticas ultrapassaram o debate administrativo e passaram a conter ataques pessoais e expressões consideradas ofensivas.

Entre os episódios citados está uma fiscalização realizada no Distrito Industrial, em junho, quando o parlamentar fez críticas à administração municipal. Outro fato apontado ocorreu às margens da Rodovia 459, em julho. A representação também relata um episódio ocorrido em 11 de agosto, na Farmácia Municipal, quando o vereador realizou uma transmissão ao vivo e questionou a falta de medicamentos. A defesa da prefeita afirma que, durante essas manifestações, foram utilizadas expressões como “incompetente”, “omissa” e “mentirosa”.

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Na representação, Iraci argumenta que não pretende impedir a fiscalização do Legislativo ou críticas à administração, mas sustenta que houve uma sequência de manifestações direcionadas à sua pessoa e à sua condição de mulher ocupante do cargo de chefe do Executivo.

O documento fundamenta a denúncia na legislação que trata da violência política contra a mulher e também defende que a imunidade parlamentar não serviria para proteger eventuais ofensas pessoais sem relação direta com o exercício legítimo do mandato.

Ao final, a prefeita solicita o recebimento da representação, a análise preliminar dos fatos e o encaminhamento do caso à Mesa Diretora e à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Pedra Preta. Entre as medidas requeridas está a abertura de processo disciplinar que poderá, caso as acusações sejam comprovadas e observados o contraditório e a ampla defesa, resultar inclusive na cassação do mandato do vereador.

Iraci também pede o envio de cópia dos autos ao Ministério Público de Mato Grosso, para análise de eventuais ilícitos funcionais e crimes contra a honra. A representação foi protocolada na Câmara Municipal de Pedra Preta no dia 20 de agosto de 2026.

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Até esta etapa, trata-se de uma representação com acusações formuladas pela prefeita, e não de uma decisão definitiva contra o parlamentar. Caberá aos órgãos competentes da Câmara avaliar o prosseguimento do caso e assegurar ao vereador o direito de defesa.

Veja a Representação

Fonte: Política

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