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Discurso da ministra Marina Silva na abertura da plenária “Implementando o Balanço Global: Clima e Natureza” na Pré-COP30

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Boa tarde a todos e todas.

Primeiramente, saúdo os ministros e vice-ministros, embaixadores, colegas e parceiros aqui presentes,

É uma honra participar desta discussão sobre como ampliar o financiamento para a natureza para atingirmos nossos compromissos climáticos.

Em 2023, na COP28, em Dubai, alcançaram-se alguns consensos importantes. 

Graças ao Primeiro Balanço Global, constatou-se a insuficiência de cumprimento das metas de redução de CO2. Pela primeira vez os países foram convocados a fazerem uma transição justa e planejada para longe dos combustíveis fósseis e do desmatamento.

Para isso, é essencial fortalecer os meios de implementação — mobilizando recursos financeiros, fortalecendo os incentivos positivos e criando instrumentos inovadores.

Durante décadas, extraímos da natureza os recursos que moveram o desenvolvimento econômico. 

Agora, é hora de inverter essa lógica: redirecionar recursos humanos, financeiros e tecnológicos para preservar, restaurar e usar, de forma sustentável, os recursos naturais que ainda temos.

Precisamos mudar antes de sermos mudados pela emergência climática, pela perda da diversidade biológica terrestre e marinha, pelo aumento da desertificação e da seca. 

Senhoras e senhores,

Sem as florestas, o equilíbrio climático global não se sustenta. Elas regulam o clima, armazenam carbono, abrigam biodiversidade e garantem segurança alimentar e hídrica para bilhões de pessoas.

Ainda assim, os recursos destinados à sua proteção estão muito aquém do necessário.

Estima-se a necessidade de 282 bilhões de dólares por ano, mas hoje contamos com apenas um quarto desse valor.

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Para preencher essa lacuna, precisamos mobilizar um menu de ações concretas de financiamento para a natureza.

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) é uma dessas iniciativas. Liderado por 12 países — entre eles o Brasil — poderá beneficiar mais de 70 nações tropicais.

Não se trata de doação, mas de investimento. O TFFF busca garantir fluxos financeiros perenes para proteger a natureza e remunerar os serviços ecossistêmicos, valorizando o papel dos povos indígenas e comunidades tradicionais. Quando estiver em operação, poderá gerar cerca de 4 bilhões de dólares por ano, quase três vezes o volume atual de financiamento internacional para florestas. 

Outro mecanismo a ser fortalecido é o REDD+, por meio de iniciativas como o Fundo Amazônia, e de parcerias com entes subnacionais. 

Juntos, TFFF e REDD+ poderão gerar cerca de 9 bilhões de dólares anuais, cobrindo quase 60% do financiamento necessário para zerar o desmatamento até 2030. Trata-se de essencial contribuição para implementar o GST.

Precisamos investir também na bioeconomia — na conservação e uso sustentável das florestas em pé.
Os 10 Princípios da Bioeconomia do G20, aprovados sob a Presidência brasileira, dão os contornos dessa nova economia que precisamos construir: regenerativa, inclusiva e sustentável.

Cada país, com suas particularidades e circunstâncias nacionais, poderá trilhar seu caminho, mas todos precisão implementar: com base na cooperação internacional, na solidariedade, na ciência e na ética.

Outra parte fundamental da equação é o oceano. Não podemos esquecer que ele absorve grande parte do CO global, regula o clima e provê os meios de vida de bilhões de pessoas em todo o mundo. 

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Os recursos destinados à conservação oceânica somam apenas 1,2 bilhão de dólares por ano, quando seriam necessários cerca de 16 bilhões. É preciso corrigir esse desequilíbrio.

A proteção do oceano é parte inseparável da agenda climática e, portanto, as NDCs precisam ser também “azuis”. Fazemos um chamado para que todos entreguem suas NDCs, alinhadas ao 1,5.

Senhoras e senhores,

É hora de transformar compromissos em ação; planejar e financiar a transição para a restauração e para o fim do desmatamento; e fortalecer as ações de conservação do oceano.

Esse processo precisa ser justo e inclusivo, para pessoas, países e regiões, sobretudo as mais vulnerabilizadas.

Por isso é que precisamos de um verdadeiro mutirão pela natureza: mutirão pela floresta e pelo oceano, mutirão por soluções baseadas na natureza, mutirão por um novo ciclo de prosperidade que promova a justiça, proteja a nossa casa comum e, ao mesmo tempo, combata as desigualdades e a pobreza.

Esse mutirão é o que pode transformar ideias em impacto, visão em ação, decisões tomadas em saídas efetivamente implementadas.

Muito obrigada.

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
[email protected]
(61) 2028-1227/1051
Acesse o Flickr do MMA 

Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Arroz brasileiro perde espaço na União Europeia e setor cobra incentivos para ampliar exportações

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A perda do acesso à cota anual de preferência tarifária para exportação de arroz ao mercado europeu acendeu um alerta no setor orizícola brasileiro. Após o esgotamento do limite de 6.667 toneladas previsto no acordo entre Mercosul e União Europeia, utilizado por Argentina e Uruguai, o Brasil ficou sem espaço para comercializar o cereal dentro das condições preferenciais oferecidas pelo bloco europeu.

Para o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), a situação representa um entrave à expansão das exportações brasileiras, especialmente para mercados que valorizam produtos de maior qualidade e agregam melhor remuneração ao produtor e à indústria.

Segundo a entidade, além de reduzir a competitividade do arroz catarinense, a limitação também restringe a diversificação dos destinos de exportação em um momento em que o setor busca alternativas para enfrentar os impactos da crise econômica que afeta a cadeia produtiva desde a safra de 2024.

Setor defende novos mercados para ampliar vendas externas

Diante do cenário, o SindArroz-SC reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à abertura de novos mercados internacionais e à criação de programas de incentivo às exportações.

A entidade destaca que o arroz brasileiro possui elevado padrão de qualidade, respaldado pelos sistemas de certificação, fiscalização e controle conduzidos por órgãos como o Ministério da Agricultura e Pecuária e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

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De acordo com o presidente do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, o fortalecimento das exportações é fundamental para reduzir os estoques acumulados e contribuir para a recuperação dos preços no mercado interno.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que o Brasil exportou cerca de 79 mil toneladas de arroz em abril de 2026. No entanto, para equilibrar a oferta doméstica e reduzir o excedente disponível, o volume necessário seria significativamente maior.

“Mesmo diante de uma produção mundial elevada, existe espaço para o arroz brasileiro devido à sua qualidade e aos rigorosos processos de inspeção adotados pelo país”, afirma Rampinelli.

Concorrência do Paraguai preocupa indústria brasileira

Entre os principais desafios apontados pelo setor está a crescente competitividade do Paraguai no mercado internacional de arroz.

Segundo o SindArroz-SC, o cenário mudou significativamente desde a assinatura do Tratado de Assunção, em 1991, que estabeleceu as bases do Mercosul. Na avaliação da entidade, o acordo precisa ser revisitado, uma vez que o Paraguai se consolidou como importante produtor e exportador de arroz nas últimas décadas.

A combinação de menor carga tributária, custos de produção reduzidos e maior competitividade permite que o produto paraguaio seja ofertado a preços mais baixos, aumentando a concorrência com o arroz brasileiro em diversos mercados compradores.

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Câmbio e custos logísticos pressionam competitividade

Outro fator que desafia o setor é a volatilidade cambial. Enquanto as operações internas são realizadas em reais, as negociações internacionais ocorrem em dólar, tornando as exportações mais sensíveis às oscilações do mercado financeiro.

Além disso, custos logísticos elevados e despesas portuárias continuam sendo obstáculos para ampliar a presença do arroz brasileiro no comércio internacional.

Para o SindArroz-SC, a adoção de programas federais voltados ao incentivo das exportações poderia contribuir para aumentar a competitividade do produto nacional, ampliar o acesso a novos mercados e melhorar a distribuição das cotas em acordos comerciais.

Exportações são vistas como caminho para recuperação do setor

A entidade defende que medidas estruturais, como a abertura de mercados, a simplificação dos processos de exportação, a redução de custos operacionais e a ampliação dos acordos comerciais, são essenciais para garantir maior escoamento da produção brasileira.

Na avaliação do setor, o fortalecimento das exportações será decisivo para reduzir os excedentes acumulados, melhorar a remuneração dos agentes da cadeia produtiva e contribuir para a recuperação da rentabilidade da orizicultura nacional nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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