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Discurso do ministro João Paulo Capobianco na Sessão 1: “Preparando a cena para a COP31” do Diálogo Climático de Petersberg 2026

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Excelências, distintos colegas,

Gostaria de tomar emprestadas as palavras do meu querido amigo André, que presidiu com tanto êxito a nossa COP30.

As deliberações no âmbito da UNFCCC dependem de consenso. Mas a implementação depende de nossos esforços individuais – e da nossa capacidade de cooperar.

O presidente Lula insistiu que, na COP30, deveríamos nos comprometer a lançar processos para desenvolver mapas do caminho claros: um para a transição para longe dos combustíveis fósseis e outro para o fim do desmatamento.

Infelizmente, não conseguimos chegar a um acordo sobre esses pontos em Belém. Mas o presidente André Corrêa do Lago e sua equipe iniciaram as discussões que nos permitirão avançar nesses dois roteiros essenciais.

Ainda assim, como acreditamos que a implementação está ao nosso alcance, o Brasil, em conjunto com países parceiros, propôs a criação do Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF): um mecanismo inovador que não se baseia em doações, mas em investimentos. Ele pode gerar um fluxo permanente e de longo prazo de financiamento para conservar florestas tropicais em mais de sessenta países.

Hoje, 66 países, além da União Europeia, apoiam essa iniciativa. Já temos US$6,7 bilhões comprometidos e, nas últimas semanas, avançamos na estrutura de governança com o Banco Mundial para tornar o TFFF operacional. O que precisamos agora é alcançar US$10 bilhões para destravar o investimento privado e ativar plenamente o fundo.

E por que este é um exemplo concreto de que cumprir a meta de 1,5ºC está ao nosso alcance?

Permitam-me ilustrar com a experiência do Brasil. Nos últimos três anos, reduzimos o desmatamento na Amazônia em 50%. Combinado com reduções em outros biomas, como o Cerrado e a Mata Atlântica, isso evitou aproximadamente 800 milhões de toneladas de emissões de CO₂ equivalente.

Este fato demonstra a escala de impacto que o TFFF pode gerar para a meta de 1,5ºC.

Ao mesmo tempo, reconhecemos a importância de acelerar a transição em todos os setores, incluindo transporte e indústria.

Nesse sentido, os biocombustíveis são uma parte importante de nossa estratégia.

O Brasil tem décadas de experiência com etanol e outros biocombustíveis, que hoje desempenham um papel significativo na redução de emissões no setor de transportes. Embora os biocombustíveis ainda enfrentem resistência e questionamentos legítimos em partes do debate internacional, acreditamos que devem ser considerados como parte de um portfólio mais amplo de soluções, particularmente em setores em que a eletrificação permanece difícil no curto prazo.

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Avançar em critérios de sustentabilidade, garantir a integridade ambiental e promover a transparência serão essenciais para construir maior confiança nessas soluções.

É por isso que o presidente Lula recentemente levou um exemplo concreto ao cenário internacional. Na Feira de Hannover, o Brasil apresentou um caminhão fabricado no país pela Mercedes-Benz, movido 100% a biocombustível.

A mensagem foi simples, mas importante: as soluções já existem. O desafio diante de nós é ampliá-las, assegurar sua sustentabilidade e integrá-las a estratégias de transição mais amplas.

Muito obrigado.

***

Speech by Minister João Paulo Capobianco at Session 1: “Setting the scene for COP31” of the Petersberg Climate Dialogue 2026

Excellencies, distinguished colleagues,

I would like to borrow the words of my dear friend André, who so successfully presided over our COP30.

Deliberations under the UNFCCC depend on consensus. But implementation depends on our individual efforts—and on our ability to cooperate.

President Lula insisted that, at COP30, we should commit to launching processes to develop clear roadmaps: one for transitioning away from fossil fuels, and another for ending deforestation.

Unfortunately, we were not able to reach agreement on these in Belém. But President André Corrêa do Lago and his team initiated the discussions that will allow us to move forward on these two essential roadmaps.

Still, because we believe implementation is within reach, Brazil – together with partner countries – proposed the creation of the Tropical Forest Forever Facility (TFFF): an innovative mechanism that relies not on donations, but on investments. It can generate a permanent, long-term flow of finance to conserve tropical forests across more than sixty countries.

Today, 66 countries plus the European Union support this initiative. We already have 6.7 billion dollars committed, and in recent weeks we have advanced the governance structure with the World Bank to make the TFFF operational. What we need now is to reach 10 billion dollars to unlock private investment and fully activate the fund.

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And why is this a concrete example that delivering on the 1.5ºC goal is within our reach?

Allow me to illustrate with Brazil’s experience. Over the past three years, we have reduced deforestation in the Amazon by 50%. Combined with reductions in other biomes—such as the Cerrado and the Atlantic Forest—this has avoided approximately 800 million tons of CO₂ equivalent emissions.

This demonstrates the scale of impact that the TFFF can deliver for the 1.5ºC mission.

At the same time, we recognize the importance of accelerating the transition in all sectors, including transport and industry.

In this regard, biofuels are an important part of our strategy.

Brazil has decades of experience with ethanol and other biofuels, which today play a significant role in reducing emissions in the transport sector. While biofuels still face resistance and legitimate questions in parts of the international debate, we believe they should be considered as part of a broader portfolio of solutions — particularly in sectors where electrification remains difficult in the short term.

Advancing sustainability criteria, ensuring environmental integrity, and promoting transparency will be essential to building greater trust in these solutions.

This is why President Lula recently brought a concrete example to the international stage. At the Hannover Fair, Brazil presented a truck manufactured in the country by Mercedes-Benz, powered 100 percent by biofuel.

The message was simple, but important: solutions already exist today. The challenge before us is to scale them, to ensure their sustainability, and to integrate them into broader transition strategies.

Thank you very much.

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores

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A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.

A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.

Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.

No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.

A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.

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Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.

Isan Rezende, presidente do IA

A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.

Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.

“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.

Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.

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“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.

Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.

“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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