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Dólar avança diante do real em meio à retomada do julgamento de Bolsonaro no STF

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O dólar começou esta terça-feira (9) em leve valorização frente ao real, acompanhando as atenções dos investidores sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de tentativa de golpe de Estado. Às 9h23, a moeda norte-americana subia 0,26%, cotada a R$ 5,4320 na venda.

Na B3, o contrato de dólar futuro com vencimento mais próximo avançava 0,11%, a R$ 5,4575.

Expectativa em torno do julgamento de Bolsonaro

O julgamento foi retomado nesta manhã com o voto do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo. A previsão é que o desfecho ocorra até sexta-feira (13).

Mais do que a decisão em si, o mercado demonstra preocupação com possíveis desdobramentos no cenário internacional. Recentemente, os Estados Unidos adotaram uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, após o presidente norte-americano Donald Trump citar o julgamento de Bolsonaro como um dos motivos para a medida.

Na segunda-feira (8), investidores já atuavam com cautela, evitando movimentos mais expressivos nos mercados de câmbio e juros futuros.

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Cenário internacional: juros e dólar no radar

No exterior, os investidores seguem atentos aos sinais do Federal Reserve (Fed). Após a divulgação de dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos na semana passada, o mercado já aposta integralmente no início do ciclo de cortes de juros pelo banco central norte-americano, previsto para a próxima semana.

Mesmo assim, os rendimentos dos Treasuries registravam alta nesta manhã, enquanto o dólar apresentava desempenho misto: queda frente ao iene, alta contra o euro e recuo ante a libra. O índice do dólar — que compara a moeda com uma cesta de seis divisas fortes — subia 0,13%, a 97,520 pontos.

Análise técnica aponta resistência para o dólar

No fechamento de segunda-feira, o dólar à vista havia registrado alta discreta de 0,07%, encerrando a R$ 5,4179.

De acordo com relatório da Wagner Investimentos, assinado por José Faria Júnior, a região de R$ 5,40 tem se mostrado um nível de resistência. O analista aponta possibilidade de queda até R$ 5,30, mas alerta para resistências mais fortes nas faixas de R$ 5,54 e R$ 5,62.

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Atuação do Banco Central

Para conter oscilações, o Banco Central agendou para as 11h30 desta terça-feira um leilão de até 40 mil contratos de swap cambial tradicional, com o objetivo de rolagem dos vencimentos programados para 1º de outubro de 2025.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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