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ECA Digital reúne especialistas em SP e consolida o País na vanguarda da proteção de crianças e adolescentes

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São Paulo, 27/4/26 – O seminário ECA Digital e Democracia Intergeracional reuniu, nesta segunda-feira (27), pesquisadores, profissionais do Direito, reguladores e representantes da sociedade civil e do poder público, em São Paulo. O evento foi organizado pelo Data Privacy Brasil, Instituto Alana, ESPM e Cedis-IDP para discutir os fundamentos normativos, os desafios regulatórios e o papel das instituições na implementação da Lei 15.211 — o ECA Digital, marco legal que consolida a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

A proposta é consolidar um espaço qualificado de debate sobre o ECA Digital e seus impactos na democracia intergeracional no País. O encontro reúne especialistas para discutir desafios regulatórios e institucionais da proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais.

No contexto da governança digital, os painéis promoveram o diálogo entre o novo marco regulatório e o sistema jurídico brasileiro de proteção de direitos, como o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O secretário nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Victor Oliveira Fernandes, afirmou que a efetividade da lei depende da atuação conjunta de diferentes setores. “A implementação exige uma rede ampla de atores comprometidos, com papel relevante da sociedade civil, da Autoridade Nacional de Proteção de Dados e do governo. Precisamos somar esforços”, disse.

Ele também reforçou a importância do debate para a construção de estratégias de conformidade. “Diálogo e escuta ativa são essenciais para definir frentes de atuação que garantam a aplicação da lei”, completou.

Brasil na vanguarda global

Estudo recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que, no fim de 2023, apenas um país discutia restrições de idade em redes sociais. Em 2025, esse número chegou a 25.

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O País está entre os pioneiros, com a Lei 15.211 em vigor e previsão de mecanismos como aferição de idade e vinculação de contas de crianças e adolescentes a responsáveis.

A construção do ECA Digital começou em 2021, com debates sobre publicidade direcionada, influenciadores mirins e loot boxes. Após três anos de discussão multissetorial, o texto foi aprovado e sancionado, tornando-se referência nas Américas e um dos marcos mais avançados na proteção digital de crianças e adolescentes.

Aplicação da lei

A aplicação da lei foi um dos pontos centrais do debate, com participação do Ministério Público de São Paulo, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, do Ministério Público Federal e do Instituto Alana. Os participantes ressaltaram que transformar a lei em prática exige coordenação institucional, divisão de responsabilidades e priorização de casos.

O Ministério Público Federal informou ter instaurado procedimento para acompanhar as quatro principais plataformas usadas por crianças e adolescentes no País — TikTok, YouTube, Instagram e WhatsApp — e avaliar as medidas de adequação ao ECA Digital. A iniciativa busca garantir transparência e subsidiar a regulamentação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Um exemplo citado evidenciou a gravidade das violações: grupos no Facebook dedicados a práticas irregulares envolvendo o Cadastro Nacional de Adoção chegaram a somar cerca de 70 grupos, com aproximadamente mil integrantes cada. O caso demonstra a urgência de mecanismos ágeis de remoção de conteúdo e de articulação entre instituições.

Da legislação ao território

A conselheira tutelar da Vila Mariana, Rebeca Domingues, destacou que São Paulo conta com 52 Conselhos Tutelares e 260 conselheiros, todos com papel essencial na rede de proteção. Segundo ela, em 2025, a capital registrou o maior índice de situações de impacto psicossocial envolvendo adolescentes, associado a violências digitais.

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O desconhecimento da lei também foi apontado como desafio. Em uma palestra recente em escola pública de Brasília, com cerca de 70 famílias e 20 professores, apenas sete pessoas disseram conhecer a Lei 15.211. O dado reforça a necessidade de ampliar ações de educação digital, especialmente entre famílias mais vulneráveis.
Para a diretora da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Marina Pita, o ECA Digital deve seguir o caminho do Código de Defesa do Consumidor. “Tem que estar impresso, integrado à vida das pessoas. Onde houver uma criança e um dispositivo, deve haver o ECA Digital”, afirmou.
A proibição da publicidade direcionada a crianças, prevista na Resolução 163 do Conanda, foi citada como exemplo de norma que ainda exige esforços contínuos de aplicação, reforçando que a aprovação da lei é ponto de partida, não de chegada.

Próximos passos

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados informou que deve publicar ainda nesta semana consulta pública sobre guia para fornecedores de tecnologia da informação, que delimita o alcance do ECA Digital e define deveres de prevenção, proteção, informação e segurança.

Em até 40 dias, será aberta nova consulta sobre mecanismos de aferição de idade, com requisitos técnicos e parâmetros mais claros sobre conteúdos proibidos ou inadequados.

O evento reforçou que o País tem a oportunidade de avançar na construção de um ambiente digital mais seguro, com responsabilidade compartilhada entre governo, sociedade civil, setor privado e sistema de justiça.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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Operação Donos da Noite: ação integrada combate exploração sexual e resgata 22 mulheres em condições análogas à escravidão no Nordeste

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A ação integrada coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Auditoria Fiscal do Trabalho, resgatou 22 mulheres submetidas a condições análogas à escravidão em estabelecimentos onde ocorria exploração sexual nos estados da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, durante a Operação Donos da Noite. A operação foi realizada entre os dias 10 e 16 de junho e reuniu diferentes instituições no enfrentamento às violações de direitos. Participaram o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Polícia Federal (PF), o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU). 

De acordo com informações da Auditoria Fiscal do Trabalho, as ações ocorreram nos municípios de Goiana (PE), Nova Cruz (RN), Guarabira, Pedro Régis e Alagoa Grande (PB), onde foram identificadas situações de tráfico de pessoas, servidão por dívida, jornada exaustiva e condições degradantes de trabalho. As investigações apontam que os estabelecimentos fiscalizados estavam vinculados a uma mesma organização criminosa.

Do total de vítimas resgatadas, quatro foram encontradas em Pernambuco e 18 na Paraíba, estado onde se concentrava o principal núcleo de atuação do grupo investigado. A maioria das mulheres era oriunda do Ceará e havia sido deslocada para trabalhar nos locais fiscalizados.

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Durante a operação, os auditores-fiscais do Trabalho constataram mecanismos utilizados para restringir a liberdade das trabalhadoras, incluindo o controle de dívidas e transferências compulsórias entre diferentes estabelecimentos administrados pela mesma organização. Também foram identificados relatos de violência e outras violações de direitos humanos.

A responsável apontada pela fiscalização como líder da organização foi formalmente notificada pela Auditoria Fiscal do Trabalho sobre a caracterização de trabalho em condições análogas à escravidão. O MTE determinou também a imediata interrupção das atividades, o pagamento das verbas trabalhistas devidas, o custeio do retorno das vítimas aos seus locais de origem e a adoção de medidas de proteção social.

Em Nova Cruz (RN), embora o estabelecimento estivesse fechado durante a fiscalização, foram encontrados registros de controle de dívidas, além de outros elementos que reforçam a atuação da organização criminosa no local.

Atuação integrada fortalece proteção às vítimas

A Operação Donos da Noite demonstra a importância da atuação articulada entre os órgãos públicos no enfrentamento ao tráfico de pessoas, à exploração sexual e ao trabalho escravo contemporâneo. A integração entre as instituições permitiu identificar as vítimas, reunir provas, responsabilizar os envolvidos e assegurar medidas imediatas de proteção às trabalhadoras resgatadas.

No âmbito da operação, a Auditoria Fiscal do Trabalho do MTE foi responsável pela fiscalização dos estabelecimentos, identificação das vítimas, caracterização das condições análogas à escravidão e adoção das medidas administrativas necessárias para garantir a proteção dos direitos das trabalhadoras.

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Além do resgate das trabalhadoras, a força-tarefa garantiu o acesso das vítimas à rede de proteção social e deu continuidade às investigações para aprofundar a apuração das responsabilidades trabalhistas e criminais dos envolvidos.

As investigações seguem em andamento, e novas vítimas poderão ser identificadas ao longo dos desdobramentos da operação.

Denúncias

Casos de trabalho análogo à escravidão, tráfico de pessoas e exploração sexual podem ser denunciados de forma anônima e segura por meio do Sistema Ipê, disponível em https://ipe.sit.trabalho.gov.br, ou pelo Disque 100, canal nacional de denúncias de violações de direitos humanos.

As denúncias recebidas são tratadas com sigilo e constituem importante instrumento para a identificação de vítimas e o combate às redes de exploração de trabalhadores em todo o território nacional.

O Sistema Ipê foi lançado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

 

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

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