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Epagri desenvolve primeiro cultivar de linho dourado adaptado ao clima de Santa Catarina

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Pesquisadores catarinenses criam o primeiro cultivar de linho dourado do estado

A Estação Experimental da Epagri em Campos Novos (SC) está finalizando o desenvolvimento do primeiro cultivar de linho dourado de Santa Catarina, com previsão de lançamento até dezembro de 2026. A planta, também conhecida como linhaça, é amplamente utilizada na alimentação humana e tem aplicações industriais em óleos, tintas, vernizes e rações, abrindo espaço para diversificação de renda entre produtores rurais da região.

Pesquisa inédita no estado começou há mais de uma década

O projeto é liderado pelo pesquisador Cirio Parizotto, da Epagri, que iniciou os estudos em 2012, em propriedades no município de Zortéa (SC). A iniciativa surgiu da escassez de cultivares melhoradas disponíveis no mercado nacional.

Segundo Parizotto, “existem poucos cultivares registrados e a maioria utiliza sementes de genótipos estrangeiros multiplicadas pelos próprios agricultores”. De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o Brasil conta com apenas seis cultivares de linho registrados, enquanto outras culturas de inverno, como aveia preta e cevada, têm 18 e 46 registros, respectivamente.

O último levantamento do IBGE, realizado em 2016, apontou produção de 12,9 mil toneladas de linhaça, concentradas principalmente no Rio Grande do Sul. O país ainda depende da importação para atender à demanda interna — um dos fatores que reforçam a importância da pesquisa catarinense.

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Parceria científica impulsiona desenvolvimento genético

Para ampliar a base de pesquisa, a Epagri firmou, em 2019, uma parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), campus de Curitibanos, por meio de um termo de cooperação técnica. O trabalho utilizou o método de seleção individual com teste de progênies, que permite avaliar a qualidade genética de plantas descendentes e selecionar aquelas com melhor desempenho produtivo.

Essa colaboração foi fundamental para o avanço do projeto e seguiu até 2022, garantindo um progresso significativo na adaptação genética do linho às condições de cultivo do Sul do Brasil.

Ensaios em diferentes regiões e resultados promissores

Os testes foram conduzidos em diversas unidades de pesquisa, incluindo a Estação Experimental da Epagri em Campos Novos, o Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (Cepaf/Epagri), em Chapecó, e a Sociedade Educacional Três de Maio, no Rio Grande do Sul.

Em 2022, também foi realizado um experimento de campo em Zortéa, em uma área de 90 hectares, obtendo rendimento médio de 1.200 kg por hectare, resultado considerado positivo para uma cultura ainda em desenvolvimento.

Cultivar adaptado ao clima e às condições de colheita

O novo cultivar foi desenvolvido com foco em características de adaptação ao clima do Sul do Brasil, priorizando altura adequada das plantas, menor ciclo produtivo, uniformidade de maturação e estabilidade na produção de grãos. A redução da altura é estratégica, pois facilita a colheita mecanizada, melhora o aproveitamento de nutrientes e reduz o risco de acamamento (queda das plantas antes da colheita).

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De acordo com Cirio Parizotto, a seleção de genótipos com ciclo curto e bom desempenho produtivo é essencial para viabilizar o cultivo. O pesquisador também destaca a rusticidade do linho, que apresenta baixa incidência de pragas e doenças, tornando-se uma excelente opção para a rotação de culturas de inverno, como trigo e aveia.

Perspectivas e próximos passos

Nos próximos meses, o linho proveniente dos ensaios será processado, e os dados de registro e proteção serão organizados e enviados ao MAPA pelo melhorista Dediel Rocha, da Estação Experimental da Epagri em Lages.

A expectativa é que o lançamento oficial do cultivar ocorra até o final de 2026, marcando um avanço significativo para a agricultura catarinense e abrindo caminho para novas pesquisas nas áreas de nutrição vegetal, manejo de pragas e controle de plantas invasoras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças

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Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.

As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.

O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.

Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.

A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.

Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.

Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.

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O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.

O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.

Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.

A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.

Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.

A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.

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A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.

Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.

A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.

Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.

A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.

O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.

Fonte: Pensar Agro

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