Agro News

Exportações de carne bovina do Brasil batem recorde histórico para março

Publicado

Ao longo de 22 dias úteis, o país embarcou 233,951 mil toneladas, consolidando o melhor desempenho já registrado para o período.

Volume exportado e média diária

A média diária de embarques foi de 10,634 mil toneladas, evidenciando o ritmo elevado das exportações ao longo do mês.

Na comparação anual, o resultado representa um crescimento de:

  • 8,6% em relação a março de 2025;
  • 40,7% frente a março de 2024.

Já em relação a fevereiro de 2026, houve uma leve retração de 0,8%, sem comprometer o desempenho histórico do mês.

Preço médio da carne bovina segue elevado

O preço médio por tonelada manteve-se em patamar elevado, atingindo US$ 5.814,80.

Para efeito de comparação, em março do ano anterior, o valor médio foi de US$ 4.898,60 por tonelada, o que demonstra valorização significativa do produto brasileiro no mercado internacional.

Receita com exportações cresce e reforça o setor

Em termos financeiros, os embarques de carne bovina geraram uma receita de US$ 1,36 bilhão para o Brasil no mês de março.

Leia mais:  Feagro-MT e SMEA firmam acordo para fortalecer o agronegócio brasileiro

O resultado reforça a força do setor pecuário brasileiro no comércio global, impulsionado pela demanda externa aquecida e pela competitividade da carne bovina nacional.

Perspectivas para o mercado

O desempenho recorde indica um cenário positivo para as exportações, sustentado pela demanda internacional consistente e pelos preços firmes.

A tendência é de manutenção do protagonismo do Brasil no mercado global de carne bovina, com potencial de novos avanços ao longo de 2026, dependendo das condições de oferta, câmbio e demanda externa.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Investigação expõe disputa com China e acende alerta no mercado brasileiro

Publicado

A abertura de investigação pelo governo brasileiro sobre possível dumping nas importações de proteína de soja chinesa ocorre em paralelo a um cenário mais amplo de tensão comercial envolvendo o principal produto do agronegócio nacional: a soja em grão. Embora o foco formal da apuração seja um derivado específico, o movimento expõe o grau de sensibilidade da relação comercial entre Brasil e China, destino de mais de 70% das exportações brasileiras do complexo soja.

O Brasil embarca anualmente entre 95 milhões e 105 milhões de toneladas de soja em grão, dependendo da safra, consolidando-se como o maior exportador global. Desse total, a China absorve a maior parte, com compras que frequentemente superam 70 milhões de toneladas por ano. Trata-se de uma relação de alta dependência: para o Brasil, a China é o principal comprador; para os chineses, o Brasil é o principal fornecedor.

O problema é que esse fluxo não é livre de mecanismos de controle. A China opera com um sistema indireto de regulação das importações, baseado principalmente em licenças, controle de esmagamento e gestão de estoques estratégicos. Na prática, isso funciona como uma espécie de “cota informal”. O governo chinês pode reduzir ou ampliar o ritmo de compras ao liberar menos ou mais permissões para importadores e indústrias locais.

Leia mais:  Estudo indica que Brasil tem pastagens sobrando e pode aumentar área de plantio de soja sem desmatar

Esse mecanismo ficou evidente nos últimos ciclos. Em momentos de margens apertadas na indústria chinesa de esmagamento, quando o farelo e o óleo não compensam o custo da soja importada, o país desacelera as compras. O resultado é imediato: pressão sobre os prêmios nos portos brasileiros e maior volatilidade de preços.

Além disso, há um fator estrutural. A China vem buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos. Mesmo com a forte dependência do Brasil, o país mantém canais ativos com os Estados Unidos e outros exportadores, utilizando o volume de compras como ferramenta de negociação comercial.

No caso específico da proteína de soja, produto industrializado voltado principalmente à alimentação humana, o impacto direto sobre o produtor rural tende a ser limitado. Ainda assim, a investigação conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sinaliza um endurecimento na política comercial brasileira em relação à China, ainda que pontual.

O processo analisa indícios de venda a preços abaixo do custo de produção, prática conhecida como dumping, no período entre julho de 2024 e junho de 2025. Caso seja confirmada, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais por até cinco anos.

Leia mais:  Qualidade da fibra se torna fator estratégico para rentabilidade do algodão

O ponto de atenção é que, embora tecnicamente restrita, qualquer medida nessa direção exige calibragem. A China é, de longe, o maior cliente da soja brasileira e um dos principais destinos de produtos do agronegócio como carne bovina e de frango. Movimentos comerciais, mesmo que setoriais, são acompanhados de perto pelo mercado.

Para o produtor, o cenário reforça um ponto central: o preço da soja no Brasil não depende apenas de oferta e demanda internas, mas de decisões estratégicas tomadas em Pequim. Ritmo de compras, gestão de estoques e margens da indústria chinesa seguem sendo os principais determinantes de curto prazo.

Na prática, a investigação atual não muda o fluxo da soja em grão, mas escancara a dependência brasileira de um único mercado e o grau de exposição a decisões comerciais externas.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana