Agro News

Feijão registra preços recordes e Conab anuncia leilões para apoiar produtores

Publicado

Os preços do feijão preto e do feijão carioca permanecem firmes em praticamente todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. Em algumas praças, os valores atuais são os mais altos desde abril de 2025. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a valorização é sustentada pela demanda ativa por lotes de melhor qualidade, pelo cenário pós-colheita e pelos estoques reduzidos, além da postura mais cautelosa dos vendedores, especialmente para o feijão preto.

No campo, a atenção dos produtores se volta para a semeadura da primeira safra 2025/26, que, até 20 de setembro, atingiu 8,3% da área estimada, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa da Conab é de 998,6 mil toneladas para a primeira safra, queda de 6% em relação à temporada anterior. Já a segunda e a terceira safras devem produzir 1,4 milhão de toneladas (+3,6%) e 702,7 mil toneladas (+6%), respectivamente, totalizando aproximadamente 3,1 milhões de toneladas, leve aumento de 0,8% em comparação a 2024/25.

Leia mais:  Algodão recua em Nova York com ajustes técnicos e projeções do USDA
Conab anuncia leilões para escoamento e apoio à comercialização

Para apoiar produtores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a Conab realizará leilões públicos nos dias 1º e 2 de outubro. Serão oferecidas 16,2 mil toneladas de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e outras 16,2 mil toneladas de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), sem limite por produtor, permitindo que cada agricultor participe de ambas as modalidades, respeitando a produção declarada no Sican.

Os leilões do dia 1º de outubro serão exclusivos para a agricultura familiar, com 6,48 mil toneladas de Pepro de feijão-preto e 6,48 mil toneladas de PEP para indústrias e comerciantes que comprovem a compra diretamente de agricultores familiares. Já no dia 2, os leilões ocorrerão em ampla concorrência, abertos a todos os produtores, cooperativas e agricultores familiares, bem como às indústrias de beneficiamento e comerciantes, desde que atendam às exigências de comprovação de compra e escoamento do produto.

Recursos e importância dos leilões

A ação é autorizada pela Portaria Interministerial n.º 24/2025 e prevê até R$ 21,7 milhões para escoar 32,4 mil toneladas de feijão da safra 2024/25 para fora dos estados de origem. Segundo a Conab, os leilões dentro da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) são ferramentas essenciais para reduzir oscilações na renda dos produtores, assegurar remuneração mínima, regular a oferta e garantir o abastecimento nacional.

Leia mais:  Termina o plantio da soja, mas seca atrasa ciclo e derruba produtividade

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Inteligência artificial transforma o agronegócio brasileiro e impulsiona produtividade no campo

Publicado

A inteligência artificial (IA) vem ganhando espaço de forma acelerada no agronegócio brasileiro e já se consolida como ferramenta estratégica para elevar produtividade, reduzir desperdícios e melhorar a gestão das propriedades rurais.

Em meio a um cenário marcado por custos elevados de produção, pressão sobre as margens e maior instabilidade climática, produtores rurais passam a investir cada vez mais em soluções tecnológicas capazes de antecipar problemas e otimizar decisões no campo.

O avanço da agricultura digital ocorre em um momento em que a produção agrícola brasileira segue elevada, mas enfrenta desafios crescentes relacionados à irregularidade do clima, aumento dos custos logísticos e volatilidade do mercado.

Inteligência artificial deixa de ser tendência e entra na rotina do campo

A aplicação da inteligência artificial já influencia diretamente decisões em lavouras, confinamentos e sistemas de manejo em diferentes regiões do Brasil.

Segundo Leonardo Ribeiro Dalben, desenvolvedor de software especializado em IA, a principal transformação está na capacidade de antecipação proporcionada pelo uso de dados em tempo real.

“A inteligência artificial permite antecipar cenários com base em dados reais. Isso ajuda o produtor a agir antes do problema aparecer, seja na lavoura ou na gestão da propriedade”, afirma.

A tecnologia já é utilizada no monitoramento agrícola por meio de sensores, drones, imagens de satélite e sistemas automatizados capazes de identificar:

  • falhas de plantio;
  • estresse hídrico;
  • início de pragas e doenças;
  • necessidade de irrigação;
  • e variações nutricionais das culturas.
Agricultura de precisão amplia eficiência e reduz desperdícios

A adoção de ferramentas digitais ligadas à agricultura de precisão também vem crescendo no país.

Segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o uso de tecnologias inteligentes pode elevar a produtividade agrícola em até 20%, além de reduzir significativamente desperdícios de água, fertilizantes e defensivos.

Leia mais:  Algodão recua em Nova York com ajustes técnicos e projeções do USDA

Na prática, a inteligência artificial permite que o produtor tome decisões mais rápidas e assertivas, melhorando:

  • o aproveitamento de insumos;
  • o planejamento operacional;
  • o controle de custos;
  • e a eficiência da produção.

O avanço dessas ferramentas ocorre principalmente em culturas como soja, milho, café, algodão e cana-de-açúcar, segmentos que já operam com elevado nível de mecanização e monitoramento digital.

Pecuária também avança com sensores e automação

Na pecuária, o uso da inteligência artificial também cresce rapidamente, especialmente em sistemas voltados ao monitoramento do rebanho e gestão operacional.

Atualmente, já existem soluções capazes de acompanhar o comportamento dos animais por meio de sensores inteligentes, permitindo:

  • controle de deslocamento;
  • monitoramento de saúde;
  • identificação de cio;
  • rastreamento de alimentação;
  • e delimitação virtual de áreas de manejo.

Segundo Dalben, a tecnologia reduz custos com infraestrutura tradicional e melhora o controle operacional das fazendas.

“Hoje já existem soluções que utilizam sensores e inteligência artificial para controlar o deslocamento do rebanho, reduzindo custos com infraestrutura e aumentando o controle operacional”, explica.

Gestão financeira se torna novo foco tecnológico do agro

Além do impacto produtivo, a inteligência artificial começa a ganhar relevância na gestão financeira das propriedades rurais, considerada um dos maiores desafios do setor atualmente.

Com aumento do endividamento rural e margens mais apertadas em diversas cadeias produtivas, cresce a busca por ferramentas capazes de melhorar:

  • planejamento financeiro;
  • análise de custos;
  • previsão de fluxo de caixa;
  • controle operacional;
  • e gestão de riscos.

Dados recentes apontam que as dívidas do agronegócio em recuperação extrajudicial já somam cerca de R$ 98 bilhões em 2026, evidenciando a necessidade de maior controle financeiro no campo.

“O produtor que utiliza dados consegue entender melhor seus custos, prever cenários e tomar decisões com mais segurança. Isso faz diferença principalmente em momentos de margem apertada”, ressalta o especialista.

Nova geração acelera digitalização do agronegócio

Outro fator que impulsiona o crescimento da inteligência artificial no campo é a entrada de uma nova geração de produtores rurais, mais conectada à tecnologia e à gestão baseada em dados.

Leia mais:  Pecuária de Mato Grosso aposta em rastreabilidade e sustentabilidade com projeto "Carne do Futuro"

O movimento acompanha o crescimento do empreendedorismo digital no agronegócio e a expansão das agtechs no Brasil, que desenvolvem soluções voltadas para:

  • monitoramento climático;
  • análise de produtividade;
  • gestão rural;
  • rastreabilidade;
  • automação;
  • e inteligência de mercado.
Conectividade ainda é desafio para expansão da IA no campo

Apesar do avanço acelerado, a ampliação da inteligência artificial no agronegócio ainda enfrenta obstáculos importantes, especialmente relacionados à conectividade rural e ao acesso à tecnologia por pequenos e médios produtores.

Em diversas regiões do país, limitações de internet e infraestrutura dificultam a adoção plena de sistemas inteligentes no campo.

Mesmo assim, especialistas avaliam que a tendência é de crescimento contínuo da digitalização do agro brasileiro, impulsionada pela necessidade de produzir mais com menos recursos e reduzir riscos operacionais.

“A tecnologia não substitui a experiência do produtor, mas amplia a capacidade de decisão. Quem conseguir integrar dados ao dia a dia da produção vai ter mais previsibilidade e competitividade”, conclui Dalben.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana