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Fim da cota chinesa: produtores e governo agora correm para resolver

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O fim da cota de exportação de carne bovina para a China, atingida em menos de sete meses, colocou o setor pecuarista brasileiro em polvorosa. Com a incidência automática de uma sobretaxa de 55% sobre as novas vendas para o país asiático — que se soma aos 12% da tarifa padrão —, a logística de exportação e a dinâmica de preços no mercado interno enfrentam um reajuste forçado e fez produtores e o governo correr atrás de soluções para escoar a produção.

O setor agora trabalha em duas frentes: a gestão operacional das plantas frigoríficas e a intensificação da diplomacia comercial para evitar que o excedente de produção comprima as margens de lucro dos pecuaristas e dos processadores.

A pergunta sobre como o setor permitiu chegar a essa situação encontra resposta na própria estrutura da estratégia de mercado adotada nos últimos anos. Especialistas em comércio internacional ponderam que houve uma acomodação estratégica diante da demanda avassaladora da China, que, em anos anteriores, absorveu volumes recordes da proteína brasileira.

A China, dentro de sua política de segurança alimentar, tem buscado, de forma crescente, proteger a sua própria produção interna e diversificar seus fornecedores para não depender exclusivamente de um único parceiro. O limite de 1,1 milhão de toneladas livre de tarifas não é uma novidade imprevista, mas sim um componente contratual que sinaliza o fim do ciclo de expansão ilimitada das vendas para Pequim. O setor, na prática, subestimou a velocidade com que essa cota seria atingida, priorizando o escoamento rápido para o mercado chinês em detrimento de uma pulverização mais robusta de parceiros comerciais.

Diante do novo panorama, as ações têm sido imediatas para evitar um colapso nos preços internos por excesso de oferta:

  • Gestão de Estoque e Produção: Muitas plantas frigoríficas especializadas no mercado chinês já iniciaram planos de contenção, que incluem férias coletivas e a redução cadenciada dos abates. A estratégia é ajustar a oferta à nova realidade da demanda externa, evitando a desvalorização excessiva do produto no mercado doméstico.

  • Busca por Novos Mercados: Exportadores têm direcionado esforços para mercados secundários, como Vietnã, Indonésia e países da América Latina, além de tentar ampliar a presença nos Estados Unidos. Contudo, fontes do setor admitem com realismo que não há, no cenário global atual, outro cliente com o volume e o apetite de Pequim capaz de absorver o excedente imediato.

  • Articulação Governamental: O governo, por meio de seus órgãos de promoção comercial e diplomacia, mantém negociações ativas. O objetivo é discutir a revisão dos termos dessa cota ou buscar acordos de longo prazo que flexibilizem as tarifas para países parceiros, embora reconheça-se que as negociações com a China seguem ritos próprios e complexos.

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O reflexo dessa mudança já é sentido pelo produtor. Após a arroba do boi gordo atingir um pico histórico recente — saindo de um patamar que equivalia a aproximadamente R$ 404,00 para um recuo recente para a casa dos R$ 350,00 (considerando a conversão da cotação de mercado para a moeda nacional) —, o mercado interno dá sinais de volatilidade.

A tendência, segundo analistas de mercado, é que o consumidor brasileiro encontre preços momentaneamente mais acessíveis no varejo, uma vez que a carne que deveria ter sido exportada precisará ser escoada internamente. Contudo, essa “folga” nos preços do açougue é acompanhada de preocupação: se o custo de produção do boi gordo se mantiver elevado e o mercado externo não for recomposto, a sustentabilidade da atividade pecuária pode ser desafiada nos próximos trimestres.

A situação atual serve como um alerta para a necessidade de diversificação das exportações brasileiras. A dependência de um único destino, por maior que seja o volume, revelou-se um risco sistêmico. O momento, portanto, é de transição: de um modelo focado no volume para um mercado chinês, para um modelo que privilegia a pulverização geográfica e a eficiência logística, elementos que serão cruciais para a resiliência do agronegócio nacional até 2028, quando os limites impostos pela China deverão ser reavaliados.

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TAMANHO – O setor sustenta-se sobre o maior rebanho comercial do mundo, com cerca de 235 milhões de cabeças e um volume anual de abate que supera 45 milhões de animais, garantindo ao Brasil a liderança absoluta nas exportações globais.

A estrutura é dividida entre o mercado externo, que absorve aproximadamente 30% da produção, e o consumo interno, que consome as outras 8 milhões de toneladas anuais. A relevância para a balança comercial é direta: no primeiro semestre de 2026, as vendas externas geraram o equivalente a R$ 54 bilhões, valor que impulsiona o saldo do agronegócio nacional.

Esse cenário revela que a concentração de quase metade das exportações em um único destino não é apenas um dado comercial, mas uma dependência sistêmica que, ao sofrer restrições como a atual, desestabiliza o equilíbrio de preços da arroba no campo e a oferta nos pontos de venda em todo o território nacional.

Fonte: Pensar Agro

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Cafés especiais do Brasil podem gerar US$ 252 milhões em negócios na Europa e ampliam presença no mercado internacional

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O setor brasileiro de cafés especiais ampliou sua presença no mercado europeu e projeta resultados expressivos para as exportações. As ações promovidas pelo projeto “Brazil. The Coffee Nation”, desenvolvido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), devem movimentar aproximadamente US$ 252 milhões em negócios, consolidando a Europa como um dos principais destinos da produção nacional de cafés de alta qualidade.

As iniciativas reuniram 77 empresários brasileiros em missões comerciais na Inglaterra e na Bélgica, além da participação na World of Coffee Brussels, uma das maiores feiras internacionais do segmento. Durante a agenda, foram realizados 1.145 contatos comerciais, dos quais 649 com novos clientes, resultando em US$ 33,1 milhões em negócios fechados durante o evento e expectativa de mais US$ 218,9 milhões em contratos ao longo dos próximos 12 meses.

Missões comerciais fortalecem exportações brasileiras

As missões comerciais contaram com a participação de 25 empresários brasileiros, incluindo nove produtoras integrantes do projeto “Produzido por Elas”, iniciativa da BSCA em parceria com a International Women Coffee Alliance (IWCA), com apoio da ApexBrasil.

Em Londres, a programação incluiu visitas técnicas e comerciais às empresas Notes Coffee, Grind, Mercanta e Coffee Centre, proporcionando intercâmbio de experiências, prospecção de clientes e atualização sobre as tendências do mercado britânico.

Na Bélgica, os empresários participaram de encontros de negócios com empresas como Wide Awake, MOK e Café Capitale, além de um roteiro especializado em Antuérpia conduzido pelo mestre de torra Tom Jansen, cofundador da OR Coffee Roasters. A programação incluiu visitas a importantes cafeterias e torrefações reconhecidas pelo trabalho com cafés especiais e comércio direto com produtores.

World of Coffee impulsiona imagem do café brasileiro

Entre os dias 26 e 28 de junho, a delegação brasileira participou da World of Coffee Brussels, considerada um dos principais eventos globais da cadeia de cafés especiais.

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O Brasil contou com um estande estrategicamente localizado, reunindo espaço para rodadas de negócios, brew bar para degustação de cafés especiais de diversas regiões produtoras e uma sala exclusiva para sessões de cupping com cafés de associados da BSCA, incluindo amostras produzidas por mulheres participantes do projeto “Produzido por Elas”.

Segundo o diretor-executivo da BSCA, Vinicius Estrela, os resultados demonstram a relevância da estratégia brasileira de promoção comercial no continente europeu.

A Europa permanece como o principal parceiro comercial dos cafés especiais brasileiros e as ações desenvolvidas pelo projeto buscam ampliar negócios, fortalecer a presença nacional e consolidar a reputação do Brasil como fornecedor de cafés de alta qualidade.

Acordo com o Coffee Quality Institute amplia capacitação no Brasil

Além dos resultados comerciais, a missão internacional trouxe um avanço importante para a qualificação da cafeicultura brasileira.

A BSCA assinou um Memorando de Entendimento com o Coffee Quality Institute (CQI), tornando-se a representante exclusiva da instituição no Brasil para oferta dos programas educacionais da organização.

A parceria permitirá ampliar o acesso de produtores e profissionais brasileiros aos treinamentos, certificações e metodologias internacionais voltadas ao processamento e à qualidade dos cafés especiais.

Segundo o CEO do CQI, Michael Sheridan, o objetivo é expandir significativamente o acesso à educação especializada no Brasil, tornando os cursos mais acessíveis e formando um número maior de instrutores brasileiros para ministrar os treinamentos em português.

Para o presidente da BSCA, Luiz Roberto Saldanha, o acordo representa um marco para a cafeicultura nacional ao permitir que produtores de diferentes portes e regiões tenham acesso a conhecimentos considerados referência mundial em processamento de cafés especiais.

A expectativa é que a disseminação dessas tecnologias contribua para elevar ainda mais a qualidade, a consistência e a competitividade do café brasileiro no mercado internacional.

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Brasil também ganha destaque nos campeonatos mundiais

A participação brasileira na World of Coffee Brussels também foi marcada pelo desempenho em importantes competições internacionais promovidas durante o evento.

A gerente técnica da BSCA, Carolina Franco, atuou como juíza sensorial no Campeonato Mundial de Brewers Cup e, devido ao desempenho durante as etapas classificatórias, foi convidada para integrar o painel de jurados das finais da competição.

Na disputa entre os baristas, a brasileira Juliana Morgado representou o país levando aos jurados uma apresentação inspirada na diversidade da cafeicultura nacional e no protagonismo feminino na produção de cafés especiais, valorizando toda a cadeia produtiva brasileira.

O Brasil também esteve presente no Campeonato Mundial de Torra de Café com Fábio Milan, o mais jovem campeão brasileiro da modalidade, que apresentou técnicas e conhecimentos científicos sobre o processo de torra.

Já no Campeonato Mundial de Coffee in Good Spirits (CIGS), o barista Léo Oliva representou novamente o país com uma apresentação inspirada na cultura brasileira, utilizando sabores típicos das festas juninas para destacar a versatilidade dos cafés especiais nacionais.

Europa segue como mercado estratégico para os cafés especiais

Os resultados alcançados pelas missões comerciais reforçam a importância da Europa para as exportações brasileiras de cafés especiais. Além da abertura de novos mercados, as iniciativas ampliam o relacionamento com compradores internacionais, fortalecem a imagem do Brasil como referência em qualidade e agregam valor à produção nacional.

Com perspectivas de movimentar cerca de US$ 252 milhões em negócios e novos investimentos em capacitação técnica, o setor consolida sua estratégia de expansão internacional e amplia sua competitividade em um mercado cada vez mais exigente e voltado à qualidade do produto.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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