A Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), por meio da Superintendência de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas (Sapdi), esteve presente no 2º Encontro das Mulheres Boe Bororo, com o tema “Resistência e Luta por Direitos e Bem-Estar em Nossos Territórios”, na Aldeia Perigara, no município de Barão de Melgaço.
O evento celebrado no território da etnia Boe Bororo iniciou nesta segunda-feira (25.8) e segue até nesta quinta-feira (28), e reúne mulheres de diferentes comunidades indígenas, lideranças tradicionais, representantes governamentais e parceiros institucionais em um espaço de fortalecimento social, cultural e política das mulheres indígenas.
A primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, reafirmou o compromisso do Governo do Estado em apoiar as comunidades.
“As mulheres indígenas têm um papel fundamental na preservação da cultura, na defesa dos territórios e no fortalecimento das famílias. O encontro representa resistência, união e esperança. Nosso trabalho, por meio do Programa SER Família, é garantir que as comunidades indígenas tenham seus direitos assegurados, com dignidade e respeito às suas tradições”, ressaltou.
Foto: João Reis | Setasc-MT
A superintendente de Políticas para Povos Indígenas da Setasc, Graciele Meira, ressaltou que a realização do encontro é fundamental para ampliar a escuta das comunidades e fortalecer o diálogo direto com lideranças e instituições.
“Esses espaços fortalecem o nosso diálogo direto com as comunidades indígenas, lideranças e instituições, além de ampliar a escuta das demandas locais. A presença da Sapdi neste encontro demonstra o compromisso do Estado e da primeira-dama Virginia Mendes em caminhar lado a lado com os povos indígenas”, destacou.
Ela também enfatizou a necessidade de apoiar a organização das mulheres indígenas e fortalecer a assistência social nos municípios.
“Temos a missão de apoiar as organizações de mulheres, incentivar a participação de indígenas nos conselhos municipais, que são fundamentais para a defesa de direitos e enfrentar os desafios da assistência social voltada às populações indígenas, que muitas vezes sofrem com a ausência de serviços em seus territórios. A organização comunitária e o fortalecimento da assistência social municipal são passos essenciais para superar os entraves existentes. Nosso trabalho, sob a liderança da primeira-dama Virginia Mendes, é apoiar esse processo, articulando com os órgãos competentes e garantindo que os povos indígenas tenham seus direitos assegurados”, completou a superintendente.
A programação diversificada, aborda temas de grande relevância para os povos indígenas, como a defesa dos direitos humanos e o enfrentamento à violência contra a mulher; defesa do meio ambiente e sustentabilidade; direitos básicos e territoriais; formação política e fortalecimento de novas lideranças; entre outros.
Foto: João Reis | Setasc-MT
Para a coordenadora geral do Departamento de Mulheres da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), Maria Anarrory Yudjá, o evento é um marco de fortalecimento das mulheres Bororo e um canal de diálogo direto com o poder público. O Fepoimt é um dos realizadores do evento, junto com a Associação Itura Kurireu (AIK).
“Estamos aqui na aldeia Perigara realizando o segundo encontro das mulheres Boe, que tem como objetivo fortalecer as nossas vozes pelo trabalho desenvolvido pelas mulheres e também cobrar do poder público e das organizações parceiras o atendimento às carências dentro do território. Ontem tivemos uma parte muito importante, apresentada pela Secretaria de Estado, que falou sobre o atendimento ao serviço social, já que muitas vezes não somos atendidos pelo município. Essa troca de informações fortalece o nosso povo e garante que a informação chegue onde muitas vezes não chega”, destacou Maria Anarrory.
O cacique da Terra Indígena Perigara, Roberto Mário do Prado, ressaltou o orgulho da comunidade em sediar o encontro e a importância da presença de autoridades estaduais no território.
Foto: João Reis | Setasc-MT
“Fomos privilegiados por receber este encontro. Assim que fomos escolhidos, nossa comunidade ficou muito feliz e se dedicou para organizar bem o evento e acolher todos os visitantes. A presença da Setasc é muito importante para nós, porque não é comum autoridades virem até aqui ver de perto a nossa realidade. Isso mostra interesse em buscar soluções”, afirmou.
Ele também destacou os benefícios do Programa SER Família Indígena, idealizado pela primeira-dama Virginia Mendes, que atende as famílias da comunidade com transferência de renda.
“Todos os familiares aqui são beneficiados com esse programa, que facilita muito a vida das famílias. A primeira-dama tem demonstrado um olhar especial para os povos indígenas, e isso fortalece nossa comunidade, pois garante dignidade e apoio às nossas necessidades”, completou o cacique.
O que começou com a venda de doces caseiros para complementar a renda da família se transformou em um dos mais conhecidos empreendimentos de turismo rural de Mato Grosso. No Assentamento São Francisco, em Jaciara, a agricultora familiar Maria Leni de Oliveira encontrou no empreendedorismo uma forma de permanecer no campo, gerar renda e reunir toda a família em torno de um mesmo propósito.
Proprietária do Vale do Chico, ela abriu as portas da propriedade para receber visitantes em busca de contato com a natureza, tranquilidade e experiências únicas. O local é conhecido pelos ofurôs naturais, trilhas ecológicas, cachoeiras e pelo encontro das águas do Córrego Buriti com o Rio Fortaleza, que chama a atenção pelas diferentes cores e temperaturas das águas.
Hoje, o empreendimento recebe turistas de diversas regiões do Brasil e também de outros países. Entre os visitantes que já conheceram o Vale do Chico estão grupos da Coreia do Sul, da Tailândia e de outras nacionalidades, atraídos pelas belezas naturais e pela experiência de vivenciar o turismo rural em uma propriedade da agricultura familiar.
A história começou em 2016, quando os filhos de Maria Leni adquiriram a propriedade. Na época, ela trabalhava com costura e buscava uma forma de complementar a renda, já que no sítio pequeno nem sempre garantia o sustento da família.
“Como a renda do sítio pequeno é mais difícil, comecei a fazer doces caseiros para vender. As vendas foram aumentando e, junto com elas, surgiu a oportunidade do turismo rural. Com o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), da Empaer, por meio das orientações do extensionista Geraldo Donizete, e do financiamento da Desenvolve MT, conseguimos ampliar nossa estrutura e transformar esse sonho em realidade”, relembra.
Em março de 2023 o sonho passou a ser realidade. O crescimento ocorreu de forma planejada. Com assistência técnica e acesso ao crédito, foram construídas novas estruturas para receber os visitantes. O empreendimento também recebeu orientações para adequação ambiental, implantação de acessos e obtenção das licenças necessárias, garantindo segurança aos turistas e preservação dos recursos naturais.
“Antes era um espaço muito pequeno. Recebíamos os turistas e também morávamos ali. Com os projetos e o financiamento conseguimos construir nosso salão e melhorar toda a estrutura. Hoje trabalhamos em família. Meus filhos, minha nora e meu genro ajudam no atendimento. É um empreendimento de família para receber famílias.”
O Vale do Chico oferece diferentes modalidades de visitação. No sistema Day Use, os visitantes desfrutam de café da manhã, trilhas, banhos de cachoeira e almoço. Há também a opção de camping, em que os turistas passam a noite na propriedade, com estrutura para barracas, inclusive para locação, e passeios programados no dia seguinte.
O turismo rural representou uma mudança de vida para Maria Leni. Quando decidiu deixar a cidade para viver no sítio, seu marido já enfrentava problemas de saúde e a aposentadoria não era suficiente para manter a família. Filha da agricultura familiar, ela enxergou na propriedade uma oportunidade para recomeçar.
“Eu queria muito que isso desse certo. Sou da agricultura familiar e sempre sonhei em viver no campo. Quando surgiu a oportunidade do turismo rural, agarrei com todas as forças. Passamos por muitas dificuldades, mas hoje conseguimos gerar renda para toda a família.”
Além de proporcionar uma experiência em meio à natureza, o Vale do Chico foi idealizado para ser um espaço de contemplação e descanso. Por isso, caixas de som não são permitidas e todos os visitantes recebem previamente orientações sobre as regras de convivência.
“Aqui produzimos paz, literalmente. Não temos som. Quem vem procura descanso, tranquilidade e contato com a natureza. Queremos que as pessoas contemplem esse ambiente e entendam a importância de preservar.”
A preservação ambiental é um dos pilares do empreendimento. A propriedade possui licenciamento ambiental, segue as normas sanitárias e adota práticas sustentáveis, como reciclagem e destinação correta dos resíduos produzidos.
“Nós aprendemos que é preciso cuidar da natureza para que ela continue cuidando da gente. Fazemos a separação dos resíduos, encaminhamos os recicláveis para coleta em Jaciara e destinamos corretamente o lixo orgânico. Quem visita nosso espaço também participa desse compromisso.”
Orgulhosa da trajetória construída ao lado da família, Maria Leni resume o significado do empreendimento. “Com apoio do Governo do Estado, sou uma mulher que vive da agricultura familiar, do turismo rural e tenho sucesso com isso. Nosso sonho virou realidade e hoje conseguimos gerar renda, preservar a natureza e proporcionar uma experiência única para quem nos visita.”
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