Saúde

Governo do Brasil reestrutura comissão que discute regulação da residência multiprofissional em saúde

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Os Ministérios da Saúde e da Educação promoveram a reestruturação da Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde (CNRMS), responsável por regular, supervisionar e avaliar os Programas de Residência em Área Profissional da Saúde e as instituições que os ofertam. A nova estrutura da comissão amplia a participação de diferentes atores envolvidos na formação em saúde, incluindo representantes do controle social, residentes, preceptores, tutores, coordenadores, associações de ensino e científicas e instituições formadoras. O objetivo é fortalecer a governança da política de residências em saúde no país e contribuir para a implementação da Política Nacional de Residências em Saúde.

Com a presença de representantes do controle social e dos trabalhadores da saúde, haverá o fortalecimento democrático, participativo e paritário da comissão. Já a participação do Conselho Nacional de Saúde (CNS) reforça na transparência e na legitimidade das decisões. Com isso, haverá o fortalecimento da articulação entre as instâncias nacionais, estaduais e institucionais, com a atuação das Comissões Descentralizadas Multiprofissionais de Residência (CODEMU), das Comissões de Residência Multiprofissional (COREMU) e das Câmaras Técnicas. Elas são responsáveis pelo assessoramento permanente da comissão.

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Como colegiado consultivo e deliberativo, a CNRMS tem como função planejar a oferta de programas de residência conforme as necessidades do SUS e o perfil epidemiológico da população brasileira. A regulação passa a considerar, de forma mais estruturada, as demandas dos serviços de saúde e as prioridades nacionais, alinhando a formação especializada às necessidades reais da saúde pública.

Qualidade da formação

A regulação, supervisão e avaliação dos programas de residência são fundamentais para garantir a qualidade da formação especializada, a segurança do cuidado e a conformidade com as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Sendo assim, a residência em saúde se consolida como estratégia central de formação em serviço, orientada por matrizes de competências e acompanhada por preceptores qualificados e contribuindo para a formação de profissionais preparados para atuar nas necessidades do sistema de saúde. 

Com a nova regulamentação, também são definidos os processos de credenciamento de instituições, autorização e reconhecimento de programas, além dos mecanismos de supervisão e avaliação. O objetivo é assegurar a qualidade da formação e a segurança da assistência prestada à população. 

Especialização

A Residência em Área Profissional da Saúde é uma modalidade de pós-graduação, na forma de curso de especialização, baseada na educação pelo trabalho. É destinada a profissionais de nível superior da área da saúde, excetuando-se a médica, e desenvolvida sob a orientação de profissionais qualificados, no âmbito de instituições de saúde e de ensino.

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A área profissional da saúde contempla 15 categorias da área da saúde, sendo elas: Biomedicina; Ciências Biológicas; Educação Física; Enfermagem; Farmácia; Física Médica; Fisioterapia; Fonoaudiologia; Medicina Veterinária; Nutrição; Odontologia; Psicologia; Saúde Coletiva; Serviço Social; e Terapia Ocupacional.  

Acesse a portaria sobre a Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde

Victor Almeida
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral

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Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).

A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.

“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.

 A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.

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 As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.

Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.

 “Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.

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 Próximos passos

Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.

Comunidades quilombolas

Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.

 Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.

Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.

Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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