Agro News

Governo libera R$ 30 milhões para apoiar cooperativas de mel e castanhas afetadas por tarifas de exportação

Publicado

O Governo Federal anunciou uma medida emergencial que destina até R$ 30 milhões para apoiar cooperativas da agricultura familiar impactadas pelas tarifas adicionais impostas às exportações brasileiras de mel e castanhas. O recurso será disponibilizado por meio da modalidade Apoio à Formação de Estoques (AFE) do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), sob a coordenação do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e execução da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Apoio emergencial fortalece exportadores afetados

O investimento visa dar suporte a cooperativas exportadoras que enfrentam dificuldades para escoar sua produção, especialmente para o mercado dos Estados Unidos, em razão das novas tarifas. Como muitas dessas organizações não conseguem redirecionar seus produtos ao mercado interno ou a outros destinos internacionais, o governo decidiu criar uma linha emergencial de apoio financeiro.

Com o benefício, as cooperativas poderão formar estoques próprios de mel e castanhas — incluindo castanha-do-brasil, castanha-de-caju e castanha-de-baru — armazenando os produtos por até seis meses. Após esse período, os valores deverão ser devolvidos sem cobrança de juros ou correção monetária, oferecendo às entidades tempo para reorganizar suas estratégias comerciais e garantir melhor remuneração pelos produtos.

Leia mais:  Mercado de arroz enfrenta desafios de logística
Linhas de crédito e limites de financiamento

Cada projeto poderá solicitar até R$ 1,5 milhão em recursos, conforme as normas do AFE. Já para as organizações que estão ingressando pela primeira vez na modalidade, o limite máximo será de R$ 500 mil.

O objetivo é garantir que cooperativas de diferentes portes tenham acesso ao crédito, evitando perdas de produção e fortalecendo a sustentabilidade econômica da agricultura familiar exportadora.

Como participar do programa

As organizações interessadas deverão apresentar suas propostas dentro do prazo estipulado no comunicado oficial da Conab, que define as regras, prazos e documentação exigida para a contratação das operações.

O documento completo está disponível no Portal da Conab, na seção de execução do PAA, onde também podem ser consultadas orientações adicionais às cooperativas de mel e castanhas afetadas pelas medidas tarifárias.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Alta de insumos, frete e diesel com guerra aperta margem e preocupa safra 2026/27

Publicado

Isan Rezende

“O produtor rural brasileiro define agora, entre maio e agosto, o custo da safra 2026/27 — cujo plantio começa a partir de setembro no Centro-Oeste — com uma conta mais pesada e fora do seu controle. A ureia subiu mais de US$ 50 por tonelada, o diesel segue pressionado e o frete internacional acumula altas de até 20%. Isso aumenta o custo por hectare e exige mais dinheiro para plantar”. A avaliação é de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), ao analisar os efeitos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o agronegócio brasileiro.

Segundo ele, o encarecimento não começou agora, mas se intensificou nas últimas semanas e pesa diretamente nas decisões do produtor. Em lavouras de soja e milho, o aumento dos insumos pode elevar o custo total entre 8% e 15%, dependendo do nível de investimento. “O produtor já vinha apertado. Agora, o custo sobe de novo e o preço de venda continua incerto”, afirma.

O avanço dos custos está ligado à tensão no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz levou o petróleo a superar US$ 111 o barril, mantendo o diesel em alta. Ao mesmo tempo, fertilizantes nitrogenados, que o Brasil importa em grande volume, ficaram mais caros e instáveis.

Leia mais:  Brasil Registra Maior Volume de Importação de Fertilizantes do Ano

Além do custo, há risco de perda de mercado. “O Irã comprou cerca de 9 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025. Se esse volume diminui, sobra produto aqui dentro e o preço cai”, diz Rezende.

Na logística, o impacto já aparece nos números. O frete marítimo para a Ásia subiu entre 10% e 20%, com aumento do seguro e cobrança de prêmio de risco. Na prática, isso reduz o valor pago ao produtor. “Quando o custo de levar o produto sobe, alguém paga essa conta — e parte dela volta para quem está produzindo”, afirma.

O efeito mais forte deve aparecer nos próximos meses, quando o produtor for comprar fertilizantes e fechar custos da nova safra. Se os preços continuarem elevados, será necessário mais capital para plantar a mesma área.

Para Rezende, há medidas que podem reduzir esse impacto. “O governo pode ampliar o crédito rural com juros menores, reforçar o seguro rural e alongar dívidas em regiões mais pressionadas. Um aumento de alguns bilhões na equalização de juros já ajudaria a reduzir o custo financeiro da safra”, afirma.

Leia mais:  Etanol encerra semana com alta do anidro e leve recuo no hidratado

Ele também aponta que o Brasil começa a dar passos para diminuir a dependência externa de insumos, mas ainda de forma insuficiente. “A retomada da produção de nitrogenados com a reativação da unidade de Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Araucária, no Paraná, ajuda, mas ainda não resolve o problema. O país continua dependente do mercado internacional, especialmente do Oriente Médio. Sem ampliar essa capacidade e melhorar a logística, o produtor segue exposto a choques externos”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana