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Secretaria da Pesca Artesanal entrega recomendações das mulheres das águas para a COP30

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A Secretaria Nacional de Pesca Artesanal (SNPA), vinculada ao Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), entregou, na última quarta-feira (15), um documento temático elaborado por mulheres das comunidades pesqueiras tradicionais ao gabinete da primeira-dama, Janja Lula da Silva, que é a Enviada Especial para Mulheres da COP30. O material será anexado ao conjunto de propostas que o Brasil apresentará no evento global.

O documento resultou das Plenárias Regionais e Livres, da Plataforma Brasil Participativo e da Plenária Nacional do 1º Plano Nacional da Pesca Artesanal (PNPA). O documento reúne propostas construídas coletivamente pelas comunidades pesqueiras artesanais do Brasil, oriundas de todos os biomas, com foco nas intersecções entre gênero, emergência climática e sustentabilidade. Após a entrega, a equipe da primeira-dama informou que os principais pontos do texto serão levados à COP30, que reúne representantes de diversos países para debater estratégias globais contra as mudanças climáticas.

Para Margarida Quadros, assessora especial do gabinete de Janja Lula da Silva, as contribuições representam a voz das mulheres, grupo majoritário e diretamente impactado na pesca artesanal. “As mulheres são as mais afetadas e representam a maioria na pesca artesanal. Esperamos que essas propostas estejam presentes nos documentos finais, nas recomendações e negociações da conferência. Nossa missão é garantir que essas contribuições cheguem às mãos dos presidentes e representantes dos países que participarão da COP30”, afirmou.

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Suana Medeiros Silva, coordenadora de Territórios Pesqueiros e Integração de Políticas Públicas do MPA, destacou que o documento sintetiza demandas sobre gênero e mudanças climáticas. “Este material reflete as necessidades e propostas das comunidades e territórios pesqueiros diante do desafio de enfrentar a realidade global, marcada por emergências climáticas. Ele representa a voz de milhares de mulheres pescadoras e marisqueiras em todo o Brasil”, ressaltou.

Mulheres das águas

As mulheres da pesca artesanal desempenham papel fundamental e histórico na segurança alimentar, conservação ambiental, preservação dos saberes tradicionais e gestão sustentável dos recursos pesqueiros. Dados do Registro Geral da Atividade Pesqueira – SISRGP (MPA, 2025) indicam que 966.097 pescadores cadastrados são mulheres, correspondendo a 50,17% do total. Elas estão presentes em todos os biomas brasileiros e em diversos recursos naturais aquáticos, em diferentes graus de participação.

O 1º Plano Nacional da Pesca Artesanal, integrante do Programa Povos da Pesca Artesanal do MPA, é um instrumento técnico-científico que visa ampliar a participação, o controle social e o apoio institucional para a construção democrática de políticas públicas voltadas às comunidades pesqueiras artesanais. O plano considera aspectos de gênero, raça, etnia e a defesa dos territórios tradicionais.

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Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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