Agro News

Guerra no Oriente Médio pressiona custos e acende alerta na avicultura do Paraná

Publicado

A avicultura do Paraná, principal polo produtor e exportador de frango do Brasil, enfrenta um novo ciclo de pressão econômica impulsionado pelo cenário internacional. A guerra no Oriente Médio agravou os custos de produção e elevou o nível de incerteza no setor, acendendo um sinal de alerta para toda a cadeia produtiva.

De acordo com o Sindicato das Indústrias Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), o cenário torna inevitável o repasse de preços entre 15% e 20% como forma de compensar perdas acumuladas e garantir o equilíbrio entre oferta e demanda.

Paraná lidera produção e exportações, mas amplia exposição aos riscos

O protagonismo do Paraná na avicultura nacional também aumenta sua vulnerabilidade diante das oscilações do mercado global. O estado responde por cerca de 41% das exportações brasileiras de carne de frango e mais de 34% da produção nacional.

A cadeia produtiva movimenta aproximadamente R$ 45 bilhões em Valor Bruto da Produção (VBP), além de gerar mais de 100 mil empregos diretos e até 1,5 milhão de empregos indiretos.

Esse peso econômico reforça a importância do estado no abastecimento interno e na segurança alimentar global, ao mesmo tempo em que amplia os impactos de crises internacionais sobre o setor.

Leia mais:  Ministro participa da abertura da AquiPesc Brasil 2026
Custos de produção sobem até 20% e pressionam margens

Nos últimos ciclos, a avicultura brasileira tem enfrentado aumento expressivo nos custos de produção, afetando diretamente a rentabilidade de agroindústrias e cooperativas.

Entre os principais fatores de pressão estão:

  • Grãos (milho e farelo de soja), que representam até 70% do custo da ração
  • Energia elétrica, com reajustes acima da inflação
  • Logística, impactada pelo diesel e gargalos estruturais
  • Embalagens, influenciadas pelo preço do petróleo
  • Mão de obra e custos operacionais

Além disso, os conflitos geopolíticos intensificam os efeitos sobre fretes, energia e previsibilidade dos mercados, aumentando a complexidade da gestão no setor.

Setor enfrenta risco de sobreoferta e precisa ajustar produção

Segundo o Sindiavipar, o atual momento representa um ponto de inflexão para a avicultura. O modelo tradicional baseado no aumento de escala passa a dividir espaço com uma nova necessidade: o equilíbrio entre oferta e demanda.

Com mercados internacionais ainda em recomposição e consumo sujeito a oscilações, o risco de sobreoferta ganha relevância, podendo pressionar preços e reduzir margens.

Novo cenário exige produção mais eficiente e estratégica

Diante desse contexto, o setor passa por uma mudança de paradigma. Produzir mais já não garante maior rentabilidade.

Leia mais:  Mercado reduz projeção de inflação para 2025 pela 13ª semana seguida, aponta Boletim Focus

A orientação agora é focar em eficiência e precisão produtiva, ajustando o volume à demanda real do mercado. A estratégia busca evitar excedentes que possam comprometer toda a cadeia.

Repasse de preços é considerado inevitável

Com a elevação dos custos e o cenário global incerto, o Sindiavipar avalia que o repasse de preços ao longo da cadeia produtiva se torna necessário.

A medida é vista como essencial para garantir a sustentabilidade da atividade, mantendo o equilíbrio econômico das empresas e assegurando o abastecimento do mercado interno e externo.

Perspectiva: setor segue estratégico, mas sob pressão

Mesmo diante dos desafios, a avicultura do Paraná continua sendo peça-chave na produção de alimentos e na balança comercial brasileira.

No entanto, o cenário atual exige ajustes rápidos, gestão eficiente e maior atenção às variáveis globais, que passam a influenciar de forma ainda mais direta a competitividade do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

publicidade

Agro News

Ministro Edipo Araujo destaca políticas para pesca e aquicultura na Bahia

Publicado

O ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, cumpriu nesta quarta-feira (30) agenda na Bahia com foco no fortalecimento da aquicultura, da pesca artesanal e das políticas públicas voltadas aos trabalhadores das águas. A programação teve início em Camaçari, com visita a modelos produtivos do Sisteminha Embrapa, e seguiu em Salvador, onde o ministro se reuniu com pescadores artesanais, aquicultores familiares e lideranças do setor para apresentar o Pronaf Azul e entregar autorizações de pesca de embarcações por meio do Programa Nacional de Regularização de Embarcação de Pesca (PROPESC).

Em Camaçari, o ministro conheceu instalações do Sisteminha implantadas por um grupo beneficiado por edital destinado a Organizações da Sociedade Civil para o desenvolvimento de atividades de aquicultura. O modelo integra a criação de tilápia com a produção de hortaliças, promovendo o aproveitamento dos recursos e a diversificação da produção. Para Edipo Araujo, a experiência demonstra como as políticas públicas podem produzir resultados diretamente nos territórios. “A gente consegue ver a política pública chegando na ponta e mudando a vida das pessoas”, afirmou.

O ministro também destacou que a iniciativa ultrapassa o incentivo à produção aquícola ao dialogar com outras políticas públicas, como segurança alimentar, igualdade racial, direitos humanos e cidadania. “Mostra uma transversalidade muito grande de uma política que era simplesmente para que a gente pudesse cultivar tilápia, mas ela dialoga para além da nossa área setorial”, ressaltou.

Leia mais:  Imea prevê crescimento da produção e exportações de algodão em MT

Pronaf Azul amplia acesso ao crédito

Em Salvador, a agenda foi dedicada à apresentação do Pronaf Azul, linha de crédito específica para os públicos da pesca e da aquicultura inserida no Plano Safra. A política contempla três modalidades: Pronaf B, Pronaf Mais Alimentos e Pronaf Custeio.

De acordo com o ministro, o Pronaf B possui taxa de juros de 0,5% ao ano, enquanto as modalidades Mais Alimentos e Custeio têm juros de 2% ao ano. As condições incluem prazos de pagamento que podem chegar a três anos para custeio e dez anos para investimentos, com possibilidade de financiamento de até R$ 250 mil.

Durante o encontro com representantes do setor, Edipo Araujo ressaltou a importância de ampliar os instrumentos de financiamento para fortalecer a produção de pescado e a oferta de alimentos. “Estamos reunidos com os pescadores artesanais, aquicultores familiares, para falar dessa política pública que é tão necessária para fomentar cada vez mais o alimento que menos impacta o meio ambiente”, afirmou.

PROPESC entrega autorizações de pesca

A programação em Salvador também contou com a entrega de autorizações de pesca de embarcações no âmbito do Programa de Regularização do PROPESC. Segundo o ministro, a iniciativa promoveu a desburocratização do processo e ampliou o prazo de validade das autorizações para dez anos. “Entregamos em mãos aos nossos usuários da pesca artesanal uma autorização de dez anos”, destacou Edipo Araujo.

Leia mais:  Arrozeiros do RS pressionam por prorrogação de incentivo fiscal do ICMS para manter competitividade

A agenda na Bahia reforça a atuação do Ministério da Pesca e Aquicultura na implementação de políticas públicas voltadas à produção de alimentos, ao acesso ao crédito, à regularização da atividade pesqueira e ao fortalecimento da aquicultura familiar, aproximando as ações do Governo Federal das realidades dos territórios.

Élen Gorski
Ministério da Pesca e Aquicultura
[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

Continue lendo

Mais Lidas da Semana