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INPE/MCTI e SECD/MMA lançam sistema DETER Não Floresta para monitoramento diário de todo o Bioma Amazônia

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Brasília/São José dos Campos, 15/09/2025 – O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), unidade vinculada ao Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), e a Secretaria Extraordinária de Controle do Desmatamento (SECD), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), anunciam nesta data o lançamento oficial do DETER Não Floresta (DETER NF), um avanço sem precedentes na política de controle e prevenção do desmatamento no Brasil.

A partir de agora, todo o território do Bioma Amazônia conta com monitoramento diário de cobertura de terra. O novo sistema amplia a capacidade do consagrado DETER, que tradicionalmente emitia alertas focados em desmatamento com solo exposto e corte raso em áreas de floresta primária. O DETER NF utiliza inteligência artificial e imagens de satélite para identificar também a degradação em formações não florestais, como campos naturais, savanas (cerrado) e áreas de transição, que correspondem a aproximadamente 20% do bioma.

Como funciona o DETER NF

O sistema analisa diariamente imagens dos satélites de observação da Terra, gerando alertas de intervenção antropizada para as áreas de vegetação nativa não florestal da Amazônia Legal. Esses alertas indicam indícios de alteração da cobertura vegetal, seja por desmatamento, mineração, queimadas ou outras atividades irregulares.

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A principal inovação do DETER NF é a capacidade de detectar cortes de vegetação nativa em áreas de cerrado e campos gerais dentro do bioma Amazônia, uma demanda histórica de órgãos de controle e fiscalização. Os alertas são publicados na plataforma TerraBrasilis e disponibilizados para acesso público e gratuito, assegurando a transparência dos dados.

Impacto no Combate ao Desmatamento

A implementação do DETER NF representa um salto de qualidade na governança ambiental. Antes, o monitoramento diário cobria apenas as áreas de floresta ombrófila (densa). Com a nova ferramenta, os órgãos de fiscalização, como o IBAMA e as polícias ambientais estaduais, passam a ter informações em tempo quase real para orientar suas operações em 100% do território amazônico.

“Estamos fechando uma lacuna crítica no monitoramento. Onde antes tínhamos um vazio de informação diária, agora temos transparência e agilidade. Isso democratiza o acesso à informação e fortalece imensamente a ação do Estado”, declarou o Secretário Extraordinária de Controle do Desmatamento, André Lima.

“O DETER NF é fruto de anos de pesquisa e desenvolvimento do INPE. Aplicamos técnicas avançadas de processamento de imagens com o uso de métodos de aprendizagem por máquina (Inteligência Artificial) para criar um sistema robusto e confiável que atende a uma necessidade urgente de proteção de todos os ecossistemas do bioma”, complementou o Coordenador do programa BiomasBR do INPE, Cláudio Almeida.

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Próximos Passos

Os alertas diários do DETER hoje já cobrem, mais de 75% do território nacional. Mas a meta é conseguir recursos para expandir o sistema para os biomas Mata Atlântica, Caatinga e Pampa, que ainda não tem cobertura diária.

Resultados recentes

Os dados do Deter para o mês de agosto/2025, divulgados na sexta (12/9), quando comparado com os dados de agosto/2024, mostram uma redução dos alertas de supressão de vegetação de 36,6% nos dados do Deter Amazônia (Florestal), uma redução de 27,3% nos alertas do bioma Cerrado, uma redução de 16,8% nos alertas do bioma Pantanal. Apenas nas áreas Não Florestais do bioma Amazônia houve um acréscimo de 8%. Os dados já estão disponíveis para consulta no portal TerraBrasilis.

Acesso aos Dados:

Os alertas do DETER Não Floresta estão disponíveis para toda a sociedade no portal do INPE:
TerraBrasilis: https://terrabrasilis.dpi.inpe.br/

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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MCTI defende fortalecimento da ciência e da soberania em política de minerais críticos

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Os minerais críticos vêm ganhando centralidade no cenário global. Os ingredientes invisíveis, ou terras raras, são a base material de tecnologias essenciais e viabilizam sistemas impulsionados pela transição energética e pela expansão de tecnologias digitais — de celulares a carros elétricos. O assunto está no debate central na agenda de ciência, tecnologia e, principalmente, inovação, além de ser estratégico para o desenvolvimento econômico e a soberania tecnológica do País. No Brasil, o tema avança no Congresso Nacional, com a proposta de criação de uma política nacional para o setor, citada no Projeto de Lei 2.780/2024.

A matéria em discussão estrutura uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta busca fomentar a pesquisa, a indústria, a distribuição, o comércio e o consumo dos produtos gerados. Além disso, ela cria um Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE) — que ficaria vinculado ao Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) e destinado à formulação de diretrizes com vistas ao desenvolvimento do setor mineral brasileiro.

Para o MCTI, o projeto de lei é um primeiro passo. “O projeto cria um arcabouço mínimo, mas não aprofunda essa questão”, avalia o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Rodrigues. De acordo com o ministério, a inclusão de recursos para ciência e tecnologia é um dos pontos positivos do texto, como a previsão de investimento mínimo de 0,4% da receita bruta das empresas em pesquisa e inovação. “O projeto avança ao destinar recursos para ciência, tecnologia e inovação. Não é o valor que desejávamos, mas foi o possível dentro do consenso político”, afirmou.

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O MCTI entende que o desenvolvimento pleno da cadeia produtiva exigirá medidas adicionais. “Se o projeto for entendido como suficiente, a gente continua na situação atual”, alertou Rodrigues, ao destacar que o Brasil ainda enfrenta limitações estruturais para avançar nas etapas de maior valor agregado.

A avaliação da pasta é que o projeto em tramitação deve ser visto como ponto de partida para uma agenda mais ampla. “Ele não é o fim da discussão. É o início”, disse.

Para o ministério, a futura política nacional de minerais críticos deve incorporar de forma central a dimensão científica e tecnológica, com metas claras e integração com outras estratégias de desenvolvimento. A expectativa é que, a partir da aprovação do projeto, o debate avance para novas iniciativas capazes de consolidar uma cadeia produtiva mais robusta e menos dependente de tecnologias externas.

Minerais críticos

“Os minerais críticos são fundamentais na economia digital e na transição energética, com aplicações que vão de comunicação crítica a materiais de alto valor tecnológico”, explica Luiz Rodrigues.

Além do potencial geológico, o cenário internacional reforça a importância do tema. Atualmente, a cadeia global de minerais críticos — especialmente no caso das terras raras — é concentrada. “Esse mercado hoje é fortemente concentrado, especialmente na China, o que abre uma oportunidade para o Brasil se posicionar e avançar na cadeia produtiva”, disse.

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Apesar das oportunidades, o avanço do País no setor depende de superar gargalos tecnológicos. Segundo Rodrigues, o domínio das etapas mais sofisticadas de processamento ainda é restrito a poucos países, o que limita a capacidade de agregação de valor. Segundo a Agência Internacional de Energia (International Energy Agency, IEA), a China responde por cerca de 91% do refino global de terras raras e cerca de 94% da produção de ímãs permanentes, etapa final de alto valor. “Não é só uma questão de investimento. É preciso investir em ciência, tecnologia e inovação e construir arranjos que deem capacidade ao País de avançar no processamento”, destacou.

Entre os desafios apontados estão a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa, fortalecer a articulação com a política industrial e desenvolver modelos institucionais capazes de viabilizar o processamento no País. “Sem ampliar o investimento em ciência, tecnologia e inovação e estruturar arranjos produtivos, não será possível avançar no processamento no Brasil”, afirmou.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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