Tribunal de Justiça de MT

Judiciário e demais órgãos avançam na criação da Rede Nacional de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso e diversos outros órgãos públicos e entidades deram anuência à minuta do decreto estadual que segue para o governador do Estado para instituir formalmente a Rede Estadual de Direitos da Pessoa Idosa do Estado do Mato Grosso – RENADI/MT, que tem como finalidade articular todas as organizações governamentais e não governamentais voltadas à prestação de serviço a essa parcela da população, nos âmbitos de todos os direitos fundamentais, como saúde, educação, lazer, cultura, trabalho, assistência social, direitos humanos, justiça e segurança pública.
 
A assinatura da minuta do decreto ocorreu nessa segunda-feira (07 de outubro), na sala de reuniões do TJMT. A reunião foi coordenada pelo desembargador Orlando Perri e contou com a presença de representantes do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), da Procuradoria Geral de Justiça, da Defensoria Pública Estadual (DPE-MT), das Secretarias de Estado de Segurança Pública; de Saúde; de Assistência Social; de Educação; de Cultura, Esporte e Lazer; de Infraestrutura; das Secretarias Adjuntas de Administração e Gestão do Trabalho e do Procon; da Polícia Judiciária Civil, do MT Prev, da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), do Conselho Estadual da Pessoa Idosa, do Conselho Municipal do Idoso de Cuiabá e da Fundação Abrigo Bom Jesus.   
 
“Nós tivemos uma consolidação da Renadi, que é justamente a Rede composta por todas as instituições que tem como missão prestar serviço à população idosa. Então o Renadi, agora presidida pelo desembargador Orlando Perri, mas com o Ministério Público, TCE e todas as secretarias envolvidas, dentre elas a Setasc, vamos agilizar e conseguir entregar um serviço com mais qualidade. Hoje os órgãos deram anuência a esse decreto, que vai ser publicado pelo Executivo, constituindo de uma maneira formal essa rede que já estava dialogando. Isso é uma grande conquista, principalmente para a pauta do idoso”, disse a secretária de Estado de Assistência Social e Cidadania, Grasielle Bugalho.
 
Na reunião, cada um dos representantes de instituições compartilhou informações que demonstram a situação precária com que a população idosa de Mato Grosso tem convivido, com carência de assistência nas mais diversas áreas, como acesso à saúde, segurança e convívio social. “Dentro de muito pouco tempo, nós vamos ter uma população muito mais de idosos do que de jovens, segundo o IBGE. E nós não temos abrigos públicos, não temos centros de convivências, não temos políticas públicas. Os nossos idosos, de modo geral, estão abandonados, estão trancafiados em suas casas enquanto seus filhos estão trabalhando. Hoje ouvimos aqui a presidente do Abrigo Bom Jesus dizer que tem 54 pessoas em fila de espera para abrigamento público. E eu ouso afirmar que temos muito mais, que esses 54 são apenas aqueles que realmente são os mais necessitados”, disse o desembargador Orlando Perri.
  
Um consenso entre os participantes da rede está a necessidade da criação urgente de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), o que deve ocorrer inicialmente nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop e Água Boa, onde as unidades devem ser construídas com R$ 21 milhões oriundos de acordo de delação premiada homologada pelo Judiciário mato-grossense.  “Nós conversamos com o relator de um determinado processo onde houve delação premiada, conversamos também com a Procuradoria de Justiça e foi determinado que R$ 21 milhões fossem destinados à criação de ILPIS no estado de Mato Grosso, mas, todos os anos, o delator vai ter que depositar R$ 7,5 milhões e nós pretendemos que esses recursos sejam aplicados anualmente exclusivamente na criação de novos abrigos”, informou Perri.
  
Para o presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa e presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da OAB-MT, Isandir Rezende, a assinatura da anuência de decreto de criação da Renadi-MT representa a consolidação de um trabalho que o Conselho Estadual iniciou em 2020. “Estamos concretizando essa realização através do Tribunal de Justiça. O desembargador Orlando Peri abraçou a causa e eu quero agradecer ao Tribunal de Justiça, ao Tribunal de Contas, a Promotoria, o Poder Legislativo, a Defensoria Pública. É o Estado assumindo o papel dele, a responsabilidade, de acordo com a Lei 10.741, de dar à pessoa idosa total guarida, total proteção, assim como está na Constituição Federal. É um passo importante, é um desafio, é uma política pública diferenciada de tudo aquilo que já ouvimos falar porque os atos que acontecem contra os idosos são silenciosos, ou é a violência financeira, ou familiar. Mas a partir do momento em que você implanta uma rede, eu acredito que nós vamos sim conseguir ser um estado e uma sociedade civil justa com as pessoas idosas”.
 
De acordo com a defensora pública e membro do Conselho Estadual da Pessoa Idosa, Elianeth Nazário, a formação da Rede Estadual de Direitos da Pessoa Idosa do Estado do Mato Grosso será importante para esse público que, segundo ela, é composto majoritariamente por pessoas que estão esquecidas, apesar de representarem mis de 10% da população. “Nós, da Defensoria Pública, desde 2016, temos feito sessões de mediação com familiares que cuidam de idosos e a gente se depara exatamente com essa falta de rede de trabalho em conjunto para possibilitar o cuidado. Por exemplo: você tem um idoso que mora no bairro, mas a unidade básica de saúde não atende, que precisa de um meio específico de locomoção que o Município também não presta. Nós precisamos de um trabalho em rede para que esse idoso possa receber todo e qualquer tipo de serviço”, reforça.
 
Mapeamento estadual – Também durante a reunião coordenada pelo desembargador Orlando Perri, foi apresentado um relatório produzido pelo Tribunal de Contas do Estado, que questionou a todos os municípios mato-grossenses sobre a existência de Conselhos Municipais e Fundos Municipais da Pessoa Idosa, além da efetividade desses mecanismos de atuação.
 
Apenas 99 dos 142 municípios responderam aos questionamentos. Com apoio do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa, a equipe de auditores do TCE conseguiu apurar que, até o dia 4 deste mês, 132 municípios contavam com Conselhos da Pessoa Idosa, porém, apenas 88 são ativos, o que se pôde comprovar por meio de atas de reuniões dos conselheiros. Além disso, 95 municípios mato-grossenses dispõem de Fundo para arrecadar recursos exclusivos para políticas públicas para a população idosa.  

#Paratodosverem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: Foto em plano aberto que mostra a sala de reuniões do TJMT com a mesa repleta de autoridades e representantes de instituições. O desembargador Orlando Perri está na cabeceira da mesa, ladeado pela presidente da OAB-MT, Gisela Cardoso; e do procurador-geral da Justiça, Deosdete Cruz Júnior.
  
Celly Silva/ Fotos:Eduardo Guimarães 
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT  
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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