Tribunal de Justiça de MT

Judiciário participa do Dia do Orgulho LGBTQIAPN+ no Centro de Ressocialização de Várzea Grande

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Uma equipe do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo de Mato Grosso (GMF-MT), composta pelo juiz coordenador, Geraldo Fidelis, e servidoras do Poder Judiciário de Mato Grosso participaram do evento “Dignidade e Orgulho LGBTQIAPN+”, realizado no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, nesta sexta-feira (28 de junho), em alusão ao Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAP+.
 
A unidade prisional é referência na baixada cuiabana por contar com uma ala destinada às pessoas que se identificam com umas das identidades de gênero previstas na sigla LGBTQIAP+ (lésbica, gay, bissexual, transgênero, queer, intersexual, assexual, pansexual, não binários (es) e outras identidades de gênero e orientações sexuais que não se encaixam no padrão cis-heteronormativo. Atualmente, 58 pessoas encontram-se nessa ala.
 
Na quinta-feira (27), eles foram contemplados com uma oficina de penteados em cabelos afro, tranças e maquiagem, oferecida em parceria com o salão de beleza Mizizi Espaço Afro. Nesta sexta-feira (28), as pessoas privadas de liberdade fizeram apresentações de música e teatro, no auditório da unidade prisional. Eles também ganharam kits de higiene doados pela Fundação Nova Chance e pelo Escritório Social.
 
Coordenador do GMF-MT, o juiz Geraldo Fidelis ressalta a necessidade de que ações que visem a ressocialização dessa parcela da população carcerária sejam realizadas de forma permanente. “É importante que o dia de hoje destaque essa atenção, mas que não fique só nesse dia, que realmente se implementem as políticas necessárias para atenção a todas as pessoas, todas as diferenças. Todos devem ser abraçados e atendidos nas suas semelhanças e nas suas diferenças também, sempre preservando as orientações de cada um. E nós , do GMF, buscamos esse abraçamento junto com o sistema penitenciário, essa atenção tão singular ao público LGBTQIA+ também”, disse.
 
De acordo com o presidente da Associação Mais Liberdade, Sandro Augusto Lohmann, o Dia do Orgulho LGBTQIAPN+ surgiu de um movimento de resistência contra a violência policial a esse público, em Nova York, em 1969, e que, nos dias de hoje, essa parcela da população ainda precisa resistir e se afirmar frente ao preconceito que ainda existe.
 
“Quando a gente fala em orgulho LGBT dentro das unidades prisionais, a gente fala sobre resistir mesmo, sobreviver ao cárcere. Porque ser LGBT na sociedade é um movimento de resistência. Ser LGBT dentro de uma unidade prisional, militarizada, extremamente hostil, heteronormativa é duplamente um movimento de resistência. Então, comemorar o Dia do Orgulho LGBTQIA+ dentro de uma unidade prisional é muito significativo porque essas pessoas literalmente sobrevivem à margem da sociedade, às margens do Estado, do abandono familiar. Então nós viemos trazer qualificação, mas também a mensagem de esperança”.
 
Conforme a psicóloga do CRI Ahmenon Lemos Dantas, Lia Petrenko, a unidade passou a receber pessoas do público LGBTQIAPN+ no ano passado, após o fechamento do Centro de Ressocialização de Cuiabá. A unidade conta com uma equipe composta por médico, enfermeiro, psicólogas, pedagogas, assistentes sociais e outros servidores administrativos, que buscam meios de promover a ressocialização desse grupo, respeitando os potenciais específicos.
 
“Hoje estamos dando continuidade no projeto Saúde e bem viver, que é especifico da ala LGBT. Temos como objetivo trabalhar as demandas desse público, que chegou pra gente em 2023 e percebemos que eles precisavam desse olhar diferenciado. Hoje, como é o dia internacional do orgulho LGBT, não poderíamos deixar passar em branco e através desse dia a gente quer dar a continuidade nesse projeto”.
 
#ParaTodosVerem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1:pessoas privadas de liberdade sentadas nas cadeiras do auditório, que está cheio. Algumas delas estão com tranças coloridas no cabelo. A maioria usa camiseta branca.
 
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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“Quando o Estado entra só para reprimir, atua nas consequências”, afirma juíza sobre infância

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“Quando o Estado entra apenas para reprimir, já estamos trabalhando com as consequências.” A afirmação da juíza auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso, Anna Paula Gomes de Freitas, feita durante o 1º Encontro dos Direitos e Garantias Fundamentais de Crianças e Adolescentes na Perspectiva Nacional e Internacional e o 5º Encontro Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Mato Grosso, realizados nos dias 18 e 19 de maio, em Cuiabá, aponta para a necessidade das instituições públicas atuarem mais preventivamente para melhor proteger os direitos fundamentais desses segmentos da população, hoje expostos às mais diversas formas de violência.

Coordenadora do evento, a magistrada defendeu o fortalecimento das ações preventivas e da rede de proteção diante do avanço de problemas que atingem diretamente crianças e adolescentes, como violência digital, vulnerabilidade social e recrutamento por facções criminosas.

A juíza ponderou que a programação foi construída a partir das situações que mais têm impactado a vida de crianças e adolescentes na atualidade.

“Nós selecionamos esses temas pensando no que vem atingindo mais a vida das crianças e adolescentes atualmente. Nós temos fases, ora são as facções criminosas, ora o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital. Estamos vivendo um tempo em que as crianças estão sendo altamente prejudicadas pelo uso indiscriminado da internet”, afirmou.

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Anna Paula Gomes de Freitas alertou para os efeitos emocionais provocados pela exposição excessiva às redes sociais e pelo ambiente virtual sem acompanhamento adequado.

“O uso excessivo das redes por parte das crianças e adolescentes vem deixando-os ansiosos, talvez até tendentes ao suicídio. Nós estamos preocupados com esses temas e, com base nisso, fizemos a seleção daquilo que deve ser tratado aqui e do que vem apresentando os maiores problemas atualmente na proteção e defesa dos direitos das crianças e adolescentes”, destacou.

Realizado em 18 de maio, data que marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o encontro também trouxe para o centro das discussões a necessidade de fortalecer a atuação preventiva do Estado e da rede de proteção.

“Essa é a principal preocupação da rede de proteção: estar fortalecida. Falta o Estado estar mais presente, dar mais respostas, não só no sentido de punição, mas principalmente no sentido de apoio”, ressaltou a juíza.

De acordo com a coordenadora do evento, muitas famílias em situação de vulnerabilidade precisam de suporte para evitar que crianças e adolescentes sejam expostos a riscos e à criminalidade.

“A maioria dessas famílias é vulnerável. Elas precisam de uma estrutura, de apoio do Estado, para tirar os filhos de situações em que eles se colocam à mercê do risco”, pontuou.

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Ao defender políticas públicas mais efetivas e integradas, Anna Paula Gomes de Freitas reforçou que o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes deve priorizar a prevenção.

“Nós precisamos adiantar um passo nesse sentido para atuar mais preventivamente. Precisamos estar mais presentes, não só na educação, mas também na preparação dessas crianças, adolescentes e famílias, para que eles não cheguem a entrar em situação de risco”, concluiu.

Além do Poder Judiciário de Mato Grosso, do Ministério Público Estadual e da Faculdade Autônoma de Direito (Fadisp), participam da organização dos encontros a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis), Escola dos Servidores, Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ), Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente e o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf). O evento conta ainda com apoio da Fundação Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso (FESMP-MT).

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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