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Lagartas desafiam milho safrinha 2025 no Cerrado e alertam para risco de quebra de resistência Bt

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A segunda safra de milho de 2025 no Cerrado brasileiro vem sendo marcada por uma preocupação crescente: o avanço de lagartas nas lavouras, inclusive em áreas cultivadas com híbridos Bt. O aumento populacional das pragas, a necessidade de mais aplicações de inseticidas e relatos de quebra de resistência genética acendem o alerta para a necessidade de manejo integrado e disciplina técnica no campo.

Safrinha estratégica enfrenta desafios fitossanitários

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento, o milho de segunda safra continua sendo essencial para o abastecimento nacional, respondendo por uma fatia expressiva da produção total do grão. Entretanto, condições climáticas adversas e problemas fitossanitários têm limitado o potencial produtivo em várias regiões do Cerrado, especialmente onde a pressão de pragas é mais intensa.

A principal ameaça continua sendo a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), considerada o maior desafio da safra. Há relatos de campo sobre resistência a algumas tecnologias Bt, inclusive às mais modernas, levando produtores a realizar de seis a sete pulverizações em determinadas áreas. Essa praga causa danos severos no estágio inicial da planta, podendo provocar o chamado “coração morto” e reduzir significativamente o estande.

Complexo de lagartas amplia o risco no campo

Além da lagarta-do-cartucho, outras espécies têm ganhado importância. O complexo Spodoptera vem se espalhando pelas lavouras, e a Helicoverpa armigera volta a ser observada com frequência, elevando a complexidade do controle. Já a lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus) tem encontrado condições ideais no clima quente e seco, atacando a base da planta e comprometendo o vigor inicial do milho.

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Segundo a Embrapa, infestações severas de lagarta-do-cartucho podem reduzir a produtividade em até 60%, dependendo da fase de desenvolvimento e da intensidade do ataque. O quadro é agravado por fatores como:

  • Perda de eficiência de tecnologias Bt, com maior pressão seletiva;
  • Altas temperaturas, que aceleram o ciclo biológico das pragas;
  • “Ponte verde” entre soja e milho, facilitando a migração precoce das lagartas para a safrinha.
Manejo técnico e monitoramento se tornam decisivos

Para Edir Eraldo Pfeifer, especialista em desenvolvimento de mercado da Ourofino Agrociência, o momento exige vigilância constante e disciplina técnica:

“O produtor precisa reforçar o monitoramento e não confiar apenas na tecnologia Bt do híbrido. A vistoria deve ser frequente, principalmente entre os estádios V8 e V10, quando o milho é mais sensível. Antecipar o controle é determinante para evitar perdas expressivas”, afirma.

Manejo Integrado de Pragas (MIP) e Rotação de Ações Ganham Força

Diante do cenário atual, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e o Manejo de Resistência de Insetos (IRM) ganham protagonismo. Entre as principais recomendações estão:

  • Monitoramento constante da lavoura;
  • Aplicações direcionadas ao cartucho, priorizando lagartas menores que 1 cm;
  • Rotação de mecanismos de ação, evitando repetição de ingredientes ativos;
  • Integração de controle biológico e tratamento de sementes, para conter ataques iniciais.

“Rotacionar produtos é um dos pilares para manter a eficiência das ferramentas disponíveis”, reforça Pfeifer.

Tecnologias de controle: inovação com foco em eficiência e sustentabilidade

Entre as ferramentas utilizadas no campo está o Goemon®, inseticida desenvolvido pela Ourofino Agrociência em parceria com a multinacional ISK. Formulado com ciclaniliprole, pertencente ao grupo químico das diamidas, o produto atua sobre os receptores musculares das lagartas, causando paralisação alimentar rápida e morte subsequente.

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Indicado para o controle de Spodoptera frugiperda e Helicoverpa armigera, o inseticida apresenta amplo espectro de ação e seletividade a inimigos naturais, fator essencial dentro de estratégias de MIP.

“Mais do que eliminar a praga, é fundamental adotar soluções que preservem a eficácia no longo prazo e respeitem o equilíbrio do sistema produtivo”, destaca Bárbara, porta-voz técnica da empresa.

Uso responsável da biotecnologia é essencial para preservar resultados

A tecnologia Bt — baseada em proteínas da bactéria Bacillus thuringiensis — é uma das principais ferramentas no controle de lagartas. No entanto, seu uso contínuo, sem rotação de mecanismos de ação ou implantação de áreas de refúgio, aumenta o risco de resistência nas populações de pragas, reduzindo a eficácia ao longo do tempo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações do Rio Grande do Sul somam US$ 4,4 bilhões no 1º trimestre de 2026, com destaque para carnes

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As exportações do Rio Grande do Sul totalizaram US$ 4,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Em termos nominais, o resultado representa o quarto maior valor da série histórica iniciada em 1997, evidenciando a relevância do estado no comércio exterior brasileiro.

Carnes impulsionam desempenho da pauta exportadora

Entre os principais produtos exportados, o destaque ficou para o segmento de proteínas animais e animais vivos.

As exportações de carne suína registraram crescimento expressivo de 49,6%, com incremento de US$ 75,8 milhões. Também apresentaram avanço:

  • Vendas de bovinos e bubalinos vivos: alta de US$ 57,2 milhões;
  • Carne bovina: aumento de US$ 33,7 milhões.

O desempenho positivo desses produtos contribuiu para amenizar as perdas em outros segmentos relevantes da pauta exportadora.

Exportações caem em relação a 2025

Na comparação com o mesmo período de 2025, o valor total exportado pelo estado apresentou retração de 7,5%, o equivalente a uma queda de US$ 357,4 milhões.

O recuo foi influenciado principalmente pela redução nas vendas de produtos estratégicos:

  • Soja em grão: queda de 77,0% (-US$ 188,3 milhões);
  • Fumo não manufaturado: retração de US$ 172,9 milhões;
  • Celulose: recuo de US$ 68,1 milhões;
  • Polímeros de etileno: diminuição de US$ 45,5 milhões.
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Estado mantém posição no ranking nacional

Apesar da retração no valor exportado, o Rio Grande do Sul manteve a sétima colocação entre os principais estados exportadores do país.

O estado ficou atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará e Paraná. No entanto, houve redução na participação relativa, que passou de 6,2% para 5,3% no período analisado.

Diversificação de destinos marca exportações gaúchas

No primeiro trimestre de 2026, o Rio Grande do Sul exportou para 169 destinos, reforçando a diversificação de mercados.

Os principais compradores foram:

  • União Europeia: 12,2% das exportações;
  • China: 9,2%;
  • Estados Unidos: 7,3%.

Entre os parceiros comerciais, a China apresentou a maior queda em termos absolutos, com retração de US$ 301,6 milhões, impactada pela redução nas compras de soja e fumo.

Os Estados Unidos também registraram recuo relevante (-US$ 148,7 milhões), influenciado principalmente pelos setores florestal e de armas e munições.

Egito e Filipinas ganham destaque nas compras

Em contrapartida, alguns mercados ampliaram significativamente suas importações de produtos gaúchos.

Destacam-se:

  • Egito: aumento de US$ 105,1 milhões;
  • Filipinas: alta de US$ 104,5 milhões.
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O crescimento foi impulsionado principalmente pelas vendas de cereais e carnes.

Cenário internacional pressiona comércio exterior

O desempenho das exportações do estado ocorre em meio a um ambiente global de incertezas.

As vendas para o Irã, que representaram 1,8% do total exportado, recuaram 5,5% no período, refletindo impactos de sanções econômicas e restrições financeiras que historicamente afetam as relações comerciais com o país.

No caso dos Estados Unidos, a queda de 31,9% nas exportações foi superior à média geral do estado. O resultado está ligado, entre outros fatores, ao desempenho do setor de armas e munições, sensível a mudanças regulatórias e tarifárias.

Perspectivas indicam cenário desafiador

Apesar do bom desempenho de segmentos como o de carnes, a retração em produtos-chave como soja e celulose evidencia os desafios enfrentados pelo estado no comércio internacional.

O cenário para os próximos meses seguirá condicionado à demanda global, às condições de mercado e ao ambiente geopolítico, fatores que devem continuar influenciando o desempenho das exportações gaúchas ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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