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Leilões de três terminais portuários garantem mais de R$ 226 milhões em investimentos privados

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O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) realizaram nesta quinta-feira (26), na B3, em São Paulo, o leilão do primeiro bloco de arrendamentos portuários de 2026. O certame assegurou a contratação de três terminais estratégicos, nos portos de Santana (AP), Natal (RN) e Porto Alegre (RS), com previsão de mais de R$ 226 milhões em investimentos privados.

O ministro Silvio Costa Filho destacou a confiança do mercado no ambiente regulatório brasileiro e o compromisso do governo com uma agenda equilibrada de grandes projetos e desenvolvimento regional. “Quero agradecer ao setor produtivo brasileiro por, mais uma vez, acreditar no nosso país e na agenda de concessões que estamos conduzindo. Temos trabalhado com atenção tanto aos grandes leilões, como Tecon Santos 10 e São Sebastião, quanto aos projetos que fortalecem o desenvolvimento regional. Esse avanço é resultado de um esforço coletivo de todas as instâncias do Brasil. Nada disso aconteceria sem essa parceria. Quando há um esforço coletivo e vontade de fazer, as coisas efetivamente acontecem”, disse.

Temos trabalhado com atenção tanto aos grandes leilões, como Tecon Santos 10 e São Sebastião, quanto aos projetos que fortalecem o desenvolvimento regional. 
Silvio Costa Filho

O diretor-geral da Antaq, Frederico Dias, destacou o protagonismo do setor portuário na agenda de concessões e o ambiente institucional construído nos últimos anos. “O setor portuário tem sido o carro-chefe no número de leilões, e ficamos muito felizes por estarmos conseguindo dar essa resposta para a sociedade. Isso é reflexo de um ambiente que demonstra segurança jurídica, uma carteira de bons projetos e uma articulação institucional eficaz”, afirmou ele.

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Já o secretário nacional de Portos, Alex Ávila, ressaltou o ritmo da agenda de concessões e o impacto direto dos leilões na ampliação da capacidade logística do país. “Com os certames realizados na atual gestão do governo federal, chegamos a 29 leilões, um marco importante para o Ministério de Portos e Aeroportos. Para efeito de comparação, entre 2019 e 2022 foram realizados 27 leilões. Esse número demonstra o empenho do governo em ampliar investimentos, fortalecer a infraestrutura e aumentar a capacidade operacional dos nossos portos. O resultado aparece na melhoria dos serviços prestados pelos terminais e na maior eficiência logística para quem produz e exporta no Brasil.”

Porto de Santana (AP)
Arrematado pela empresa CS Infra S.A., o Terminal MCP01 é o ativo que receberá o maior volume de investimentos. Com área de 30.546 m² e capacidade dinâmica anual estimada em 1,2 milhão de toneladas, o terminal será destinado à movimentação e armazenagem de granéis sólidos vegetais.

Com investimentos estimados em R$ 150,2 milhões e prazo contratual de 25 anos, o projeto de concessão prevê melhorias em infraestrutura, aquisição de equipamentos e intervenções em áreas comuns do porto.

O presidente da CS Infra, Fernando Quintas, destacou a experiência da empresa. “A experiência já adquirida em outros portos, como no de Aratu, na Bahia, é o que dá base para a CS Infra integrar uma operação eficiente, segura e com alto padrão de serviços também no Porto de Santana”, afirmou.

Porto de Natal (RN)
Arrematado pela Fomento do Brasil Mineração S.A., o terminal nordestino ocupa área de 20.368,15 m² e será voltado à movimentação de granéis sólidos minerais. O contrato terá prazo de 15 anos e prevê cerca de R$ 55 milhões em investimentos.

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As obras civis, estimadas em aproximadamente R$ 31 milhões, incluem pavimentação, instalação de sistema de drenagem para efluentes de minério e construção de uma barreira de vento de 11 metros. Outros R$ 24 milhões serão destinados à aquisição de equipamentos, como carregador móvel de navios, seis pás carregadeiras, balanças rodoviárias e canhões de névoa.

Em seu discurso, o CEO e fundador da Fomento do Brasil, Anuj Timblo, destacou a importância do projeto. “Para a Fomento, esse projeto representa muito mais que um investimento; representa uma parceria de longo prazo”, afirmou.

Porto de Porto Alegre (RS)
O Sul do país também foi contemplado. Arrematado pelo Consórcio Portos do Sul, formado pelas empresas Soluções Inteligentes Operadores Portuários Ltda e Simetria Transportes e Armazéns Gerais Ltda, o Terminal POA26 receberá investimentos de R$ 21,13 milhões, com contrato de 10 anos.

Em uma área de 22.052,40 m², o terminal será destinado à movimentação e armazenagem de granéis sólidos, como grãos e fertilizantes. O projeto prevê a construção de armazéns e a modernização da infraestrutura existente.

“Hoje é dia de comemorar, mas amanhã é dia de arregaçar as mangas para esse desafio”, afirmou o diretor do consórcio, João Ricardo de Andrade Chaves.

Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos

Fonte: Portos e Aeroportos

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MTE resgata duas trabalhadoras submetidas a condições análogas à escravidão em Santa Catarina

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O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Auditoria-Fiscal do Trabalho, resgatou duas trabalhadoras submetidas a condições análogas à escravidão em ações realizadas no estado de Santa Catarina (SC) durante o mês de maio. As operações ocorreram nos municípios de Benedito Novo, no Vale do Itajaí, e em Florianópolis, e contaram com atuação conjunta de órgãos públicos de proteção aos direitos humanos e trabalhistas.

No município de Benedito Novo, a ação realizada em 12 de maio reuniu equipes da Auditoria-Fiscal do Trabalho do MTE, Polícia Federal (PF), Ministério Público do Trabalho (MPT), Defensoria Pública da União (DPU), além de profissionais das áreas de psicologia e assistência social. Durante a fiscalização, foi resgatada uma mulher de 40 anos submetida a mais de quatro décadas de exploração doméstica praticada pelos próprios familiares em uma propriedade rural da região.

As diligências foram iniciadas após denúncias sobre possíveis violações de direitos humanos e trabalhistas no local. Segundo informações da equipe de Auditoria-Fiscal do Trabalho, a vítima vivia em situação de trabalho forçado doméstico, submetida a jornadas exaustivas, condições degradantes e restrição de locomoção.

No início da operação, os familiares da trabalhadora resistiram à entrada das equipes e tentaram impedir o contato da fiscalização com a vítima. Mesmo diante da presença policial, houve ameaças aos agentes públicos, incluindo intimidações com uso de facas.

Após a contenção da situação, as equipes conseguiram conversar com a trabalhadora, que apresentava sinais de neurodivergência e forte temor de deixar a residência. De acordo com os relatos obtidos durante a fiscalização, ela realizava atividades domésticas permanentes desde a infância, sem remuneração, autonomia ou acesso a direitos trabalhistas.

O MTE também constatou condições precárias de habitação e fortes indícios de isolamento social. Relatos de moradores da região indicavam que a vítima raramente era vista fora da propriedade.

Na mesma propriedade, a fiscalização identificou ainda uma serraria funcionando de forma irregular, com trabalhadores sem registro formal e expostos a graves riscos de acidentes. Máquinas artesanais operavam sem proteção adequada, sem treinamento de segurança e sem fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Um dos trabalhadores informou atuar no local há mais de dois anos sem acesso a direitos trabalhistas. Segundo relatos colhidos pela fiscalização, a serraria contava com pelo menos cinco trabalhadores em situação informal.

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Já em Florianópolis, em outra operação conjunta, a equipe de Inspeção do Trabalho identificou, no início de maio, uma trabalhadora doméstica etíope, de 34 anos, submetida a condições análogas à escravidão em uma residência localizada em condomínio fechado no bairro Rio Tavares.

A fiscalização constatou indícios de jornadas exaustivas, violência psicológica, retenção de documentos e restrição de liberdade. A vítima havia sido contratada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, por intermédio de uma empresa estrangeira de serviços domésticos identificada como Maids Domestic Workers Services L.L.C., e trazida ao Brasil por um casal formado por um homem brasileiro e uma mulher árabe, sem visto de trabalho regular.

Segundo relatos colhidos durante o atendimento, a trabalhadora era submetida a jornadas diárias das 7h às 22h30, inclusive aos finais de semana, acumulando atividades de limpeza, preparo de alimentos, cuidados com os filhos da família e com os animais de estimação da residência.

A vítima relatou episódios constantes de violência psicológica, verbal e moral, marcados por gritos, insultos, ameaças e intimidações. Também foram relatadas tentativas de agressão física e arremessos de objetos em sua direção, criando um ambiente permanente de medo e pressão emocional.

Os empregadores também retiveram os documentos pessoais da trabalhadora, incluindo o passaporte, restringindo sua liberdade de locomoção e dificultando qualquer possibilidade de busca por ajuda. Temendo por sua integridade física, a vítima fugiu da residência durante a noite levando apenas as roupas do corpo e um aparelho celular.

Após horas perambulando pelas ruas, conseguiu pedir ajuda utilizando ferramentas de tradução no celular para se comunicar com pessoas que encontrou pelo caminho. A trabalhadora foi inicialmente acolhida pela rede pública de segurança, saúde e assistência social, que posteriormente acionou o MTE para atendimento especializado.

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Durante o atendimento, a vítima informou desejar interromper imediatamente a relação de trabalho em razão das violências sofridas, da carga horária excessiva e da privação de liberdade. Ela também relatou que os empregadores condicionavam a devolução de seus documentos e pertences pessoais ao pagamento de supostas dívidas relacionadas a passagens aéreas, emissão de visto, alimentação e outras despesas.

As equipes do MTE e da rede de acolhimento confirmaram que, mesmo após a fuga, a trabalhadora continuou recebendo mensagens intimidatórias e acusações falsas por parte dos empregadores. Sem rede de apoio no Brasil e desconhecendo seus direitos, a vítima apresentava forte abalo emocional no momento do acolhimento pelos órgãos públicos.

Nos dois casos, as trabalhadoras resgatadas foram encaminhadas para atendimento especializado nas áreas de saúde, assistência social e apoio psicossocial. Os órgãos responsáveis também adotaram as providências cabíveis para investigação e responsabilização dos envolvidos.

O Ministério do Trabalho e Emprego reforça que o combate ao trabalho análogo ao de escravo tem como objetivo proteger a dignidade humana e assegurar condições mínimas de liberdade, saúde e segurança aos trabalhadores. A prática pode ser caracterizada não apenas pela restrição física de liberdade, mas também por jornadas exaustivas, condições degradantes de trabalho, retenção de documentos, violência psicológica e mecanismos de coação que impeçam a autonomia da vítima.

Denúncias

Casos de trabalho análogo ao de escravo podem ser denunciados de forma anônima e segura por meio do Sistema Ipê, plataforma gerenciada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A ferramenta fortalece o combate a essas violações por meio da participação ativa da sociedade.

 

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

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