Tecnologia

Maria Augusta Arruda é eleita para conselho científico internacional do ICGEB

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A diretora do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Maria Augusta Arruda, foi eleita para integrar o Conselho de Assessores Científicos (CSA) do Centro Internacional de Engenharia Genética e Biotecnologia (ICGEB), uma das principais organizações intergovernamentais internacionais para pesquisa, treinamento e transferência de tecnologia em Ciências da Vida e Biotecnologia. A eleição ocorreu durante a 32ª Reunião do Conselho de Governadores da instituição, em 19 e 20 de maio, na Cidade do Cabo, África do Sul. 

O encontro reuniu representantes de 69 países-membros para discutir estratégias para o fortalecimento da cooperação internacional em biotecnologia, desenvolvimento de capacidades científicas, inovação em saúde, segurança alimentar e transferência de tecnologia. O evento também destacou o papel da biotecnologia no enfrentamento de desafios globais relacionados à saúde pública, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável. 

O Brasil participou do encontro representado pela secretária de Políticas e Programas Estratégicos (Seppe) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Andrea Latgé. Ela acompanhou as discussões sobre cooperação científica internacional e destacou a importância da presença brasileira em espaços estratégicos para o desenvolvimento da ciência e da inovação. 

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“A eleição de Maria Augusta para o Conselho de Assessores Científicos do ICGEB evidencia a excelência da pesquisa brasileira e a capacidade dos nossos cientistas de contribuir para agendas globais em áreas estratégicas como saúde, biotecnologia e inovação. Essa participação fortalece a presença do Brasil nos principais espaços internacionais de cooperação científica”, afirmou Andrea Latgé. 

Maria Augusta Arruda destacou que a sua nomeação representa um reconhecimento da ciência produzida no Brasil e uma oportunidade de ampliar a participação do País em debates internacionais sobre biotecnologia, inovação em saúde e cooperação científica. “Recebo essa nomeação com muita honra e senso de responsabilidade. Integrar o CSA do ICGEB é uma oportunidade de levar a perspectiva da ciência brasileira para um espaço internacional dedicado ao fortalecimento da biotecnologia e da cooperação científica”, afirmou a diretora. 

O Conselho de Assessores Científicos do ICGEB é composto por quinze cientistas internacionais com atuação de destaque nas ciências da vida. Os integrantes assessoram as estratégias científicas e os programas desenvolvidos pela instituição e exercem mandatos de três anos, com possibilidade de renovação.   

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À frente do Laboratório Nacional de Biociências, Maria Augusta lidera grupos de pesquisa que utilizam abordagens de biologia integrativa em estudos desde o desenvolvimento sustentável até a descoberta de fármacos e as interações hospedeiro-patógeno. 

A pesquisadora tem trajetória consolidada no Brasil e no exterior. Foi professora sênior da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz e atuou por 12 anos na Universidade de Nottingham, no Reino Unido, em iniciativas ligadas à cooperação científica internacional e ao desenvolvimento de pesquisadores. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Tecnologia

Brasil fortalece cooperação internacional para transformar compromissos climáticos em projetos financiáveis

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Transformar compromissos climáticos em soluções concretas para a população passou a ser uma das prioridades estratégicas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Em meio ao avanço dos eventos extremos, da pressão sobre os sistemas produtivos e da necessidade de acelerar a transição ecológica, o governo brasileiro tem ampliado sua atuação internacional para fortalecer mecanismos capazes de conectar ciência, financiamento e tecnologia. 

Nesse contexto, o ministério conta com o apoio do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) na construção de propostas técnicas para apoiar a implementação dos compromissos firmados durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), em novembro de 2025, por meio do Programa de Implementação Tecnológica de Belém (BTIP, na sigla em inglês). A iniciativa integra o Mecanismo de Tecnologia da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e busca ampliar o uso de tecnologias climáticas em países em desenvolvimento. 

A atuação brasileira ganhou ainda mais relevância após o País assumir, pela primeira vez, a presidência do Comitê Executivo de Tecnologia da UNFCCC, órgão responsável por produzir análises e recomendações sobre desenvolvimento e transferência de tecnologias climáticas. O posto passou a ser ocupado pelo coordenador de Assuntos Científicos e Tecnológicos do Departamento de Clima do Ministério das Relações Exteriores, Pedro Ivo Ferraz da Silva. Segundo o diplomata, os estudos recentes elaborados pelo CGEE ajudam a estruturar os próximos passos da agenda climática internacional. 

“O Brasil tem trabalhado e refletido muito sobre como operacionalizar o BTIP. As publicações recentes do CGEE devem nos ajudar a pensar em quais mecanismos criar e quais arranjos de processos estabelecer para efetivamente colocar em prática o que foi decidido em Belém”, afirmou. 

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Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o BTIP representa uma nova etapa da agenda climática internacional, baseada na capacidade dos países de transformar conhecimento científico em soluções aplicadas e ampliar o uso de tecnologias climáticas. 

“Não existe enfrentamento da crise climática sem ciência, tecnologia e inovação. O que o Brasil está defendendo no âmbito do BTIP é que os países em desenvolvimento tenham condições reais de acessar tecnologias, fortalecer suas capacidades nacionais e transformar conhecimento em soluções concretas para proteger a população, gerar desenvolvimento sustentável e construir soberania tecnológica. A agenda climática do futuro passa necessariamente pela capacidade de implementar inovação em larga escala”, afirmou a ministra. 

Da assistência técnica à implementação 

Os estudos desenvolvidos pelo CGEE partem de um diagnóstico recorrente nas negociações internacionais sobre clima: fragmentação entre assistência técnica, financiamento, regulação e implementação de projetos. 

Segundo os documentos, a principal barreira para ampliar tecnologias climáticas não é a ausência de soluções técnicas, mas a dificuldade de transformar prioridades nacionais em projetos financiáveis e executáveis — processo conhecido como vale da morte da inovação climática. 

Para enfrentar esse desafio, o centro elaborou dois documentos voltados à operacionalização do BTIP. 

O primeiro é o Position Paper Operationalising the Belém Technology Implementation Programme From Mandate to Action: A Proposal for Integrated Implementation Position. O texto apresenta sugestões para estruturar mecanismos permanentes de coordenação, financiamento e implementação tecnológica climática. 

Programa de Implementação Tecnológica de Belém - BTIP (1).png
Ascom/MCTI

O estudo propõe substituir modelos fragmentados de financiamento por portfólios programáticos de tecnologia, capazes de reunir projetos de diferentes setores e países em programas estruturados e financiáveis. A medida busca ampliar escala, reduzir riscos e atrair recursos internacionais. 

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Nova arquitetura para ação climática 

O segundo documento, intitulado A New Architecture for Climate Technology Implementation: The Belém Technology Implementation Programme (BTIP) in Practice, apresenta uma análise sobre as mudanças institucionais aprovadas na COP30 e propõe uma estrutura integrada para acelerar a implementação tecnológica climática.  

O texto defende a transição de um modelo baseado em projetos isolados para uma arquitetura coordenada, orientada à implementação em larga escala e à integração entre inovação, financiamento e políticas públicas.  

MECANISMOS PARA ACELERAR A IMPLEMENTAÇÃO DE TECNOLOGIAS CLIMÁTICAS (1).png
Ascom/MCTI

Os documentos também reforçam a importância da cooperação Sul-Sul, da valorização de tecnologias desenvolvidas localmente e da inclusão de comunidades vulneráveis, povos indígenas, mulheres e juventudes nos processos de implementação climática. 

Ciência, clima e desenvolvimento 

A agenda climática tem sido tratada pelo MCTI como uma das áreas estratégicas para o desenvolvimento nacional. Nos últimos anos, o ministério ampliou iniciativas ligadas ao monitoramento ambiental, transição energética, bioeconomia, inteligência artificial aplicada ao clima e fortalecimento da infraestrutura científica voltada à sustentabilidade. 

Segundo o CGEE, o objetivo do BTIP é justamente criar mecanismos permanentes capazes de integrar prioridades climáticas, financiamento e implementação tecnológica em larga escala, fortalecendo a capacidade dos países em desenvolvimento de executar projetos estruturantes alinhados ao Acordo de Paris. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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