Mato Grosso pode se consolidar como referência internacional em gestão educacional. A avaliação é do economista peruano Jaime Saavedra-Chanduvi, ex-ministro da Educação do Peru e atual diretor de Desenvolvimento Humano para a América Latina e Caribe do Banco Mundial, que esteve no estado na última semana em missão oficial.
A visita integrou a agenda de acompanhamento do Projeto Aprendizado Digital, Inclusivo e Sustentável (Padis-MT), iniciativa do Governo de Mato Grosso executada pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) com apoio do Banco Mundial.
O programa aposta no uso estratégico de dados, no fortalecimento das práticas pedagógicas e na qualificação contínua de professores como pilares para elevar a qualidade da educação pública.
Durante a passagem pelo estado, Saavedra se reuniu com o governador Mauro Mendes e com o secretário de Estado de Educação, Alan Porto, reforçando o alinhamento institucional e a cooperação técnica em torno das metas educacionais.
Ao analisar o cenário local, o economista destacou o avanço na organização das políticas públicas educacionais. Segundo ele, Mato Grosso dispõe hoje de um volume e de uma qualidade de informações que permitem identificar com precisão o nível de aprendizagem dos estudantes, o desempenho das escolas e os recursos disponíveis em cada unidade.
Para Saavedra, esse nível de monitoramento ainda é incomum em muitos países. Ele ressaltou que a capacidade de coletar e utilizar dados de forma sistemática cria condições para desenhar políticas mais assertivas e ajustá-las continuamente, com base em evidências concretas.
Apesar dos avanços estruturais, o diretor do Banco Mundial reforçou que o principal fator de qualidade na educação continua sendo o professor. Na avaliação dele, o uso inteligente das informações disponíveis deve servir para oferecer formação personalizada, apoio direcionado e acompanhamento permanente aos docentes.
Outro ponto enfatizado foi a importância da gestão escolar. Saavedra destacou que diretores selecionados por critérios técnicos e meritocráticos contribuem diretamente para melhorar o clima escolar, fortalecer o trabalho pedagógico e elevar os resultados de aprendizagem.
Durante a agenda em Cuiabá, ele também ministrou palestra “A importância da educação e da aquisição de habilidades para o desenvolvimento”, no auditório da Seduc. O encontro reuniu gestores e técnicos para debater os desafios contemporâneos da educação pública e a necessidade de preparar estudantes para um cenário econômico cada vez mais dinâmico.
Nas visitas às escolas, o economista relatou impressões positivas sobre o engajamento dos alunos e as ferramentas de acompanhamento pedagógico adotadas. Ele mencionou metodologias que adaptam o ensino ao nível de aprendizagem do estudante e instrumentos que permitem identificar necessidades específicas dos professores, promovendo intervenções mais eficazes.
Para Saavedra, o conjunto de ações implementadas em Mato Grosso reúne elementos que podem inspirar outras regiões do Brasil e até experiências internacionais. A missão reforçou o estado como um polo estratégico de cooperação em desenvolvimento humano, com a educação no centro da agenda de transformação social e econômica.
Sobre o Padis-MT
O Projeto Aprendizado Digital, Inclusivo e Sustentável (Padis) é uma iniciativa do Governo de Mato Grosso, executada pela Seduc com apoio do Banco Mundial, que visa fortalecer práticas pedagógicas, qualificar a formação continuada de professores e aprimorar a gestão educacional, promovendo uma educação pública mais eficiente, inclusiva e sustentável.
Representação apresentada por Iraci Ferreira de Souza acusa parlamentar de ataques pessoais, quebra de decoro e uso do mandato para desqualificar a gestora
A prefeita de Pedra Preta, Iraci Ferreira de Souza, apresentou uma representação disciplinar contra o vereador Carlos Fernando Pereira de Oliveira, o “Fernando do Galvileiro”, sob acusação de violência política de gênero e quebra de decoro parlamentar.
A denúncia foi encaminhada à Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal e, posteriormente, remetida à Presidência do Legislativo para análise e adoção das providências cabíveis. No documento de encaminhamento, a própria Procuradoria ressalta que não possui natureza investigativa ou poder para aplicar sanções, cabendo aos órgãos competentes da Câmara analisar o caso.
Segundo a representação, os episódios teriam ocorrido durante fiscalizações e manifestações públicas realizadas pelo vereador nos meses de junho, julho e agosto de 2026. A prefeita sustenta que as críticas ultrapassaram o debate administrativo e passaram a conter ataques pessoais e expressões consideradas ofensivas.
Entre os episódios citados está uma fiscalização realizada no Distrito Industrial, em junho, quando o parlamentar fez críticas à administração municipal. Outro fato apontado ocorreu às margens da Rodovia 459, em julho. A representação também relata um episódio ocorrido em 11 de agosto, na Farmácia Municipal, quando o vereador realizou uma transmissão ao vivo e questionou a falta de medicamentos. A defesa da prefeita afirma que, durante essas manifestações, foram utilizadas expressões como “incompetente”, “omissa” e “mentirosa”.
Na representação, Iraci argumenta que não pretende impedir a fiscalização do Legislativo ou críticas à administração, mas sustenta que houve uma sequência de manifestações direcionadas à sua pessoa e à sua condição de mulher ocupante do cargo de chefe do Executivo.
O documento fundamenta a denúncia na legislação que trata da violência política contra a mulher e também defende que a imunidade parlamentar não serviria para proteger eventuais ofensas pessoais sem relação direta com o exercício legítimo do mandato.
Ao final, a prefeita solicita o recebimento da representação, a análise preliminar dos fatos e o encaminhamento do caso à Mesa Diretora e à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Pedra Preta. Entre as medidas requeridas está a abertura de processo disciplinar que poderá, caso as acusações sejam comprovadas e observados o contraditório e a ampla defesa, resultar inclusive na cassação do mandato do vereador.
Iraci também pede o envio de cópia dos autos ao Ministério Público de Mato Grosso, para análise de eventuais ilícitos funcionais e crimes contra a honra. A representação foi protocolada na Câmara Municipal de Pedra Preta no dia 20 de agosto de 2026.
Até esta etapa, trata-se de uma representação com acusações formuladas pela prefeita, e não de uma decisão definitiva contra o parlamentar. Caberá aos órgãos competentes da Câmara avaliar o prosseguimento do caso e assegurar ao vereador o direito de defesa.
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