Daqui a pouco mais de dois meses, Mato Grosso será palco do 2º Congresso Nacional de Emergência e Segurança Viária (Conesv), evento técnico-científico que reunirá bombeiros militares e especialistas de todo o país para debater a segurança viária e a resposta a emergências no trânsito, especialmente diante do número de mortes e dos impactos desses eventos sobre a rede de saúde.
Coordenado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), o congresso ocorrerá entre os dias 24 e 26 de junho, no Parque Novo Mato Grosso, considerado o maior parque multieventos da América Latina. As inscrições serão abertas em breve.
A programação do Conesv inclui palestras, painéis e atividades práticas voltadas a temas como prevenção de acidentes, atendimento pré-hospitalar, resgate veicular e gestão de ocorrências de trânsito. Um dos destaques é o Desafio Nacional de Salvamento Veicular e Trauma, que mobiliza equipes de bombeiros militares de todo o país em competições técnicas.
O evento também contará com os cursos Rescue Training, voltado ao atendimento pré-hospitalar, e Stop The Bleed, focado na capacitação em técnicas de controle de hemorragias. Além disso, o congresso sediará reuniões da Comissão Nacional de Atendimento Pré-Hospitalar e da Comissão Nacional de Salvamento Veicular.
De acordo com o major BM Rivaldo Miranda de Andrade, coordenador técnico do evento, o Conesv busca fortalecer a troca de conhecimento técnico e institucional, a atualização de práticas operacionais e a integração entre instituições, contribuindo para o aprimoramento das respostas às emergências viárias em todo o país.
O evento é voltado a bombeiros militares, pesquisadores, estudantes da área da saúde, empresas especializadas em resgate e salvamento, concessionárias de rodovias, representantes da indústria e do comércio, além de públicos impactados direta ou indiretamente por acidentes de trânsito. A expectativa é reunir cerca de mil participantes por dia de programação.
Ainda conforme o major, a participação de diferentes setores da sociedade é essencial, sobretudo daqueles que atuam na prevenção e no atendimento às ocorrências, diante do alto número de mortes e do impacto crescente sobre a rede de saúde, o que reforça a urgência de ações integradas e mais efetivas.
Segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária, em 2024, o Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito, um aumento de 2.269 óbitos em relação a 2023. O número representa uma alta de 6,5%, o maior crescimento anual em 22 anos, elevando o total de vítimas ao maior patamar dos últimos sete anos.
“Os dados de acidentes de trânsito são alarmantes e exigem análise aprofundada e atuação conjunta de todos os segmentos envolvidos. É fundamental investir em prevenção, qualificação das equipes de atendimento e integração entre as instituições, para reduzir os índices de mortalidade e garantir respostas mais rápidas e eficientes às ocorrências”, destacou o major.
A programação do 2º Congresso Nacional de Emergência e Segurança Viária (Conesv) foi estruturada para proporcionar uma experiência completa de aprendizado, troca de conhecimentos e integração entre os participantes.
O evento contará com conteúdo técnico de alto nível, por meio de palestras e painéis conduzidos por especialistas renomados, nacionais e internacionais, provenientes da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina. Eles irão apresentar e discutir as melhores práticas em salvamento veicular e atendimento ao trauma, com base em experiências reais e avanços recentes da área.
Também estão previstos simulados realísticos, com a criação de cenários práticos e imersivos que permitirão aos participantes vivenciar situações próximas às ocorrências reais, contribuindo para o aprimoramento da tomada de decisão em momentos críticos. Outro destaque será a exposição de tecnologias, com a apresentação de ferramentas, viaturas e soluções modernas utilizadas na resposta a emergências, possibilitando o contato direto com inovações aplicadas no setor.
A programação inclui, ainda, momentos de integração entre instituições, promovendo o encontro estratégico entre bombeiros, profissionais de emergência, gestores públicos e parceiros da segurança viária, fortalecendo o trabalho conjunto e o alinhamento de ações. Por fim, o congresso abrirá espaço para debates estratégicos, com discussões voltadas à prevenção de acidentes, ao desenvolvimento de políticas públicas e ao aprimoramento contínuo da resposta às ocorrências de trânsito.
A Defesa Civil de Mato Grosso está orientando os municípios sobre os impactos do fenômeno El Niño previstos para o segundo semestre de 2026, que neste ano deve provocar um período de seca mais intenso no Estado.
As ações de preparação envolvem reuniões técnicas, monitoramento climático e palestras voltadas aos coordenadores municipais de Defesa Civil.
“O objetivo é que os municípios se antecipem aos riscos e se preparem antes que os problemas aconteçam. Quando as equipes acompanham os dados climáticos e se preparam com antecedência, elas conseguem agir mais rápido e minimizar os impactos provocados desse período”, ressaltou o secretário adjunto de Proteção e Defesa Civil do Estado, coronel BM Marcelo Reveles.
Além de uma reunião geral com coordenadores municipais realizada de forma online no dia 20 de maio, a Defesa Civil estadual está ampliando o trabalho de orientação com palestras presenciais em diferentes regiões do Estado.
O El Niño é um fenômeno climático que aquece de forma anormal as águas do Pacífico, altera a circulação atmosférica e influencia o regime de chuvas em diferentes regiões. Para Mato Grosso, as previsões indicam diminuição das chuvas entre junho e agosto, temperaturas acima da média e maior frequência de ondas de calor. Esse cenário favorece a ocorrência de incêndios florestais, especialmente nas regiões do Cerrado e do Pantanal.
Também há possibilidade de impactos na agricultura, na saúde e no abastecimento das cidades, com sinal mais severo para julho e agosto.
“Mato Grosso tem uma economia forte ligada ao campo e essa redução de chuvas pode impactar diretamente na produção e na disponibilidade de água. Além disso, a baixa umidade do ar e a fumaça das queimadas costumam agravar os casos de doenças respiratórias, principalmente entre crianças e idosos. Por isso, é importante que os municípios se preparem com antecedência”, explicou o secretário.
Em Sinop, audiência pública na Câmara Municipal levou orientações sobre o período de seca
Orientações
Para minimizar os impactos do fenômeno nos municípios do Estado, a Defesa Civil está orientando as coordenadorias a reforçar as ações preventivas, como revisar os planos de contingência, avaliar a segurança hídrica e a capacidade de abastecimento de água na cidade e promover ações de conscientização da população sobre os riscos do uso do fogo.
Os municípios também devem fortalecer a atenção básica de saúde e avaliar a capacidade de atendimento da rede hospitalar, considerando o possível aumento de ocorrências relacionadas a doenças respiratórias, agravadas principalmente pela baixa umidade do ar e pela fumaça dos incêndios.
As orientações ainda envolvem o acompanhamento contínuo das condições climáticas, o monitoramento de focos de calor e a necessidade de os municípios reforçarem ações preventivas, especialmente nas áreas mais vulneráveis aos efeitos da estiagem.
Monitoramento e alerta
A Defesa Civil do Estado segue monitorando as condições climáticas e oferecendo suporte aos municípios, por meio de orientações técnicas e envio de avisos e alertas sobre as condições climáticas.
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