Educação

MEC Livros: quando o amor pela leitura encontra a acessibilidade

Publicado

Em Serra da Raiz, no interior da Paraíba, a história de José Augusto de Oliveira ganhou um novo capítulo com o MEC Livros, a biblioteca digital do Brasil. Aos 58 anos, ele carrega uma história marcada pelo amor à literatura, pela atuação cultural em sua comunidade, mas também por um desafio físico que, durante décadas, limitou seu acesso aos livros. 

“Devido à artropatia degenerativa que atingiu todas as minhas articulações, há quase 40 anos eu não conseguia folhear um livro com autonomia”, conta. Desde a pré-adolescência, José Augusto convive com a doença reumática, que comprometeu progressivamente todas as articulações do corpo. Ao longo dos anos, a condição reduziu sua mobilidade e impactou diversas atividades de seu cotidiano – inclusive a leitura. 

Com a possibilidade de acessar o site do MEC Livros pela SmartTV de casa, ele voltou a ler sem a ajuda de outras pessoas. José não consegue utilizar teclados de computador, celulares ou tablets. Mas, por meio de pequenas pressões com o dedo indicador no controle remoto da TV, pode, sozinho, não só acessar o site, como passar as páginas dos livros. 

O MEC Livros revolucionou minha vida de leitor pela acessibilidade econômica e funcional. Foi com ele que pude terminar o livro Torto Arado, de Itamar Vieira Junior”. José Augusto de Oliveira, leitor do MEC Livros

Criada pelo Ministério da Educação (MEC), o MEC Livros amplia o acesso público e gratuito à literatura por meio de um acervo digital que reúne obras em domínio público e títulos contemporâneos licenciados. Assim, qualquer pessoa, em qualquer região do país, pode acessar a ferramenta por meio do site ou aplicativo, basta realizar login com a conta Gov.br. 

A plataforma foi desenvolvida para ampliar o acesso à leitura e reúne recursos que permitem adaptar a experiência de leitura às necessidades de cada usuário, como ajustes de fonte, espaçamento e temas de leitura, além de controle de brilho. 

O MEC Livros também é compatível com leitores de tela utilizados em celulares e tablets e conta com navegação estruturada para tecnologias assistivas. No site, a navegação foi estruturada com marcação semântica e rótulos descritivos que permitem que esses leitores identifiquem corretamente botões, menus e comandos de navegação. 

Leia mais:  Piauí teve 11,3 mil aprovados no Sisu 2026

Segundo o paraibano, o desenho de acessibilidade foi preciso para atender sua necessidade. “O MEC Livros revolucionou minha vida de leitor pela acessibilidade econômica e funcional. Foi com ele que pude terminar o livro Torto Arado, de Itamar Vieira Junior”, conta. 

Aos livros, devo tudo o que me fez superar a doença e, também, as conquistas que obtive: família, amigos e outras coisas”. José Augusto de Oliveira, leitor do MEC Livros

História  A conexão de José com os livros começou ainda na infância, ouvindo histórias narradas em casa: cordéis, fábulas e narrativas populares que despertaram seu interesse pela leitura. Mesmo após interromper os estudos formais por causa da doença, manteve o hábito de ler e se envolveu profundamente com a vida cultural da cidade – o leitor chegou a se tornar escritor e publicou um cordel sobre a história da região, utilizando, para isso, o controle remoto da SmartTV

À medida em que seus movimentos físicos diminuíam, buscou alternativas. Em Serra da Raiz (PB), não há livrarias, mas tinha acesso aos livros físicos – ultrapassando mais essa barreira –, José precisava da ajuda de sua neta para folhear as páginas e acompanhar a leitura. Textos digitais acessados em outras plataformas, geralmente em formato PDF, tornavam difícil a navegação pela televisão. 

Com o lançamento do MEC Livros, recobrou a autonomia para fazer aquilo que mais ama. “Se fosse falar de tudo o que o livro significa para mim, seria uma odisseia a relatar. Basta dizer que, aos livros, devo tudo o que me fez superar a doença e, também, as conquistas que obtive: família, amigos e outras coisas”. 

MEC Livros
Antes do MEC Livros, familiares precisavam ajudar José Augusto a folhear livros físicos. Foto: Arquivo pessoal

Recursos de acessibilidade – No MEC Livros, a experiência de leitura foi pensada para atender diferentes formas de acesso ao texto. A plataforma reúne recursos que permitem personalizar a leitura e reduzir barreiras para pessoas com deficiência visual ou sensibilidade à luminosidade, além de facilitar o uso por quem depende de tecnologias assistivas. 

Entre as ferramentas disponíveis estão os controles de tipografia e layout. O leitor pode ampliar ou reduzir o tamanho da fonte, ajustar o espaçamento entre letras e linhas e escolher entre diferentes famílias tipográficas, o que ajuda a melhorar a legibilidade do texto. Também é possível alterar o alinhamento das páginas e selecionar temas de leitura – claro, escuro ou sépia –, que modificam o contraste entre fundo e texto e tornam a leitura mais confortável em diferentes condições de iluminação. O sistema ainda oferece controle de brilho dentro do próprio leitor e a opção de manter a tela ativa durante a leitura. 

Leia mais:  MEC dialoga sobre o novo Escolas Interculturais de Fronteira

A acessibilidade também está presente na forma de navegação. O aplicativo é compatível com leitores de tela dos sistemas operacionais móveis, como TalkBack e VoiceOver, que descrevem os elementos da interface e orientam usuários com deficiência visual durante o uso da plataforma. Já no site, as páginas utilizam marcação semântica e rótulos acessíveis em português, permitindo que esses leitores identifiquem corretamente cada botão, menu e função da biblioteca digital.  

Outro recurso importante é a navegação por teclado, que permite percorrer menus, abrir diálogos e acessar conteúdos sem depender do uso do mouse, o que beneficia pessoas com diferentes deficiências físicas e reduções de mobilidade. O site também possui atalhos que direcionam diretamente ao conteúdo principal, evitando que o usuário precise percorrer todo o menu antes de iniciar a leitura. 

Essas ferramentas foram definidas a partir de referências internacionais de acessibilidade digital e seguem diretrizes amplamente utilizadas no desenvolvimento de plataformas digitais, como as recomendações das Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG) 2.1 e padrões adotados por leitores digitais consolidados no mercado. A ideia é garantir que a biblioteca digital seja, cada vez mais, um espaço de leitura aberto a diferentes perfis de usuários. 

MEC Livros – A plataforma MEC Livros foi criada para democratizar o acesso à leitura, oferecer livros que contribuam para a aprendizagem e formação de estudantes, difundir o patrimônio literário, incentivar o hábito de leitura, modernizar o ensino e promover a integração de novas tecnologias na educação. A biblioteca digital conta com quase 20 editorias e gêneros, que vão de romance e ficção a histórias em quadrinhos e literatura de cordel. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC 

Fonte: Ministério da Educação

Comentários Facebook
publicidade

Educação

Instituições federais de educação recebem células BIM

Publicado

Dez instituições federais de educação superior e de educação profissional vinculadas ao Ministério da Educação (MEC) foram selecionadas para receber células BIM (Building Information Modeling), no âmbito do projeto Construa Brasil, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A iniciativa busca ampliar a inserção de tecnologias digitais nos cursos de engenharia civil e de arquitetura e urbanismo, além de fortalecer a formação acadêmica alinhada às demandas contemporâneas do setor da construção civil. 

As células BIM funcionarão como ambientes de ensino, pesquisa e extensão voltados à modelagem da informação da construção, metodologia que permite integrar dados, projetos e processos em plataformas digitais. A tecnologia vem sendo utilizada para aumentar a produtividade, melhorar o planejamento de obras e reduzir custos e desperdícios em empreendimentos públicos e privados. 

As instituições selecionadas receberão apoio técnico especializado, capacitação de docentes e estudantes, além de suporte para inserção da metodologia nos currículos acadêmicos. A proposta também prevê ações de articulação entre instituições de ensino, setor produtivo e gestão pública, contribuindo para a disseminação da cultura BIM no país. 

Leia mais:  Piauí teve 11,3 mil aprovados no Sisu 2026

As instituições vinculadas ao MEC contempladas pela iniciativa são as universidades federais do Amazonas (Ufam), do Maranhão (UFMA), de Itajubá (Unifei), do Rio Grande (Furg), além dos Institutos Federais do Tocantins (IFTO), do Ceará (IFCE), Fluminense (IFF), de São Paulo (IFSP) e Farroupilha (IFFar) e a Universidade Estadual de Goiás (UEG). As instituições selecionadas estão distribuídas por todas as regiões do Brasil. 

Transformação digital no ensino – A adoção do BIM nas instituições federais amplia as oportunidades de aprendizagem prática e aproxima estudantes das ferramentas e metodologias já utilizadas pelo mercado e pela administração pública. 

Além da formação acadêmica, a implementação das células BIM estimula o desenvolvimento de projetos interdisciplinares, a produção de conhecimento aplicado e a troca de experiências entre instituições de ensino e parceiros externos. A expectativa é que os espaços funcionem como polos de disseminação de inovação e transformação digital na educação profissional e tecnológica e na educação superior pública federal. 

Estratégia nacional – A ação integra o projeto Construa Brasil e está alinhada à Estratégia BIM BR e à Nova Indústria Brasil (NIB), políticas públicas voltadas à modernização da construção civil e ao fortalecimento da inovação no país. A expansão do uso da metodologia BIM é considerada estratégica para aumentar a competitividade do setor e aprimorar a gestão de obras e serviços de engenharia. 

Leia mais:  Sem pandemia, gasto do brasileiro com viagens salta 78% em dois anos

Com a participação das instituições federais vinculadas ao MEC, a iniciativa também reforça o papel da educação pública na formação de profissionais qualificados e na difusão de tecnologias voltadas ao desenvolvimento nacional. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Superior (Sesu) e do MDIC 

Fonte: Ministério da Educação

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana