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Mercado de milho inicia 2026 com baixa liquidez, mas contratos futuros avançam na B3

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Liquidez limitada marca o início do ano no mercado físico

O mercado de milho no Sul do Brasil começou 2026 com pouca movimentação e negociações pontuais, segundo informações da TF Agroeconômica. A falta de consenso entre produtores e indústrias mantém o ritmo de comercialização travado em diversos estados.

No Rio Grande do Sul, as cotações seguem dispersas, variando entre R$ 57,00 e R$ 79,00 por saca, conforme a região e os custos logísticos. De acordo com levantamento da Emater, o preço médio estadual recuou 2,24%, passando de R$ 60,70 para R$ 59,34/saca, refletindo o comportamento defensivo do mercado.

Em Santa Catarina, o cenário é semelhante. As ofertas de venda giram em torno de R$ 75,00/saca, enquanto os compradores limitam-se a pagar cerca de R$ 65,00/saca, mantendo o mercado spot praticamente parado. No Planalto Norte, poucos negócios foram registrados entre R$ 70,00 e R$ 75,00/saca, sem grandes variações regionais.

No Paraná, a dinâmica segue o mesmo padrão: produtores pedem aproximadamente R$ 70,00/saca, mas as indústrias atuam perto de R$ 60,00/saca CIF, o que impede avanços significativos nas negociações.

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Já no Mato Grosso do Sul, o mercado mostra enfraquecimento. Os preços caíram para R$ 53,00 a R$ 54,00/saca, reflexo da maior oferta disponível e da necessidade dos produtores de liberar espaço nos armazéns e gerar caixa. A região de Dourados concentra as maiores quedas, enquanto compradores seguem cautelosos, utilizando estoques próprios e pressionando ainda mais as cotações.

Contratos futuros avançam e indicam reação na B3

Apesar da lentidão no mercado físico, o milho registrou valorização nos contratos futuros ao longo da semana. Segundo análise da TF Agroeconômica, os papéis negociados na B3 acompanharam a alta das cotações internacionais e a leve recuperação do dólar antes do feriado prolongado no Brasil.

Em Bolsa de Chicago, o milho acumulou ganho de 0,35%, enquanto o dólar avançou 0,17%. No mercado físico nacional, o indicador Cepea subiu 2,04%. Na B3, os contratos apresentaram desempenho ainda mais expressivo: o vencimento março/26 teve alta de 3,09%, e o maio/26 avançou 2,14% na semana.

Na sexta-feira (13), o contrato março/26 fechou a R$ 71,11, com ganho semanal de R$ 2,13, enquanto o maio/26 encerrou a R$ 70,61, acumulando alta de R$ 1,49. Já o julho/26 subiu para R$ 68,69, avanço de R$ 0,74 na semana.

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Cenário internacional e clima influenciam expectativas

Nos Estados Unidos, o milho se sustentou diante da pressão vendedora, apoiado na expectativa de aprovação de um projeto de lei que autoriza a venda do combustível E-15 (etanol 15%) durante todo o ano — medida que pode ampliar a demanda por biocombustíveis e fortalecer os preços.

Em termos de produção, o plantio da safrinha em Mato Grosso atingiu 46,07%, índice próximo à média histórica. Na Argentina, a situação é mais delicada: apenas 43% das lavouras são classificadas como boas ou excelentes, o menor nível da temporada, em razão dos efeitos da seca sobre as principais áreas produtoras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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