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Mercado de trigo no Brasil segue travado com baixa liquidez e descompasso entre compradores e vendedores

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Baixa liquidez marca o mercado brasileiro de trigo

O mercado brasileiro de trigo apresentou baixa liquidez ao longo da semana, refletindo um forte desalinhamento entre compradores e vendedores. Mesmo com os preços sustentados pela oferta restrita, o volume de negociações seguiu reduzido, com operações pontuais e dificuldade de convergência entre as partes.

Esse cenário evidencia um mercado travado, no qual a firmeza nas pedidas não encontra respaldo na disposição de compra, limitando o avanço dos negócios.

Paraná registra preços firmes e leve valorização

No Paraná, as cotações do trigo giraram em torno de R$ 1.300 por tonelada no mercado FOB. Do lado da demanda, moinhos indicaram valores próximos no CIF, porém condicionados a requisitos específicos de qualidade e entrega.

A escassez de lotes disponíveis e a postura firme dos vendedores contribuíram para restringir a fluidez do mercado. Ainda assim, o estado registrou valorização semanal de cerca de 2%, refletindo o suporte proporcionado pela oferta limitada.

Rio Grande do Sul tem mercado ainda mais travado

No Rio Grande do Sul, o cenário foi ainda mais restritivo, com mercado praticamente paralisado. A ausência de oferta firme está relacionada, principalmente, à priorização logística para o escoamento de milho e soja.

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As pedidas de venda ficaram próximas de R$ 1.250 por tonelada, enquanto compradores trabalharam em uma faixa entre R$ 1.100 e R$ 1.150 por tonelada. A diferença significativa entre os preços ampliou os spreads e reduziu ainda mais o volume de negociações.

Apesar da baixa liquidez, o estado registrou valorização semanal de aproximadamente 5% nas indicações de preço.

Fundamentos sustentam mercado, mas limitam negociações

De acordo com Elcio Bento, analista e consultor da Safras & Mercado, a combinação de fatores estruturais tem mantido o mercado sob pressão.

Entre os principais pontos estão:

  • Oferta limitada no Brasil e no Mercosul
  • Entraves logísticos
  • Demanda enfraquecida por derivados de trigo

Esse conjunto de fatores contribui para a manutenção de preços firmes, mas dificulta o fechamento de novos negócios.

Cenário externo indica possível alta nos preços

No mercado internacional, a valorização do trigo argentino e a paridade de importação acima dos preços internos sinalizam um possível ajuste altista nos próximos períodos.

Além disso, a menor disponibilidade de trigo com maior teor de proteína — especialmente na Argentina — e a redução da capacidade de segregação logística aumentam a restrição de oferta de grãos de melhor qualidade.

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Perspectiva é de mercado lento com viés de alta

A expectativa para o curto prazo é de continuidade do ambiente travado, com negociações pontuais e baixa liquidez. No entanto, o viés segue sendo de recuperação gradual dos preços.

Esse movimento dependerá, principalmente, da retomada da demanda por parte dos moinhos e do alinhamento com a paridade de importação, em um cenário marcado por oferta curta e maior dependência de trigo de origem externa.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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