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Mercado do Café em 2026: Clima Favorável Impulsiona Safra e Pressiona Preços no Brasil e no Mundo

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Clima favorável impulsiona a safra 2026/27 e melhora o cenário produtivo

O mercado de café inicia 2026 sob influência direta das condições climáticas positivas nas principais regiões produtoras do Brasil. Em janeiro, a presença de chuvas regulares e temperaturas equilibradas favoreceu o desenvolvimento das lavouras em fase crucial de enchimento dos grãos, abrindo caminho para uma safra 2026/27 mais produtiva.

De acordo com análises do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o clima mais úmido deve contribuir para o aumento da produtividade, especialmente nas áreas de arábica em Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Ainda assim, pesquisadores alertam que períodos de calor intenso no fim de dezembro podem ter afetado parte do potencial produtivo, exigindo monitoramento constante.

Cotação do café em queda no mercado interno brasileiro

A melhora nas condições de cultivo trouxe impacto direto nos preços do café no Brasil. O Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto em São Paulo, registrou queda de 3,7% em janeiro, encerrando o mês cotado a R$ 2.094,55 por saca de 60 kg.

A média mensal de R$ 2.178,82 foi a menor desde outubro de 2025, refletindo um ambiente de menor preocupação com oferta e maior confiança na recuperação das lavouras. O recuo também é atribuído à expectativa de uma colheita mais robusta e ao aumento das exportações globais, o que reforça a pressão de baixa nos preços domésticos.

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Café arábica e robusta registram desvalorização nas bolsas internacionais

No mercado internacional, o café segue a mesma tendência de queda observada no Brasil. Os contratos futuros do arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) recuaram mais de 12% no último mês, influenciados pelas previsões de boa safra brasileira e aumento das exportações asiáticas.

Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o robusta também fechou em forte queda:

  • Março/2026: US$ 3.810 a tonelada (-5,43%)
  • Maio/2026: US$ 3.719 a tonelada (-5,89%)

O recuo foi impulsionado pela alta das exportações de Uganda e Indonésia, que cresceram 21,7% e 52%, respectivamente, em dezembro, além das chuvas acima da média no Brasil, que melhoraram as perspectivas para o café robusta.

Cenário global: exportações em alta e oferta ampliada

A recuperação do clima nas principais regiões produtoras do mundo e o crescimento das exportações têm ampliado a oferta global de café. Países como Uganda, Indonésia e Vietnã vêm aumentando seus embarques, o que pressiona ainda mais os preços nas bolsas internacionais.

Segundo dados recentes, as exportações de Uganda atingiram o maior volume em dois anos, enquanto a Indonésia registrou embarques de 32,5 mil toneladas de robusta de Sumatra em dezembro, alta de mais de 50% frente ao mesmo período de 2025.

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Efeitos para produtores e consumidores

Para os produtores brasileiros, o cenário de maior oferta representa uma oportunidade de consolidação produtiva, mas com margens pressionadas pela queda das cotações. Muitos devem adotar estratégias de hedge e contratos futuros para garantir rentabilidade diante da volatilidade de preços.

Para a indústria e o consumidor final, o aumento da oferta global tende a reduzir custos de aquisição e estabilizar preços no varejo ao longo do ano, com reflexos positivos para o mercado interno de torrefação e exportação.

Conclusão

O mercado de café em 2026 atravessa um momento de ajuste entre oferta crescente e preços mais baixos. A combinação de clima favorável no Brasil, safra promissora e exportações em alta em diversos países produtores cria um ambiente de maior estabilidade para o setor, mas também de menor remuneração no curto prazo.

Com o avanço da safra 2026/27, o foco dos investidores e produtores se volta para o comportamento do clima nas próximas semanas e para o impacto das exportações na formação de preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças

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Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.

As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.

O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.

Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.

A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.

Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.

Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.

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O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.

O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.

Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.

A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.

Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.

A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.

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A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.

Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.

A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.

Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.

A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.

O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.

Fonte: Pensar Agro

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