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Mercado em queda, incerteza climática e impasse comercial com EUA

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O mercado internacional de açúcar registrou oscilações n semana que passou, com os contratos futuros apresentando quedas nas principais bolsas. Na ICE Futures de Nova York, o contrato de açúcar bruto para maio de 2025 fechou a 18,13 centavos de dólar por libra-peso, uma redução de 7 pontos em relação ao dia anterior. Durante a sessão, a commodity atingiu a mínima de um mês e meio, chegando a 17,84 centavos por libra-peso.

O contrato para julho de 2025 também recuou, sendo negociado a 17,80 centavos por libra-peso. Na ICE Futures Europe, em Londres, o açúcar branco seguiu a mesma tendência de baixa. O contrato para maio de 2025 foi comercializado a US$ 516,90 por tonelada, registrando uma desvalorização de US$ 5,10 em relação ao dia anterior.

No mercado doméstico brasileiro, o açúcar cristal também apresentou desvalorização. De acordo com o Indicador Cepea/Esalq, da USP, a saca de 50 kg foi negociada a R$ 139,95, contra R$ 141,23 no dia anterior, representando uma queda de 0,91%.

Em contrapartida, o etanol hidratado registrou valorização no mercado interno. Conforme o Indicador Diário Paulínia, o biocombustível foi negociado a R$ 2.939,00 por metro cúbico, frente aos R$ 2.926,00 da sessão anterior, uma alta de 0,44%.

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Nos portos brasileiros, o volume de navios aguardando para embarcar açúcar manteve-se estável na semana passada, totalizando 39 embarcações. Segundo a agência marítima Williams Brasil, foi programado o carregamento de 1,272 milhão de toneladas de açúcar, um leve aumento em relação à semana anterior, que registrou 1,227 milhão de toneladas. O Porto de Santos (SP) concentra a maior parte da movimentação, com 535.071 toneladas previstas para embarque. Em seguida, aparecem os portos de Paranaguá (PR), com 378.100 toneladas, Maceió (AL), com 134.763 toneladas, e Recife (PE), com 92.500 toneladas.

O mercado futuro do açúcar enfrenta volatilidade e baixa liquidez, intensificadas pelo feriado de Carnaval no Brasil. As cotações perderam força após atingirem 18,30 centavos por libra-peso no contrato para maio, impactadas pelas previsões de chuva nas principais regiões canavieiras do país. Essas precipitações são esperadas para as próximas duas semanas, após um período de estiagem e calor intenso. A cobertura de posições vendidas contribuiu para conter a desvalorização dos contratos na ICE Futures US (Bolsa de Nova York), que atingiram mínimas em um mês e meio. Rumores sobre compras chinesas ajudaram a limitar as perdas, embora ainda não haja confirmação oficial.

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Recentemente, surgiram discussões comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos relacionadas ao etanol e ao açúcar. O governo brasileiro criticou a proposta norte-americana de aumentar as tarifas sobre o etanol brasileiro, considerando-a injusta. O Brasil argumenta que, para haver reciprocidade, os Estados Unidos deveriam eliminar as tarifas de importação sobre o açúcar brasileiro, que atualmente inviabilizam as exportações significativas do produto para o mercado norte-americano.

Em síntese, o mercado de açúcar e etanol permanece volátil, influenciado por fatores climáticos, negociações comerciais internacionais e variações na oferta e demanda. A expectativa de chuvas nas regiões produtoras brasileiras e as discussões tarifárias com os Estados Unidos são elementos que podem impactar os preços e a dinâmica do setor nas próximas semanas.

Fonte: Pensar Agro

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Tecnologia transforma açúcar em insumo para medicamentos e cosméticos

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) avançou no desenvolvimento de uma plataforma para produzir compostos químicos de alto valor agregado a partir de açúcares. Em testes de laboratório, o trabalho utilizou leveduras modificadas para obter uma molécula empregada na fabricação de polímeros, medicamentos, cosméticos e insumos agrícolas. A pesquisa abre caminho para ampliar o uso de matérias-primas renováveis em processos que hoje dependem de derivados do petróleo.

O resultado foi divulgado pela instituição em 29 de setembro. Desenvolvida no âmbito da Embrapa Agroenergia, a metodologia combina ferramentas de análise molecular para identificar como os microrganismos aproveitam os açúcares e quais limitações precisam ser superadas para melhorar a produção. O trabalho foi realizado em parceria com o Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental, na Alemanha.

Para o agronegócio, a perspectiva é ampliar as possibilidades de transformação da biomassa em produtos de maior valor. A obtenção de moléculas para a indústria química pode diversificar o aproveitamento de matérias-primas renováveis e aproximar a produção agrícola de mercados como os de materiais, ingredientes e insumos industriais. A viabilidade dessa rota dependerá de seu desempenho fora do laboratório.

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Nos experimentos, uma linhagem geneticamente modificada da levedura Saccharomyces cerevisiae produziu ácido p-hidroxibenzoico, identificado pela sigla PHBA. O composto funciona como precursor químico, uma substância utilizada na fabricação de outros produtos. Os ensaios ocorreram em biorreatores, equipamentos que permitem controlar as condições de cultivo e acompanhar o funcionamento do microrganismo.

A contribuição da plataforma está em observar diferentes etapas desse processo de forma integrada. As análises examinam proteínas, moléculas produzidas pelas reações celulares e o percurso das substâncias dentro da levedura. Com essas informações, é possível localizar gargalos e orientar modificações para direcionar uma parcela maior da matéria-prima ao composto desejado.

Uma das técnicas empregadas acompanha o carbono utilizado pelas células por meio de marcadores isotópicos. Segundo a Embrapa, o trabalho gerou um banco de dados com mais de 28 mil metabólitos e cerca de 1,7 mil proteínas anotadas. Esse conjunto de informações poderá apoiar a seleção e o desenvolvimento de microrganismos para diferentes aplicações agroindustriais.

Os protocolos de fermentação também foram ajustados. A concentração de glicose no meio de cultivo caiu de 20 para 10 gramas por litro, reduzindo os custos dos experimentos com marcadores. O resultado se refere aos procedimentos de pesquisa e não permite concluir que uma futura operação industrial terá redução equivalente no consumo de açúcar ou no custo de fabricação.

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A instituição pretende aproveitar o conhecimento adquirido na avaliação de seu acervo de microrganismos, que reúne mais de 20 mil ativos da biodiversidade brasileira. A metodologia poderá ajudar a identificar linhagens com potencial para produzir bioinsumos, ingredientes funcionais, compostos aromáticos e outras moléculas de interesse econômico.

O avanço reforça uma frente de pesquisa que busca agregar valor à produção renovável brasileira. Para chegar à indústria, os processos precisarão combinar rendimento, regularidade e custos competitivos. É essa etapa que determinará se a capacidade demonstrada no laboratório poderá gerar novas oportunidades para fornecedores de matérias-primas, agroindústrias e fabricantes de produtos químicos.

Fonte: Pensar Agro

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