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Milho reage em Chicago após relatórios do USDA, enquanto mercado brasileiro mantém ritmo lento de negociações

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O mercado do milho iniciou o mês de julho com um cenário mais otimista no mercado internacional. Os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) avançaram após a divulgação dos novos relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que apontaram estoques menores que o esperado e uma área plantada apenas ligeiramente superior às estimativas do mercado.

O movimento fortaleceu as cotações internacionais da commodity, embora o mercado brasileiro continue operando em ritmo lento, com poucos negócios e atenção voltada para o avanço da colheita da segunda safra.

Relatórios do USDA fortalecem o mercado internacional

O principal fator de sustentação dos preços foi a divulgação dos relatórios de área plantada e estoques trimestrais dos Estados Unidos.

Segundo o USDA, os produtores norte-americanos deverão cultivar 95,343 milhões de acres de milho na safra 2026/27, volume 3% inferior ao registrado na temporada anterior. Apesar de o número ter ficado ligeiramente acima da expectativa média do mercado, a redução da área reforçou a percepção de uma oferta futura menos abundante.

Outro ponto que animou os investidores foi o levantamento dos estoques em 1º de junho, estimados em 5,295 bilhões de bushels, abaixo da expectativa do mercado, que projetava aproximadamente 5,392 bilhões de bushels.

Os números indicam que, apesar do aumento de 14% em relação ao mesmo período do ano passado, a disponibilidade de milho ficou inferior ao previsto pelos analistas, favorecendo uma reação positiva das cotações.

Clima também oferece suporte às cotações

Além dos dados oficiais, as previsões meteorológicas contribuíram para o avanço dos preços.

A expectativa de temperaturas elevadas no Meio-Oeste dos Estados Unidos aumenta o risco de estresse nas lavouras justamente em um momento importante do desenvolvimento da cultura, antes da chegada de condições climáticas mais favoráveis previstas para os próximos dias.

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De acordo com levantamento do National Agricultural Statistics Service (NASS), cerca de 9% das lavouras já entraram na fase de florescimento (silking), percentual superior à média histórica para o período.

Ao mesmo tempo, 67% das áreas foram classificadas entre boas e excelentes, resultado um ponto percentual inferior ao observado na semana anterior.

Chicago encerra sessão em forte alta

Refletindo esse conjunto de fatores, a Bolsa de Chicago registrou valorização expressiva nos contratos futuros.

O vencimento setembro fechou cotado a US$ 4,16¾ por bushel, com ganho diário de 1,58%, enquanto o contrato dezembro encerrou a sessão a US$ 4,36 por bushel, avanço de 1,39%.

Na abertura desta quarta-feira, o movimento positivo continuava, com o contrato setembro negociado próximo de US$ 4,22 por bushel, sustentado principalmente pelos estoques menores e pelas preocupações climáticas.

Apesar da recuperação recente, o mercado ainda acumula perdas importantes no médio prazo. Em junho, o contrato setembro recuou mais de 8%, enquanto a queda acumulada no trimestre ultrapassa 11%.

Mercado brasileiro segue cauteloso

Enquanto Chicago reage, o mercado físico brasileiro permanece com baixa liquidez.

Segundo analistas, produtores e compradores seguem adotando postura cautelosa, limitando o volume de negociações.

O principal foco continua sendo o avanço da colheita da safrinha, especialmente nas regiões produtoras do Centro-Oeste. A redução das chuvas deve favorecer a intensificação dos trabalhos no campo nas próximas semanas, fator considerado decisivo para o comportamento dos preços internos.

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Entre as principais praças, as cotações apresentaram poucas alterações:

  • Porto de Santos: entre R$ 65,00 e R$ 68,00 por saca;
  • Porto de Paranaguá: de R$ 64,50 a R$ 67,00;
  • Cascavel (PR): entre R$ 57,00 e R$ 60,00;
  • Mogiana (SP): de R$ 57,00 a R$ 60,00;
  • Campinas (SP): entre R$ 64,50 e R$ 66,00;
  • Erechim (RS): de R$ 67,00 a R$ 69,00;
  • Uberlândia (MG): entre R$ 56,00 e R$ 58,00;
  • Rio Verde (GO): de R$ 52,00 a R$ 55,00;
  • Rondonópolis (MT): entre R$ 49,00 e R$ 52,00 por saca.
Dólar em alta limita parte dos ganhos

O cenário financeiro também influencia o mercado.

O dólar comercial voltou a subir frente ao real, sendo negociado próximo de R$ 5,19, movimento que tende a favorecer a competitividade das exportações brasileiras.

Por outro lado, a valorização da moeda norte-americana frente às principais divisas e a queda dos preços internacionais do petróleo limitaram parte do avanço observado nas cotações do milho em Chicago.

Perspectivas para o mercado

A combinação entre estoques norte-americanos abaixo das expectativas, redução da área cultivada nos Estados Unidos e riscos climáticos reforça um viés mais positivo para o mercado internacional no curto prazo.

No Brasil, entretanto, o comportamento dos preços continuará condicionado principalmente ao ritmo da colheita da safrinha, ao avanço das exportações e ao interesse dos produtores em negociar os volumes disponíveis.

Enquanto Chicago demonstra maior firmeza, o mercado interno tende a permanecer seletivo até que haja maior definição sobre a oferta da segunda safra e sobre o fluxo de comercialização nas principais regiões produtoras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Milho pode perder o equivalente a 87 quilos de ureia por hectare

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Um estudo realizado durante duas safras de milho na Argentina mostrou que o uso de um inibidor de urease pode reduzir pela metade, ou até mais, a quantidade de nitrogênio perdida para a atmosfera depois da adubação. Nos ensaios, a ureia convencional perdeu até 20% do nutriente aplicado, enquanto a tratada com o inibidor limitou as perdas a, no máximo, 7%.

O trabalho foi conduzido em campo pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na região argentina de Paraná, nas temporadas 2024/25 e 2025/26. O objetivo era comparar o comportamento da ureia comum com o de uma formulação tratada para retardar a volatilização de amônia.

A volatilização ocorre quando parte do nitrogênio presente na ureia se transforma em amônia e escapa para a atmosfera. Isso significa que uma parcela do fertilizante comprado, transportado e distribuído na lavoura deixa de estar disponível para as raízes do milho.

A urease é uma enzima naturalmente presente no solo e responsável por acelerar a transformação da ureia. O inibidor desacelera esse processo durante alguns dias, ampliando a possibilidade de o fertilizante ser incorporado ao solo pela chuva e reduzindo sua exposição na superfície.

Para fazer a comparação, os pesquisadores aplicaram doses de 100 e 200 quilos de nitrogênio por hectare, além de manter uma área sem adubação. As aplicações foram realizadas após chuvas de 24 a 39 milímetros, quando o solo ainda estava úmido e apresentava condições favoráveis à volatilização. As perdas foram acompanhadas nos dias seguintes.

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A maior liberação de amônia pela ureia convencional ocorreu entre o segundo e o terceiro dia depois da aplicação. Na safra 2024/25, entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado com essa fonte foi perdido. Com o inibidor, o índice caiu para uma faixa de 6% a 7%.

Na temporada 2025/26, a diferença aumentou. A ureia convencional perdeu entre 13% e 20% do nitrogênio, enquanto a formulação tratada ficou entre 5% e 6%. Os resultados mostram que o inibidor não elimina a volatilização, mas reduz de maneira significativa o volume desperdiçado em situações de maior risco.

Na prática, o prejuízo pode ser expressivo. Em uma adubação de 200 quilos de nitrogênio por hectare, uma perda de 20% representa 40 quilos do nutriente. Como a ureia contém aproximadamente 46% de nitrogênio, isso equivale a cerca de 87 quilos do fertilizante por hectare.

Com o inibidor, a perda observada na mesma dose corresponderia a aproximadamente 22 a 30 quilos de ureia por hectare. Na maior diferença registrada pelo estudo, o tratamento preservou o equivalente a cerca de 65 quilos de ureia em cada hectare.

Se a tonelada do fertilizante custar R$ 3 mil, apenas para ilustrar o tamanho econômico do problema, a perda máxima identificada no estudo corresponderia a R$ 261 por hectare. Em uma lavoura de mil hectares, o desperdício chegaria a R$ 261 mil. O uso do inibidor poderia preservar até R$ 196 mil desse valor, antes de descontar o custo adicional do tratamento.

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O estudo, entretanto, não encontrou diferença estatística de produtividade entre a ureia convencional e a tratada. Os rendimentos variaram de 5.277 a 11.915 quilos de milho por hectare e responderam principalmente à quantidade de nitrogênio aplicada.

Isso significa que conservar mais nitrogênio no solo não garante, isoladamente, uma colheita maior. A resposta do milho também depende da disponibilidade de água, da fertilidade, do potencial da lavoura e do equilíbrio com os demais nutrientes. O benefício imediato demonstrado pela pesquisa foi a redução do desperdício, e não um aumento comprovado da produtividade.

Os resultados também não significam que o inibidor será economicamente vantajoso em todas as aplicações. A decisão depende da diferença de preço entre as duas fontes, do risco de volatilização, das condições do solo e da possibilidade de chuva suficiente para incorporar a ureia depois da adubação.

Embora tenha sido realizado na Argentina, o estudo ajuda a dimensionar um problema enfrentado pelos produtores brasileiros. Ele mostra que, sob condições favoráveis à volatilização, o prejuízo não está apenas na eventual perda de rendimento da lavoura, mas no fertilizante pago pelo produtor que desaparece antes de cumprir sua função.

Fonte: Pensar Agro

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