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Milho sobe nas bolsas e custos no campo preocupam produtores em meio ao avanço do petróleo

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Milho registra valorização nos mercados internacional e brasileiro

O mercado do milho encerrou a quarta-feira (11) com valorização nas principais bolsas, refletindo fatores externos e internos que seguem influenciando as negociações do cereal. Os contratos futuros avançaram tanto na Bolsa de Chicago quanto na B3, em um movimento sustentado pela alta do petróleo, valorização do dólar e preocupações com o clima para o plantio da segunda safra no Brasil.

De acordo com análise da TF Agroeconômica, o cenário interno ainda é marcado por um ritmo moderado de comercialização, enquanto produtores acompanham atentamente as condições da safra em diferentes regiões do país.

Alta do petróleo impulsiona commodities agrícolas

Na Bolsa de Chicago, o milho fechou o pregão com ganhos próximos de 2%, acompanhando o desempenho de outras commodities agrícolas, como soja e trigo.

Os contratos encerraram o dia cotados em US$ 4,60 por bushel para maio e US$ 4,72 por bushel para julho.

O avanço foi impulsionado principalmente pela valorização do petróleo. Os contratos do Brent e do WTI chegaram a subir mais de 6% ao longo do dia e terminaram a sessão com ganhos superiores a 5%.

A escalada do petróleo ocorre em meio às preocupações com a oferta global de energia. O Irã chegou a alertar o mercado sobre a possibilidade de o barril alcançar US$ 200, caso a guerra na região comprometa ainda mais o fluxo logístico internacional.

Esse cenário aumenta o chamado “prêmio de risco” das commodities, contribuindo para sustentar as cotações dos grãos.

B3 acompanha Chicago e registra altas nos contratos

No mercado brasileiro, os contratos do milho negociados na B3 também apresentaram valorização, acompanhando o movimento positivo do mercado internacional e o avanço do dólar frente ao real.

Entre os principais vencimentos:

  • Março de 2026: R$ 71,97 por saca, alta de R$ 0,22 no dia e de R$ 0,31 na semana
  • Maio de 2026: R$ 75,82 por saca, avanço diário de R$ 0,58 e valorização semanal de R$ 3,14
  • Julho de 2026: R$ 71,69 por saca, alta de R$ 0,47 no dia e de R$ 1,45 na semana
  • No fechamento do pregão, os contratos mais negociados registraram altas entre 0,3% e 0,8%.
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Janela da safrinha e clima preocupam o mercado

O mercado também mantém atenção sobre a janela ideal de plantio da segunda safra de milho, que já foi extrapolada em algumas regiões produtoras do país.

Além disso, as previsões meteorológicas indicam a continuidade de chuvas intensas no Centro-Sul do Brasil, o que pode dificultar o andamento das atividades de campo.

Neste momento, o setor agrícola vive um período de grande movimentação, com a colheita da soja ocorrendo ao mesmo tempo que o plantio do milho safrinha, o que exige condições climáticas favoráveis para manter o ritmo das operações.

Aumento do diesel preocupa produtores

Outro fator que vem chamando a atenção do mercado é o aumento expressivo do custo do diesel em algumas regiões agrícolas.

Produtores relatam elevação significativa nos preços e até dificuldades de abastecimento em determinados locais, justamente em um período de alta demanda por combustível no campo.

O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, o que torna o setor agrícola sensível às oscilações do petróleo no mercado internacional.

Entidades do agronegócio afirmam, no entanto, que apenas a recente alta do petróleo não justificaria aumentos considerados excessivos em alguns locais, onde o preço do diesel teria subido até R$ 4 por litro.

Diante desse cenário, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério da Fazenda e ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) a retirada temporária de tributos sobre o combustível, como forma de reduzir os custos para o setor produtivo.

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Mercado físico segue com liquidez limitada no Sul

No mercado físico, as negociações seguem com liquidez limitada em algumas regiões do país.

No Rio Grande do Sul, compradores continuam priorizando estoques próprios e realizando aquisições pontuais. As referências de preços variam entre R$ 54,00 e R$ 62,00 por saca, enquanto o preço médio estadual recuou para R$ 57,31.

A colheita da primeira safra no estado já alcança 79% da área, e a projeção de produção da safra de verão 2025/26 foi revisada de 5,7 milhões para 5,9 milhões de toneladas, com área estimada em 803 mil hectares.

Negociações restritas em Santa Catarina e Paraná

Em Santa Catarina e no Paraná, o mercado também apresenta negociações mais restritas, reflexo do distanciamento entre os preços pedidos pelos vendedores e as ofertas dos compradores.

No Paraná, a colheita da primeira safra já atinge 69% da área, enquanto o plantio do milho safrinha chega a 74%, com a maioria das lavouras apresentando boas condições de desenvolvimento.

Bioenergia sustenta parte da demanda em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, as cotações do milho variam entre R$ 54,00 e R$ 56,50 por saca.

No estado, o setor de bioenergia tem ajudado a sustentar parte da demanda pelo cereal, contribuindo para dar suporte aos preços em meio ao ritmo ainda moderado de comercialização no mercado interno.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Crédito rural e renegociação de dívidas ganham destaque com juros elevados e linhas a partir de 2% ao ano

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A elevação da taxa Selic para 15% pelo Comitê de Política Monetária (Copom) reforça o cenário de juros elevados no Brasil e amplia o impacto sobre o crédito rural e o endividamento no agronegócio. Com isso, o país passa a ocupar a vice-liderança global em juros reais, atrás apenas da Argentina, segundo levantamento do Portal MoneYou.

A decisão do Banco Central tem como objetivo conter a inflação por meio do encarecimento do crédito e da redução da demanda na economia. No entanto, o movimento também afeta diretamente produtores rurais que contrataram financiamentos nos últimos anos para custeio de safra, aquisição de máquinas, implementos e expansão de áreas produtivas.

Selic elevada encarece crédito e pressiona produtores rurais

Com a taxa básica de juros em patamar elevado, empréstimos e financiamentos tendem a ficar mais caros. Em alguns casos, operações de crédito rural já contratadas podem sofrer reajustes, especialmente aquelas indexadas a taxas variáveis.

O aumento dos juros, apesar de contribuir para o controle inflacionário, também reduz o ritmo de investimentos no setor produtivo, já que encarece o capital e impacta diretamente a capacidade de expansão dos negócios no campo.

Nesse cenário, produtores rurais passam a avaliar alternativas como renegociação, alongamento de prazos e quitação antecipada de dívidas, dependendo das condições financeiras e da estrutura de cada operação.

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Mercado privado amplia opções de crédito rural

Além das linhas oficiais, o produtor rural conta com soluções do mercado financeiro privado, que vêm ganhando espaço como alternativa ao crédito tradicional.

A ConsulttAgro, empresa especializada em captação de recursos para o agronegócio, atua com taxas a partir de 2% ao ano e prazos de até 20 anos para pagamento, voltados à aquisição de terras, maquinários e expansão produtiva.

A empresa mantém parceria com mais de 20 instituições financeiras, incluindo bancos, administradoras de crédito e fundos de investimento, com foco na estruturação de operações personalizadas para diferentes perfis de produtores.

Segundo representantes da consultoria, o processo de análise considera fatores como garantias, faturamento e necessidade do cliente, buscando adequar taxa, prazo e custo total da operação ao perfil de cada produtor rural.

Garantias e perfil do produtor definem condições de crédito

Especialistas do setor destacam que a estrutura de garantias é um dos principais fatores para a obtenção de melhores condições de financiamento. Dependendo da linha de crédito, podem ser exigidas garantias proporcionais ao valor financiado, variando conforme o risco da operação.

A recomendação é que o produtor apresente informações claras e organizadas desde o início da negociação, o que contribui para maior agilidade na análise e melhores condições de contratação.

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Crédito rural privado cresce com demanda por alternativas

O aumento da demanda por crédito estruturado tem impulsionado empresas especializadas no setor. Em 2024, operações privadas voltadas ao agronegócio movimentaram R$ 1,6 bilhão, com valores que variam de R$ 150 mil a R$ 150 milhões por operação.

Além de aquisição de áreas rurais, essas linhas também atendem investimentos em infraestrutura, máquinas e expansão produtiva, ampliando o acesso a capital fora do sistema bancário tradicional.

Gestão financeira se torna estratégica no agronegócio

Com juros elevados e maior pressão sobre o custo do crédito, a gestão financeira ganha papel central na sustentabilidade das propriedades rurais. A escolha entre renegociar dívidas, alongar prazos ou buscar novas linhas de financiamento depende diretamente do planejamento de cada produtor.

Em um cenário de Selic elevada e crédito mais restrito, a busca por alternativas mais competitivas se torna uma estratégia essencial para manter a competitividade e garantir a continuidade dos investimentos no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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