Saúde

Ministério lança Laboratório de Inovação em Saúde, novo modelo de cuidado integral e curso para profissionais da atenção primária

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O Ministério da Saúde, em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), lançou, nesta semana (27/8), uma série de iniciativas estratégicas voltadas ao cuidado de crianças, adolescentes e jovens. As ações integram as comemorações pelos 10 anos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC), instituída em 2015.

Entre as novidades, está o Laboratório de Inovação em Saúde (LIS) voltado ao público infantojuvenil na atenção primária, que tem como objetivo identificar, sistematizar e divulgar experiências significativas desenvolvidas no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa busca fortalecer práticas inovadoras na gestão, atenção e formação em saúde.

“Queremos dar visibilidade a soluções criativas e eficazes que nascem nos territórios e que podem inspirar e orientar políticas públicas mais próximas das necessidades reais desse público”, ressaltou Sonia Venancio, coordenadora-geral da Atenção à Saúde das Crianças, Adolescentes e Jovens. “O Laboratório de Inovação representa um espaço de troca de conhecimento entre gestores, trabalhadores e a sociedade civil. É uma forma de valorizar soluções já construídas no SUS e ampliar seu alcance em todo o País”, acrescentou ela. 

As inscrições para participar do Laboratório de Inovação em Saúde (LIS) das Crianças, Adolescentes e Jovens na Atenção Primária à Saúde (APS) ficam abertas até 19 de setembro.

Cuidado integral

Durante o evento também foi lançado o Modelo de Cuidado Integral para o Desenvolvimento na Primeira Infância – Modelo para ajudar as crianças a sobreviver e prosperar a fim de transformar a saúde e o potencial humano. O documento foi elaborado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), com tradução feita pela OPAS com apoio do Ministério da Saúde. A publicação funciona como um guia de apoio aos países no alcance da Meta 4.2 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que prevê, até 2030, garantir acesso universal ao desenvolvimento de qualidade na primeira infância.

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Esse documento foi concebido para funcionar como um roteiro para a ação, ajudando a mobilizar uma coalizão de pais, mães e outros cuidadores, governos nacionais, grupos da sociedade civil, comunidade acadêmica, Nações Unidas, setor privado, instituições de ensino e prestadores de serviços a fim de assegurar o melhor início de vida para todos os bebês. No Brasil, a publicação poderá apoiar a implementação da Política Nacional Integrada da Primeira Infância, lançada pelo Presidente Lula no dia 5 de agosto.

Formação continuada

Outra entrega importante foi o lançamento do curso Desenvolvimento Neuropsicomotor, Sinais de Alerta e Intervenção Precoce, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e disponibilizado gratuitamente na UNA-SUS. Voltada a profissionais da atenção primária do SUS, a formação online tem carga horária de 60 horas e aborda o desenvolvimento típico de crianças de zero a 10 anos, sinais de alerta para transtornos do neurodesenvolvimento e estratégias de intervenção na primeira infância.

“Formar profissionais capazes de identificar sinais de alerta de forma oportuna é fundamental para aproveitar a janela de oportunidades para promover o desenvolvimento neuropsicomotor e garantir o pleno desenvolvimento das nossas crianças”, ressaltou Sonia Venancio.

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10 anos da política

A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) é um marco na consolidação do cuidado integral, equitativo e humanizado às crianças brasileiras, alinhada aos princípios do SUS e às metas da Agenda 2030 da ONU. Em uma década, a política contribuiu significativamente para a redução da mortalidade infantil e fetal por causas evitáveis, a qualificação da atenção ao parto, a promoção do aleitamento materno e o acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento infantil.

“Celebrar 10 anos da PNAISC é reafirmar o compromisso do Brasil com a sobrevivência, o cuidado integral e o desenvolvimento pleno de todas as crianças. Tudo isso faz parte de uma política que, além de ser muito bem escrita, é muito bem conduzida”, destacou Olívia Lucena, diretora do Departamento de Gestão do Cuidado Integral (DGCI), durante o evento. 

A transmissão da cerimônia está disponível no canal do DataSUS no YouTube

Camila Rocha
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral

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Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).

A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.

“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.

 A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.

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 As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.

Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.

 “Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.

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 Próximos passos

Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.

Comunidades quilombolas

Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.

 Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.

Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.

Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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