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Ministro André de Paula se reúne com câmaras temáticas do Mapa para alinhamento de demandas do setor

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Nesta terça-feira (12), o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, reuniu representantes das Câmaras Temáticas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) de Agricultura Orgânica, Agrocarbono Sustentável, Infraestrutura e Logística do Agronegócio, Insumos Agropecuários, Modernização do Crédito e Gestão de Risco e Mulheres Rurais. O objetivo foi conhecer os trabalhos de cada grupo e ouvir as principais demandas e perspectivas dos setores.

Na ocasião, o ministro destacou que a reunião integra um ciclo de três encontros estruturados para ampliar o diálogo com os diferentes segmentos do agro. “A divisão em blocos é uma estratégia para qualificar o diálogo com os segmentos do Mapa. Tenho recebido uma agenda extensa de reuniões com setores estratégicos, que têm apresentado suas visões, prioridades e contribuições, o que favorece uma compreensão mais ampla do cenário. Ao mesmo tempo, reafirma o compromisso de manter um ministério acessível e aberto ao diálogo”, afirmou.

Presente na reunião, o secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, destacou o papel das câmaras temáticas como instâncias de diálogo entre o governo e a iniciativa privada. “A Câmara Temática tem como principal função ser a porta de entrada das demandas dos diversos setores do agronegócio dentro do Ministério. As entidades que compõem cada câmara discutem internamente suas pautas e apresentam ao Ministério demandas consensuadas de forma mais organizada”, ressaltou.

Principais demandas apresentadas:

Agrocarbono Sustentável

O presidente da Câmara Temática de Agrocarbono Sustentável, Eduardo Bastos, apresentou iniciativas voltadas ao fortalecimento da agenda de sustentabilidade e ao posicionamento competitivo do Brasil no mercado internacional. Entre os destaques, citou a Aliança do Carbono, parceria técnico-científica lançada em 2024 entre o Mapa, a Embrapa, o Centro de Carbono da USP e a FGV Agro, que visa desenvolver metodologias para mensuração de emissões e sequestro de carbono na agricultura tropical.

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Agricultura Orgânica

Instalada em 2004, a Câmara Temática de Agricultura Orgânica reúne representantes do governo, produtores, associações, certificadoras, pesquisadores e consumidores. Seu presidente, Joe Valle, destacou temas relacionados ao aperfeiçoamento regulatório, à atualização de procedimentos e à modernização das listas positivas de ingredientes permitidos.

Entre as prioridades apresentadas estão a simplificação das normas, maior agilidade e padronização das interpretações em todo o território nacional, além do avanço em acordos de reciprocidade internacional para o reconhecimento mútuo de certificações orgânicas, contribuindo para a redução de custos e ampliação do acesso a mercados premium.

Insumos Agropecuários

O presidente da Câmara Temática de Insumos Agropecuários, Roberto Levrero, ressaltou a evolução do Brasil na regulamentação do setor, beneficiando tanto a agricultura orgânica quanto a convencional, do pequeno ao grande produtor.

Entre as pautas prioritárias, foram citados o avanço da regulamentação dos bioinsumos e a continuidade da regulamentação da Lei do Autocontrole, com foco em promover maior segurança jurídica e uniformidade nos processos de fiscalização.

Infraestrutura e Logística

A Câmara Temática de Infraestrutura e Logística do Agronegócio do Mapa atua no planejamento, proposição e acompanhamento de ações voltadas ao aprimoramento do escoamento da safra, da armazenagem e do transporte de produtos agropecuários.

O presidente da câmara, Mário Borba, destacou temas relacionados ao escoamento da produção, à capacidade de armazenagem e aos custos logísticos. Entre os pontos apresentados, foram mencionados os efeitos da Tabela do Piso Mínimo de Frete, os custos operacionais do transporte, a necessidade de ampliação da infraestrutura logística e o fortalecimento da capacidade de armazenagem. O setor também ressaltou que o crescimento contínuo do agronegócio demanda investimentos permanentes para ampliar a eficiência logística e o escoamento da produção.

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Modernização do Crédito e Gestão de Risco

A Câmara Temática de Modernização do Crédito e Gestão de Risco do Agronegócio do Mapa tem como principal função promover discussões voltadas à inovação dos mecanismos de financiamento privado à produção rural, bem como estimular a competitividade e a redução de custos para o produtor.

O presidente da Câmara, Guilherme Rios, afirmou que o principal objetivo do grupo é consolidar propostas voltadas à modernização do crédito rural. A Câmara elaborou uma proposta de “Lei do Agro 3”, organizada em três eixos: ampliação das fontes de crédito, fortalecimento da segurança jurídica e melhoria do ambiente de negócios. Também foi destacada a evolução dos instrumentos financeiros, como a Cédula de Produto Rural (CPR), cujo estoque apresentou crescimento significativo nos últimos anos.

Mulheres Rurais

Instituída em 2026, a Câmara Temática de Mulheres Rurais tem como missão subsidiar o Mapa com estudos e diagnósticos voltados à formulação de políticas públicas. Sua presidente, Ângela Peres, destacou que o principal trabalho deste ano será a construção de um Painel de Diagnóstico Nacional das Mulheres Rurais, que servirá de base para futuras ações do setor.

Entre as prioridades estratégicas apresentadas estão a ampliação do acesso das mulheres ao crédito, o fortalecimento da liderança feminina, a valorização da atuação das mulheres rurais e o acompanhamento de políticas públicas voltadas para esse público.

Informações à imprensa
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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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