Tribunal de Justiça de MT

Ministro Barroso destaca pacificação nacional, segurança jurídica em palestra em Cuiabá

Publicado

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luís Roberto Barroso, encerrou a agenda institucional em Cuiabá (MT) na noite dessa segunda-feira (18 de agosto) com a palestra “Poder Judiciário, Segurança Jurídica e o Agronegócio”, realizada no auditório da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT). O encontro reuniu magistrados, representantes do setor produtivo, lideranças políticas e autoridades estaduais, reforçando o papel do diálogo institucional para o fortalecimento da democracia e do desenvolvimento econômico.

A vinda do ministro ao Estado foi marcada pela defesa de uma pauta de pacificação nacional, fortalecimento das instituições democráticas e valorização da estabilidade jurídica como elemento indispensável ao crescimento do país. Ao mesmo tempo, Barroso fez questão de reconhecer o papel do agronegócio na economia brasileira, apontando os desafios de conciliar desenvolvimento, proteção ambiental e respeito aos direitos das comunidades indígenas.

Pacificação em meio à polarização – Logo na abertura da fala, Barroso ressaltou que o Brasil atravessa um momento delicado de polarização política e social, fenômeno que, segundo ele, fragiliza a vida democrática e impacta diretamente no ambiente de negócios.

“Vivemos um momento de imensa polarização, desgastante e, às vezes, paralisante, com extremismo, intolerância e ódio. O país precisa de paz, precisa de pacificação para que os diferentes elementos da sociedade possam se unir em torno de uma agenda comum patriótica, que não tem ideologia. Estamos falando do crescimento econômico, erradicação da pobreza, prioridade para a educação e investimento em ciência e tecnologia”, destacou.

O ministro relatou que tem buscado dialogar com todos os setores políticos e sociais, em uma tentativa de reduzir tensões e promover consensos mínimos. “Eu venho me empenhando imensamente pela pacificação possível, conversando com todos os setores. Não é fácil, mas é necessário”, acrescentou.

Barroso explicou que, por conta do modelo constitucional brasileiro, o STF é chamado a decidir sobre temas sensíveis. Ele lembrou que a Constituição de 1988 ampliou os mecanismos de acesso ao STF, permitindo que diferentes atores, como partidos políticos, governadores, associações e entidades de classe, proponham, por exemplo, ações diretas.

“No Brasil, praticamente tudo chega ao STF e nós tratamos as questões mais decisivas da sociedade brasileira. Esse arranjo institucional foi definido pelo constituinte. E, com ele, conseguimos 40 anos de estabilidade institucional, e isso não é desimportante para a segurança jurídica”, observou.

Outro ponto de destaque foi a defesa do resgate da civilidade no debate público. Barroso ressaltou que a segurança jurídica não depende apenas de leis e decisões judiciais, mas também da capacidade da sociedade de construir consensos.

“Em busca de segurança jurídica, o Brasil precisa resgatar a capacidade de pessoas que pensam de maneira diferente sentarem e trocarem argumentos, tratando o outro com respeito. Muitas vezes, ouvir o outro traz argumentos que a gente não tinha pensado e permite a construção de soluções que harmonizam diferentes visões de mundo”, afirmou.

Leia mais:  Judiciário de MT inicia construção do Planejamento Estratégico Participativo

Litigiosidade, terras indígenas e equilíbrio institucional – Ao abordar o cenário jurídico, Barroso destacou os desafios relacionados à litigiosidade no Brasil, especialmente em matérias tributárias e trabalhistas, que afetam diretamente investimentos e a formalização do emprego.

Comentando sobre a questão da demarcação de terras indígenas, o ministro explicou que o Supremo tem buscado soluções de equilíbrio. Ele também defendeu avanços na organização fundiária e na integração de bancos de dados públicos, de forma a coibir a grilagem e oferecer maior segurança ao produtor rural.

Agronegócio: motor da economia – Barroso reconheceu a importância estratégica do agronegócio para o país. Ele lembrou que o setor responde por percentuais significativos do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e que esse crescimento tem impacto direto na balança comercial e na geração de empregos.

“O agronegócio brasileiro faz parte do Brasil que está certo. É um setor que gera empregos, movimenta a balança comercial e impulsiona inovação em diferentes áreas, como transporte e serviços financeiros”, afirmou.

Barroso reforçou, entretanto, que o futuro do setor está diretamente ligado à sustentabilidade ambiental e à preservação da Amazônia. “Sem os rios da Amazônia escoando aqui no Centro-Oeste, o agronegócio seria prejudicado. E sem o agronegócio, o Brasil não teria a força econômica que tem hoje. Portanto, precisamos encontrar o ponto ideal de equilíbrio entre desenvolvimento, proteção ambiental e respeito às comunidades indígenas”, frisou.

O ministro reiterou a visão construtiva e otimista em relação ao futuro do país, mesmo diante dos desafios. “Não acho que tudo esteja ruim com tendência a piorar. O Brasil melhorou muito, mas precisamos avançar mais, sobretudo na educação e no enfrentamento das desigualdades. Tenho convicção de que o Brasil tem condições de voltar a crescer e de se tornar uma nação mais justa, próspera e civilizada”, concluiu.

Marco para o desenvolvimento – A presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam), juíza Jaqueline Cherulli, avaliou a palestra como um marco no relacionamento entre o Judiciário e o setor produtivo. “Esse encontro representa um estreitamento fundamental entre a magistratura, a advocacia e o agronegócio. O tema central, segurança jurídica, impacta diretamente na economia e na vida dos cidadãos. O ministro trouxe um verdadeiro banho de realidade, reforçando a importância da aproximação das instituições e quebrando paradigmas sobre um Judiciário distante ou encastelado”, destacou.

Entre magistrados, ainda estiveram presentes o desembargador Orlando de Almeida Perri e a desembargadora Marilsen Andrade Addário, e os juízes de Direito, Tiago Abreu, Anderson Junqueira e Luís Otávio Pereira Marques, assim como a conselheira da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Mariel Cavalin.

O presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, destacou a relevância da presença do ministro em um espaço de diálogo direto com o agronegócio. “Sem dúvida nenhuma, é um prestígio para nós recebermos o presidente do STF aqui na nossa entidade. É uma oportunidade de mostrar os desafios que enfrentamos, trazer nossas reivindicações e, ao mesmo tempo, ouvir a perspectiva do Judiciário sobre o presente e o futuro do país”, afirmou. Ele lembrou ainda que a segurança jurídica é condição para o desenvolvimento do setor, que responde pela geração de empregos e pela manutenção do crescimento do PIB.

Leia mais:  Desembargador recebe alunos de Cáceres e inspira futuros profissionais do Direito

Durante o evento, foi firmado convênio entre a Aprosoja-MT e o CNJ, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), voltado para a preparação de candidatos de baixa renda, incluindo indígenas, descendentes de africanos e pessoas com deficiência, aos concursos da magistratura. O aporte permitirá ampliar a inclusão e a competitividade em um dos certames mais concorridos do país. No encerramento, lideranças do setor produtivo entregaram ao ministro cartas com reivindicações e propostas relacionadas a diversos temas.

Diálogo com a Advocacia – O início da noite foi marcado pela presença do ministro Barroso na sede da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), considerado um momento histórico à advocacia mato-grossense. Em 93 anos de existência da instituição, foi a primeira vez que um presidente do STF visitou oficialmente a Casa da Advocacia, em um encontro que reuniu conselheiros federais e estaduais, presidentes de subseções, dirigentes de comissões e advogados de todo o Estado.

A presidente da OAB-MT, Gisela Cardoso, ressaltou o simbolismo da ocasião, classificando-a como um marco à advocacia estadual. “É uma data especial. Pela primeira vez temos a honra de receber o presidente do STF em nossa casa. Isso fortalece nossa atuação e simboliza o reconhecimento de uma advocacia combativa, pujante e de destaque no cenário nacional”, afirmou.

O conselheiro do CNJ, Ulisses Rabaneda, que é de Mato Grosso e que também já exerceu funções de destaque na advocacia local, enfatizou o respeito que o ministro dedica à classe. “Para nós, mato-grossenses, é uma grande honra ter vossa excelência na nossa casa. O ministro Barroso nunca virou as costas para a advocacia. Pelo contrário, sempre prestigiou a classe em suas decisões e ações. Sua presença aqui é um momento histórico, que reafirma os valores democráticos e o papel essencial da advocacia no sistema de justiça”, destacou.

No pronunciamento, o ministro Barroso relembrou sua trajetória de mais de 30 anos como advogado e a ligação afetiva que mantém com a Ordem. Ele compartilhou episódios pessoais e destacou a importância da OAB na defesa da democracia, especialmente durante o período da ditadura militar. “Eu tenho alma de advogado. Tudo que conquistei na vida veio da advocacia e da sua nobre missão de defender direitos. A OAB desempenhou um papel decisivo na redemocratização do Brasil e continua sendo uma voz importante para a preservação do Estado de Direito”, afirmou.

Fotos: Bruno Lopes/Aprosoja-MT e Fernando Rodrigues/OAB-MT

Leia também:

Ministro Barroso planta Ipê Amarelo e celebra compromisso ambiental em Mato Grosso

18ª edição do Diálogos da Magistratura destaca inovação e valorização dos juízes de Primeiro Grau

Ministro Barroso dialoga com estudantes no Liceu Cuiabano e defende educação como base do futuro

Autor: Talita Ormond

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Comentários Facebook
publicidade

Tribunal de Justiça de MT

Mutirão na 14ª Vara Criminal agiliza depoimentos especiais de crianças e adolescentes

Publicado

O Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT) realiza até 15 de maio um mutirão de depoimentos especiais na 14ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá, com foco na oitiva de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência. A iniciativa integra as ações do Maio Laranja e do Mês da Infância Protegida, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Ao longo da semana, das 8h às 11h, estão sendo realizadas audiências nos processos cautelares de antecipação de provas que ainda não haviam sido concluídos no mutirão promovido no ano passado. Ao todo, 13 processos estão incluídos na força-tarefa.
Na 14ª Vara Criminal, a maioria dos casos envolve crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes. Também há alguns processos relacionados a homicídios.
O depoimento especial é realizado conforme estabelece a Lei nº 13.431/2017, que instituiu o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência. A escuta ocorre em ambiente acolhedor e humanizado, conduzida por psicóloga do Juízo, responsável por intermediar as perguntas formuladas pelas partes e pelo magistrado, permitindo que a vítima se manifeste de forma espontânea e sem constrangimentos.
A metodologia busca evitar a revitimização, reduzindo impactos emocionais durante a produção da prova judicial.
“O mutirão é importante para agilizar a tramitação dos feitos, dada a extrema relevância da matéria que envolve a proteção das crianças e adolescentes”, afirmou o juiz João Bosco Soares da Silva ao destacar a importância da iniciativa para garantir maior agilidade processual e proteção às vítimas.
A ação integra um conjunto de iniciativas desenvolvidas pelo Judiciário voltadas à proteção integral da infância e adolescência, especialmente no enfrentamento à violência sexual infantojuvenil. Entre as medidas adotadas estão o fortalecimento da rede de proteção, a priorização da tramitação de processos envolvendo vítimas vulneráveis, capacitação de magistrados e servidores, além de campanhas educativas e ações preventivas realizadas durante o Maio Laranja.
“O enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes exige atuação integrada e permanente de toda a sociedade e das instituições públicas. O Poder Judiciário mato-grossense segue comprometido com a proteção da infância, a responsabilização dos agressores e a garantia de atendimento humanizado às vítimas”, afirmou a juíza auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ), Anna Paula Gomes de Freitas Sansão, ao reforçar o compromisso institucional com a proteção da infância.
Além do mutirão em Cuiabá, a CGJ promoverá na última semana de maio ações semelhantes nas comarcas de Rondonópolis e Várzea Grande, em varas criminais com competência para apuração de crimes contra crianças e adolescentes.
O CNJ propôs aos tribunais a realização de ações concentradas em todo o país entre os dias 3 e 18 de maio, para marcar o Mês da Infância Protegida. As atividades devem ter foco na celeridade processual, realização de atos prioritários, fortalecimento da escuta protegida e articulação entre Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e rede de proteção.

Autor: Assessoria de Comunicação

Leia mais:  Tribunal do Júri julga nesta segunda investigador da Polícia Civil réu por morte de PM em Cuiabá

Fotografo:

Departamento: CGJ-MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana