Agro News

MMA alcança Nível 3 Pleno em avaliação de integridade pública realizada pela Controladoria-Geral da União

Publicado

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) alcançou o Nível 3 – Pleno em uma avaliação de integridade realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU), que tem como referência o Modelo de Maturidade em Integridade Pública (MMIP). O mecanismo apresenta um conjunto de diretrizes e orientações para que órgãos e gestores construam ambientes cada vez mais transparentes, éticos e com práticas responsáveis. O resultado foi divulgado no fim de agosto.

A avaliação foi conduzida pela Secretaria de Integridade Pública da CGU, entre abril e julho de 2025, para aprimorar a gestão e a governança nos órgãos federais. O MMA obteve nota geral 3,00, o que corresponde a 100% de implantação dos macroprocessos-chave dos níveis 2 e 3, relativos à padronização e à integração, respectivamente.

O diagnóstico ocorreu no âmbito do Sistema de Integridade, Transparência e Acesso à Informação da Administração Pública Federal (Sitai), instituído por meio do Decreto nº 11.529/2023. O Sitai tem como objetivos coordenar e articular as atividades relativas à integridade, à transparência e ao acesso à informação; estabelecer padrões para as práticas e as medidas nessas áreas; e aumentar a simetria de informações e dados nas relações entre a administração pública federal e a sociedade.

O desenvolvimento das atividades foi acompanhado pela Assessoria Especial de Controle Interno (AECI) do MMA, que exerce a função de Unidade Setorial de Integridade (USI) no MMA.

Para atender às diretrizes do Sitai, o MMA instituiu o “Programa Ambiente Íntegro”, por meio da Portaria GM/MMA nº 896/2023. A iniciativa tem como finalidade a prevenção, a detecção e a remediação de práticas de corrupção e fraude, irregularidades, ilícitos e outros desvios éticos e de conduta. A ação também abrange medidas de enfrentamento à violação ou ao desrespeito a direitos, valores e princípios que impactem a confiança, a credibilidade e a reputação institucional.

As diretrizes do programa se materializam no Plano de Integridade 2023-2025, que organiza as 47 ações que se encontram em andamento para fortalecer a cultura de integridade da pasta.

Nesse contexto, o alcance do Nível 3 – Pleno reflete o esforço conjunto das diversas instâncias e unidades do MMA na adoção de funções de integridade, transparência e acesso à informação.

Leia mais:  Ministério da Pesca e Aquicultura e CGU pedem investigação da Polícia Federal sobre fraudes na concessão do Seguro-Defeso

Governança

A governança sobre o tema de integridade no MMA é liderada pelo Comitê Permanente de Gestão da Integridade, instância coordenada pela AECI, e instituída por meio da Portaria GM/MMA nº 881/2023. O colegiado possui caráter integrativo e articulador para fomentar a cultura de integridade, transparência e acesso à informação. Para isso, estimula ações de capacitação, compartilhamento de boas práticas e ações preventivas, entre outras iniciativas estratégicas.

Há ainda a atuação por meio da Rede de Integridade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Rimma), também instituída por meio da Portaria GM/MMA nº 881/2023, que promove a integração e o debate sobre integridade, transparência, controle, participação social, acesso à informação e conduta ética.

A Rimma congrega representantes do MMA, do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ). Os órgãos são representados por suas Auditoria Interna, Corregedoria, Ouvidoria, Comissão de Ética e unidade setorial do Sitai.

Confira as ações mais recentes adotadas pelo MMA para fortalecer o compromisso com a agenda:

  • Projeto Semeando Integridade: memorando de entendimento para prevenção, orientação e capacitação em correição firmado entre as Corregedorias do MMA, do Ibama e do ICMBio;

  • Projeto-piloto “Rodas de Conversa”: desenvolvido pela AECI e pela Corregedoria do MMA, promoveu palestra sobre prevenção e tratamento de conflito de interesses;

  • Cooperação interministerial: as Ouvidorias do MMA e do Ministério da Cultura divulgaram o Guia Lilás, manual da CGU com orientações para a prevenção e o enfrentamento ao assédio moral e sexual e à discriminação, em atividade dirigida aos terceirizados de empresa contratada para atender ambas as pastas;

  • Projeto Ouvidorias Ambientais: as Ouvidorias do MMA, Ibama, ICMBio e SBF participaram da 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (5ª CNMA), realizada em Brasília, no mês de abril. Com atendimentos presenciais e ações de orientação ao público, a participação integrou a estratégia de escuta ativa, reforçando o papel das ouvidorias como canais essenciais de transparência e mediação entre o cidadão e o poder público;

  • Minuto da ética: informativo periódico promovido pela Comissão de Ética do MMA para orientar a conduta no serviço público;

  • Comitê Permanente de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, Sexual e Discriminação: foi instituído em fevereiro de 2025, por meio da Portaria GM/MMA nº 1.311, de 05 de fevereiro de 2025. Presidido pela Subsecretaria de Planejamento, Orçamento e Administração do MMA, o colegiado elaborou o Plano Setorial de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação da pasta, que foi formalizado pela Portaria GM/MMA nº 1.359, de 31 de março de 2025. Atualmente, o comitê elabora o Plano de Ação do Plano Setorial, o Protocolo de Acolhimento, Acompanhamento e Resolução de Denúncias e o Formulário de Avaliação de Risco para Assédio e Discriminação;

  • Oferta de cursos: no eixo de capacitação, o MMA tem ofertado cursos na temática de integridade a todos os servidores do órgão. Destaca-se a divulgação de trilhas de aprendizagem disponíveis na Escola Nacional de Administração Pública (Enap): Contratações Públicas – Planejamento da Contratação; Contratações Públicas – Gestão do Contrato; e Contratações Públicas – Seleção de fornecedor. Os servidores do MMA também realizaram diversas capacitações ofertadas pela pasta, como gestão de transferências discricionárias da União; pesquisa de preço nas contratações públicas; rodas de conversa em abril sobre o mês de conscientização sobre o autismo (relacionada ao tema da inclusão), palestra sobre tratamento de documentos sigilosos e capacitação em termos de execução descentralizada, além da participação em cursos abertos promovidos por outras instituições.

Leia mais:  Testamento garante segurança jurídica e continuidade dos negócios rurais

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
[email protected]
(61) 2028-1227/1051
Acesse o Flickr do MMA

Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Uso de satélite para barrar crédito rural gera novo debate no setor

Publicado

A nova regra que condiciona o acesso ao crédito rural ao monitoramento ambiental por satélite abriu uma frente de tensão entre produtores, Congresso e governo federal. Desde 1º de abril, bancos que operam recursos do Plano Safra passaram a consultar automaticamente dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) antes da liberação dos financiamentos agropecuários.

O centro da discussão está nos chamados “falsos positivos”, situações em que alterações na cobertura vegetal identificadas pelo sistema acabam sendo interpretadas como desmatamento irregular, mesmo quando decorrem de atividades produtivas permitidas ou manejos regulares dentro da propriedade.

Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), produtores vêm relatando dificuldades para acessar crédito em casos envolvendo limpeza de pastagem, manejo agrícola, renovação de áreas produtivas e até colheita de florestas plantadas, como eucalipto.

A preocupação do setor é que o sistema utilizado para monitoramento identifica mudanças na vegetação, mas não consegue, sozinho, diferenciar imediatamente uma atividade legal de um desmatamento irregular.

Com isso, o bloqueio ao crédito pode ocorrer antes mesmo de qualquer análise individualizada do caso. Isso inverte o ônus da prova e  obriga o produtor a comprovar posteriormente que a alteração apontada pelo satélite não configura infração ambiental. O processo pode envolver laudos técnicos, documentos fundiários, análises ambientais e procedimentos administrativos que levam semanas ou meses.

Leia mais:  Embarques de açúcar seguem aquecidos nos portos brasileiros

O problema ganha peso porque o crédito rural continua sendo peça central do financiamento agropecuário brasileiro, especialmente em um momento de juros elevados, aumento do endividamento e custos ainda pressionados.

Dados citados pela consultoria Datagro mostram que mais de 5,4 milhões de apontamentos positivos estavam registrados no sistema Prodes até outubro de 2025. Parte dessas ocorrências, segundo o setor, pode estar associada justamente a interpretações equivocadas do monitoramento remoto.

As novas exigências estão previstas nas Resoluções nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025, do Conselho Monetário Nacional (CMN), dentro do processo de endurecimento das regras ambientais para concessão de crédito rural.

A justificativa oficial é impedir que propriedades com irregularidades ambientais tenham acesso a recursos públicos subsidiados.

O avanço das restrições provocou reação imediata no Congresso Nacional. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária protocolaram projetos para suspender os efeitos das resoluções até que sejam criados mecanismos considerados mais precisos de validação ambiental.

As propostas também tentam impedir embargos automáticos baseados exclusivamente em imagens de satélite e estabelecer critérios técnicos mais claros para restrições ao financiamento rural.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o principal problema está na automatização do processo sem análise técnica prévia. “O monitoramento ambiental é necessário e irreversível. O problema começa quando um apontamento preliminar feito por satélite passa a produzir efeito imediato sobre o crédito sem uma verificação individualizada da situação da propriedade”, afirma.

Leia mais:  Bem-estar animal na suinocultura brasileira aumenta qualidade da carne e rentabilidade das granjas

Segundo Rezende, a insegurança aumenta porque o produtor depende do financiamento para manter o calendário agrícola e não consegue esperar meses por uma solução administrativa. “O crédito rural não financia apenas expansão. Ele financia custeio, compra de insumos, operação da safra e fluxo de caixa da propriedade. Quando o recurso trava por causa de um possível falso positivo, o impacto econômico acontece imediatamente dentro da porteira”, diz.

Ele avalia que o avanço das exigências ambientais tende a se intensificar nos próximos anos, principalmente pela pressão de bancos, mercados importadores e sistemas internacionais de rastreabilidade.

“A questão ambiental passou a fazer parte da análise de risco do crédito rural. Isso já não é mais uma discussão apenas regulatória. O produtor vai precisar cada vez mais de documentação organizada, regularidade ambiental e segurança jurídica para acessar financiamento e mercado”, afirma.

O episódio evidencia uma mudança estrutural no agro brasileiro. Critérios ambientais deixaram de afetar apenas fiscalização e passaram a interferir diretamente na capacidade de financiar produção, renegociar dívidas e manter competitividade no mercado internacional.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana