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MMA, com a cooperação da FAO, conclui Redeser e amplia gestão sustentável em 1,5 milhão de hectares na Caatinga

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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) concluiu o projeto Redeser, iniciativa destinada ao combate da desertificação em áreas críticas do semiárido brasileiro. A entrega foi apresentada nesta terça-feira (16/12), em Brasília, e representa um avanço na gestão de recursos naturais em áreas suscetíveis à desertificação (ASD). Como resultado, mais de 1,5 milhão de hectares na Caatinga passaram a adotar práticas que contribuem para a recuperação de áreas degradadas, fortalecem a conservação e promovem o desenvolvimento sustentável das comunidades locais.  

A estratégia também impulsionou o manejo sustentável no bioma, com a elaboração e implementação de Planos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) em cerca de 30 mil hectares.  

Os avanços foram anunciados durante a cerimônia de lançamento do Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil), com a presença da secretária-executiva adjunta do MMA, Anna Flávia de Senna Franco, e do diretor geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Garo Batmanian. Saiba mais aqui.

O projeto, implementado com a cooperação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), atuou em 15 municípios, distribuídos em cinco áreas prioritárias nos estados do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, Bahia e Alagoas.   

O instrumento foi retomado em 2023, após quatro anos de paralisação, durante o governo anterior. A atuação teve foco na gestão integrada da paisagem, no manejo florestal sustentável da Caatinga, na implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) e no fortalecimento da apicultura junto a agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais.  

Na avaliação da secretária Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável (SNPCT) do MMA, Edel Moraes, o Redeser demonstrou que é possível reverter a desertificação por meio do fortalecimento das economias locais e da valorização dos saberes tradicionais. “O Redeser é um sucesso e mostra que os conhecimentos e práticas dos povos e comunidades tradicionais da Caatinga são chave para construir resiliência, proteção do bioma e adaptação às mudanças climáticas no semiárido.” 

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O resultado alcançado no desenvolvimento local foi reiterado pelo representante da FAO no Brasil, Jorge Meza. “O Redeser, como uma estratégia de agricultura resiliente ao clima, focou na recuperação de áreas degradadas, mitigação dos impactos das mudanças climáticas e na capacitação contínua dos agricultores, fortalecendo o capital social da região e assegurando uma produção mais eficiente e adaptada às realidades locais.”

Outra frente do projeto envolveu o fortalecimento da cadeia produtiva de sementes e mudas. Ao todo, 3.172 hectares estão em recuperação  com espécies nativas, além do fortalecimento de 12 bancos comunitários de sementes e da implantação de 12 viveiros.  

Nesse contexto, mais de 340 pessoas foram capacitadas no Sistema Nacional de Sementes e Mudas (SNSM), ampliando a capacidade local de produção, disseminação e conservação de espécies nativas. Ainda no âmbito da capacitação, 1.932 pessoas foram qualificadas, entre agricultores, extensionistas e técnicos. 

As contribuições no processo de formação sobre gestão integrada de recursos naturais no semiárido foram destacadas pelo diretor do Departamento de Combate à Desertificação da SNPCT/MMA, Alexandre Pires. “O Redeser atuou na gestão das propriedades a partir das várias interfaces entre agrofloresta, conservação de solo, recuperação de áreas degradadas, de recursos hídricos e de biodiversidade”, enfatizou.  

Empoderamento feminino

A iniciativa se estendeu para além da restauração ambiental, ao fortalecer a liderança de mulheres na região, onde quase metade das propriedades rurais apoiadas (48,9%) são geridas por mulheres. 

A agricultora familiar Maria Alessandra Gomes, ou Sandra, como é conhecida pela comunidade, contou como a iniciativa impactou a realidade das famílias no assentamento Maria Bonita, no município de Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas. “Antes, não tinha ração para os animais, e o projeto trouxe soluções para alimentar o rebanho”, contou Sandra, que também é criadora de caprinos.

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Além do apoio à implementação de estratégias de agricultura e pecuária resilientes ao clima, o Redeser transformou a relação da comunidade com o bioma. “Não fui apenas eu ou as famílias diretamente contempladas que se beneficiaram desse apoio. Agora, a Caatinga está florescendo”, destacou.

As ações impulsionaram ainda a criação de quatro redes nacionais e locais com foco no tema, além do apoio a Política Nacional de Combate à Desertificação e a estruturação do Programa Recaatingar, ação prevista no PAB. 

Emergência climática 

A mudança do clima está elevando as temperaturas globais, e esse fenômeno, somado à degradação do solo, tem ampliado as áreas suscetíveis à desertificação. A situação se caracteriza pela transformação de toda a biodiversidade local em terras áridas ou semiáridas, causada por um conjunto de fatores que incluem variações climáticas e atividades humanas. A alteração ocorre quando o solo perde sua atividade biológica, como a capacidade de reter água, armazenar nutrientes e sustentar a vegetação.  

A área suscetível à desertificação no Brasil cresceu 140 mil km² entre 2004 e 2020. Atualmente, cerca de 18% do território nacional pode passar por esse processo, impactando mais de 1,6 mil municípios e 39 milhões de pessoas, segundo o Plano Brasileiro de Combate à Desertificação. 

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Mercado de arroz segue travado em abril, com preços firmes e baixa liquidez no Brasil

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A primeira quinzena de abril consolidou um cenário de baixa liquidez no mercado de arroz, marcado pelo desalinhamento entre a oferta potencial e a disponibilidade efetiva do produto. Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a formação de preços segue descolada do fluxo de negociações.

De acordo com ele, o comportamento do produtor tem sido determinante nesse contexto. A retenção estratégica dos estoques, motivada por margens abaixo do custo de produção, limita a oferta no mercado e reduz o volume de negócios.

Intervalo de preços indica estabilidade artificial no mercado

Durante o período, as cotações oscilaram dentro de uma faixa entre R$ 61 e R$ 68 por saca de 50 quilos, configurando um piso no curto prazo. No entanto, essa estabilidade não reflete um mercado ativo.

Segundo o analista, trata-se de uma estabilidade artificial, com preços ofertados, mas sem efetivação de negociações, em um ambiente de baixa profundidade no mercado spot.

Indústria compra apenas para reposição imediata

Do lado da demanda, a indústria manteve uma postura cautelosa, realizando aquisições pontuais e voltadas exclusivamente à reposição de curto prazo. Esse comportamento reforça o cenário de poucos negócios e contribui para a manutenção do mercado travado.

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Exportações perdem competitividade com queda do dólar

No mercado externo, a competitividade do arroz brasileiro apresentou deterioração significativa ao longo da quinzena. O principal fator foi a valorização do real frente ao dólar, com a moeda norte-americana operando abaixo de R$ 5,00.

Esse movimento reduziu as margens de exportação (FOB), tornando inviável a participação do Brasil em mercados internacionais. Como consequência, o país atingiu paridade com os Estados Unidos, eliminando o diferencial competitivo necessário para exportações nas Américas.

Queda na demanda externa reduz ritmo de embarques

Após um início de ano com volumes expressivos, superiores a 600 mil toneladas no trimestre, o mercado registrou desaceleração nas exportações. A redução da atratividade do produto brasileiro resultou em retração da demanda internacional.

Com isso, as exportações deixaram de cumprir o papel de escoamento da produção, ampliando a pressão sobre o mercado interno.

Entrada da nova safra amplia oferta e pressiona dinâmica do mercado

O período também foi marcado pela transição entre o fim da entressafra e a chegada da nova safra, com avanço da colheita e consolidação de uma produção volumosa, com boa produtividade.

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Esse aumento na oferta potencial, somado à retração das exportações e à baixa liquidez interna, reforça o cenário de desequilíbrio entre produção e comercialização.

Cotação do arroz registra leve alta na semana, mas segue abaixo de 2025

No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, a média da saca de 50 quilos (58% a 62% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi cotada a R$ 63,14 na quinta-feira (16), registrando alta de 0,77% em relação à semana anterior.

Na comparação mensal, o avanço foi de 7,12%. No entanto, em relação ao mesmo período de 2025, o preço ainda acumula queda de 18,14%, evidenciando o cenário desafiador para o setor orizícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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