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Na COP30, MMA lidera diálogo sobre Neutralidade da Degradação da Terra e integração com as Convenções do Rio

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Durante a COP30, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) reafirmou sua liderança na agenda de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN, na sigla em inglês) ao coordenar, no Pavilhão Brasil da Zona Azul, um painel estratégico sobre a construção das metas brasileiras para 2030, bem como a integração da agenda com as três Convenções do Rio – Mudança do Clima (UNFCCC), Diversidade Biológica (CBD) e Combate à Desertificação (UNCCD). 

A atividade foi moderada pelo diretor do Departamento de Combate à Desertificação, Alexandre Pires, e reuniu a secretária Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Edel Moraes; o diretor do Departamento de Florestas, Thiago Belote; a consultora do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Romélia Moreira; e a vice-secretária executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), Andrea Meza Murillo.

Em sua fala, a secretária Edel Moraes afirmou que a agenda de LDN só se efetiva quando chega aos territórios e às comunidades, destacando que justiça climática e defesa da sociobiodiversidade precisam orientar a formulação das políticas públicas. 

“A pergunta central é como a agenda da LDN melhora a vida das comunidades. O objetivo é justiça social, justiça climática e defesa da sociobiodiversidade”, disse. “Não se trata apenas de recuperar áreas degradadas, mas de fortalecer povos e comunidades tradicionais, garantir direitos territoriais e reconhecer que são esses grupos que mantêm vivos biomas como a Caatinga e o Cerrado”, complementou. 

Edel lembrou que a Política Nacional de Combate à Desertificação (PNCD) e o novo Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação priorizam as regiões mais vulneráveis,especialmente a Caatinga, onde estão 62% das áreas suscetíveis à desertificação no país.

Alexandre Pires, por sua vez, detalhou o processo de construção das metas brasileiras de LDN, alinhadas ao Marco Estratégico da UNCCD para 2018–2030 e ao compromisso do Brasil de entregar sua proposta formal até a COP17. Pires destacou, ainda, que o país enfrenta lacunas de monitoramento e fragmentação institucional, o que reforça a necessidade de consolidar uma linha de base robusta, já em elaboração a partir dos indicadores integrados de cobertura da terra, produtividade e carbono orgânico do solo, desenvolvidos com IBGE, Embrapa e Observatório da Caatinga. 

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“Caatinga e Cerrado concentram cerca de metade da degradação registrada no país, o que reforça a urgência dessa agenda. As diretrizes que estamos estruturando se organizam nos três pilares da LDN — evitar, reduzir e restaurar a degradação,  e dialogam diretamente com as Convenções do Clima e da Biodiversidade. A LDN é um guarda-chuva estratégico para alinhar políticas e investimentos e colocar o Brasil como referência na integração dessas agendas”, afirmou. Segundo Alexandre, o próximo workshop nacional consolidará a proposta de metas, o sistema de monitoramento, a pactuação de indicadores e a estrutura do plano de ação.

Thiago Belote apresentou os avanços do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), instrumento central para cumprir a meta brasileira de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030. Belote destacou que a restauração conduzida pelo MMA é “biocultural”, pois integra conservação ecológica, inclusão produtiva e valorização dos conhecimentos tradicionais. 

“O Planaveg é uma das agendas que mais conectam as Convenções do Clima, da Biodiversidade e da Desertificação. Ele organiza áreas prioritárias para que os recursos sejam direcionados onde geram maior impacto ambiental e social, em sinergia com programas como o Recaatingar e o Plano de Ação de Combate à Desertificação”, explicou.

Representando o IICA, Romélia Moreira de Souza reforçou que a agenda de LDN na América Latina foi construída em estreita parceria com o MMA, com foco na transformação dos sistemas produtivos. Segundo ela, combater a degradação exige pensar em agricultura resiliente, adaptação climática e fortalecimento dos modos de vida locais. 

“A LDN, quando fala em restaurar a terra, fala também em olhar para as pessoas. Muitas regiões da América Latina dependem fortemente dos recursos naturais, e combater a degradação significa transformar sistemas produtivos para que sejam inteligentes, resilientes e acolham quem vive nos territórios. Isso significa reduzir vulnerabilidades, apoiar meios de vida sustentáveis e envolver as comunidades na diminuição dos impactos negativos”, afirmou. Romélia citou, ainda, experiências do Semiárido, como a Caatinga Climate Week, que demonstram que políticas integradas podem recompor paisagens e fortalecer economias locais.

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Finalizando o painel, Andrea Meza Murillo, secretária-adjunta executiva da UNCCD, reconheceu a postura do Brasil na COP30 e elogiou a consistência da agenda ambiental apresentada pelo MMA. 

“É profundamente inspirador ver a liderança que o governo do Brasil está exercendo nas três agendas das Convenções do Rio. Esta é a COP da ação e, sobretudo, a COP dos povos. O que o Brasil apresenta aqui é uma visão de transição ecológica que não é apenas energética, mas social,  orientada ao bem-estar das pessoas”, afirmou. 

Meza destacou também que o solo é o grande conector entre clima, biodiversidade, segurança alimentar e segurança hídrica, especialmente nos países em desenvolvimento, onde grande parte das emissões decorre da mudança de uso da terra. “O objetivo da LDN é construir economias e sociedades mais resilientes e equitativas. As pessoas estão no centro desse processo, sobretudo quando falamos de justiça climática e direitos territoriais. Não podemos seguir com a mesma lógica de desenvolvimento. Os Estados precisam alinhar suas políticas aos compromissos globais de clima, biodiversidade e direitos humanos, e o Brasil está mostrando que isso é possível”, concluiu. 

O painel consolidou o papel do MMA como articulador das políticas de combate à desertificação, restauração ecológica e adaptação climática. A integração entre LDN, Planaveg, PAB-Brasil e ações voltadas ao Semiárido reforça o compromisso do governo federal com paisagens resilientes, justiça climática e proteção dos territórios que conservam a sociobiodiversidade brasileira.

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Delegação brasileira rumo à COP17 na Mongólia: país apresentará metas de resiliência e mitigação à seca

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A 17ª sessão da Conferência das Partes (COP17) da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) será realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, de 17 a 28 de agosto de 2026. O encontro constitui o principal espaço global de deliberação política para recuperação de áreas degradadas, proteção do solo e formulação de estratégias de resiliência contra os impactos socioeconômicos da seca extrema. 

Conduzida sob o tema “Restaurando a Terra. Restaurando a Esperança”, a conferência busca pactuar ações emergenciais para reverter um cenário global no qual a degradação atinge até 40% das superfícies terrestres. As rodadas de negociação focarão em alavancar recursos internacionais para o manejo sustentável de paisagens rurais, implementar inovações para a segurança hídrica e alimentar, e conter o êxodo rural forçado nas regiões áridas. 

Sinergia e compromisso brasileiro

Sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE), a comitiva brasileira se posiciona na COP17 com base no princípio de que a capacidade produtiva da terra e saúde do solo são indissociáveis ao equilíbrio climático e da proteção biológica. Para o Brasil, atingir suas Metas LDN e conter o avanço da degradação, no geral, e da desertificação em suas regiões semiáridas e subúmidas secas, com atenção especial aos Bioma Caatinga e Cerrado, é um pilar estratégico à segurança alimentar e hídrica interna, além do cumprimento de metas internacionais.

A Secretária Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Edel Moraes, reafirma o compromisso do Governo do Brasil com a implementação da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) e com o fortalecimento da agenda global de restauração da terra: “Enfrentar a degradação da terra exige integrar o conhecimento científico, os saberes tradicionais e políticas públicas capazes de promover justiça socioambiental e desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, o Brasil avançou com elaboração do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil), com o lançamento do Recatingar e, está atualmente, com na construção das Metas Voluntárias de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN), reconhecendo o papel estratégico dos povos e comunidades tradicionais na conservação, restauração dos ecossistemas e adaptação às mudanças do clima”, destacou.

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O Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil 2024-2043) é o principal instrumento do país para guiar a política nacional sobre o tema nos próximos 20 anos, articulando ações para neutralizar a perda de fertilidade do solo e proteger as populações mais vulneráveis.

Participação e governança 

Na última edição da conferência, um dos resultados de destaque foi a criação do Caucus Indígena e do Caucus de Povos e Comunidades Tradicionais. Para a COP17 na Mongólia, a expectativa brasileira é que a Convenção avance na consolidação dessas agendas.

“A expectativa é que se chegue à formulação final dos termos de referência dos Caucus de Comunidades Locais e povos Indígenas para a instalação definitiva desses grupos de trabalho. Eles irão contribuir diretamente para uma escuta ativa dessas populações, que são afetadas pelos processos de degradação da terra”, pontuou a secretária Edel Moraes.

Os debates deste ano ocorrem em consonância com o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores (IYRP 2026), o que confere visibilidade extra a biomas que, embora garantam o sustento de 500 milhões de pessoas no mundo, enfrentam perda acelerada de produtividade.

Recuperação socioprodutiva

O diretor do Departamento de Combate à Desertificação do MMA, Alexandre Pires, ressaltou as principais ações que o Brasil apresentará para a comunidade internacional durante o evento, com destaque para a Caatinga. “Vamos apresentar o Programa Recaatingar, uma iniciativa de recuperação socioprodutiva da terra no Bioma Caatinga que estabelece a meta de recuperar 10 milhões de hectares de terras degradadas nos próximos 20 anos. É uma ação que dialoga diretamente com a Iniciativa Global pela Terra do G20”, explicou. 

Além do programa de recuperação, o governo brasileiro levará à COP17 um novo sistema integrado de dados e informações sobre a seca e desertificação. De acordo com Alexandre Pires, a ferramenta funcionará como um instrumento estratégico para que o governo federal, estados e municípios planejem ações integradas de mitigação e adaptação climática nas regiões semiáridas. 

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O governo brasileiro também pretende apresentar os planos estaduais de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca, fruto de uma articulação com os governos dos estados do Semiárido brasileiro. A iniciativa é desenvolvida em parceria com a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e com a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).

As Três Convenções da Rio-92

A UNCCD integra o tripé de tratados ambientais globais nascidos na Cúpula da Terra de 1992 (Rio-92), ao lado das convenções de Clima e de Biodiversidade. Diferentemente da COP do Clima, que possui periodicidade anual, as COPs da Desertificação ocorrem a cada dois anos. O núcleo desse arcabouço global está estruturado de forma complementar: 

Convenção sobre Mudança do Clima (UNFCCC): Focada na redução das emissões de gases de efeito estufa e na transição energética global. 

Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB): Dedicada à preservação dos ecossistemas, uso sustentável da fauna e flora e repartição justa de benefícios genéticos. 

Convenção para o Combate à Desertificação (UNCCD): Voltada a conter a perda de fertilidade do solo, reverter a degradação produtiva da terra e formular estratégias de resiliência à seca e convivência com a desertificação. 

Construir uma agenda de implementação para deter o processo de degradação da terra e restaurar a capacidade produtiva das áreas já degradadas é uma iniciativa que une as três convenções. Afinal, a recuperação de terras degradadas recompõe a biodiversidade, contribui para a captura de carbono, favorece a recuperação dos recursos hídricos e ajuda a reduzir a temperatura do ambiente. 

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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