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Ovos lideram falta nas prateleiras dos supermercados e café amplia ruptura em maio, aponta Neogrid

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A disponibilidade de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros voltou a piorar em maio de 2026. Levantamento da Neogrid mostra que o Índice de Ruptura — indicador que mede a indisponibilidade de produtos no varejo — atingiu 12,4% no período, alta de 0,9 ponto percentual em relação aos 11,5% registrados em abril.

O avanço interrompe a melhora observada no mês anterior e evidencia novos desafios para a cadeia de abastecimento, especialmente em categorias de grande consumo. Os ovos permaneceram como o item mais afetado, enquanto café, açúcar, azeite, vinho e cerveja também registraram aumento na falta de produtos nas prateleiras.

Segundo Robson Munhoz, Chief Relationship Strategist da Neogrid, o cenário reflete uma combinação de fatores ligados à dinâmica do varejo e da indústria.

“O consumidor está cada vez mais exigente e o varejo ajusta constantemente seu mix de produtos e os volumes de compra junto à indústria. Esse movimento influencia o abastecimento, embora a ruptura também seja impactada por fatores como sazonalidade, custos logísticos, preços e oscilações da demanda”, explica.

Ovos seguem com maior índice de ruptura do varejo

Os ovos de aves continuaram liderando o ranking de indisponibilidade entre todas as categorias monitoradas.

Em maio, o índice de ruptura passou de 25,5% para 28,4%, avanço de 2,9 pontos percentuais, demonstrando que a reposição do produto segue pressionada, mesmo com a produção nacional em níveis elevados.

Apesar da maior falta nas gôndolas, os preços apresentaram recuo na maior parte das embalagens comercializadas. A cartela com seis unidades caiu de R$ 7,51 para R$ 7,15, atingindo o menor valor desde janeiro. A embalagem com 12 ovos passou de R$ 11,98 para R$ 11,61, enquanto a de 24 unidades recuou de R$ 11,67 para R$ 11,52. Apenas a embalagem com 30 unidades registrou leve alta, passando de R$ 21,43 para R$ 21,56.

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Dados do IBGE mostram que a produção brasileira de ovos alcançou 1,21 bilhão de dúzias no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 0,4% em comparação ao mesmo período do ano passado. Entretanto, frente ao quarto trimestre de 2025, houve retração de 3,5%, indicando desaceleração na oferta após o forte ritmo observado no fim do ano.

Café registra maior dificuldade de abastecimento mesmo com queda nos preços

O café também apresentou aumento expressivo na ruptura.

O índice de indisponibilidade subiu de 6,8% para 8,6% em maio, mesmo diante da redução dos preços ao consumidor.

O café torrado e moído caiu de R$ 73,45 para R$ 71,22 por quilo, enquanto o café em grãos recuou de R$ 133,96 para R$ 127,28 por quilo.

O comportamento demonstra que a redução dos preços estimulou a demanda, elevando a velocidade de reposição nas lojas.

Açúcar amplia ruptura impulsionado pelo aumento da demanda

Outra categoria que registrou maior dificuldade de abastecimento foi o açúcar.

O índice de ruptura avançou de 8,6% para 10,4%, acompanhando um cenário de preços mais baixos nas gôndolas.

O açúcar refinado caiu de R$ 4,39 para R$ 4,23 por quilo, enquanto o cristal passou de R$ 3,73 para R$ 3,71.

Segundo análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o avanço da safra elevou a oferta do produto no mercado, pressionando os preços para baixo e estimulando o consumo, fator que contribuiu para o aumento da ruptura no varejo.

Azeite volta a registrar aumento na falta de produtos

Após apresentar melhora em abril, o azeite voltou a enfrentar dificuldades de abastecimento.

A ruptura cresceu de 10,8% para 12,6% em maio, refletindo oscilações típicas da categoria.

Nos preços, o comportamento foi misto. O azeite virgem avançou de R$ 62,66 para R$ 63,71 por litro, enquanto o extravirgem apresentou leve queda, passando de R$ 75,20 para R$ 74,42.

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Consumo de inverno pressiona disponibilidade dos vinhos

Com a chegada das temperaturas mais baixas, o consumo de vinho aumentou e refletiu diretamente na disponibilidade dos produtos.

O índice de ruptura subiu de 10,6% para 12,2%.

Entre os preços, o vinho importado caiu de R$ 61,00 para R$ 59,01. O vinho fino nacional passou de R$ 46,71 para R$ 46,14, enquanto o vinho de mesa permaneceu praticamente estável. Já a sangria foi a única categoria que apresentou alta mais expressiva, passando de R$ 11,28 para R$ 12,28.

Cerveja também registra maior indisponibilidade

Embora tenha apresentado o menor aumento entre as categorias analisadas, a cerveja também registrou crescimento da ruptura.

O índice passou de 10,4% para 11,5% em maio.

Segundo a Neogrid, mesmo durante um período de consumo historicamente mais moderado em comparação ao verão, a categoria exige atenção constante dos varejistas devido ao elevado giro de mercadorias e à ampla variedade de marcas e embalagens disponíveis.

Nos preços, a cerveja clara apresentou leve redução, enquanto as versões sem álcool e escura tiveram pequenas altas. Já a cerveja artesanal registrou queda de preço no período.

Varejo busca equilíbrio entre estoque e disponibilidade

Para a Neogrid, o aumento da ruptura em maio demonstra os desafios enfrentados pelo varejo brasileiro para equilibrar disponibilidade de produtos, custos logísticos e capital investido em estoques.

A combinação entre oscilações na oferta, mudanças no comportamento do consumidor, sazonalidade e ajustes nas cadeias de suprimentos exige planejamento cada vez mais preciso para evitar tanto a falta de produtos nas prateleiras quanto o excesso de mercadorias armazenadas.

Com categorias de alto giro, como ovos e café, liderando a alta da ruptura, o monitoramento dos estoques torna-se um fator estratégico para garantir competitividade, reduzir perdas e atender à demanda dos consumidores.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mercado de trigo permanece travado no Sul do Brasil com moinhos abastecidos e baixa liquidez nas negociações

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O mercado de trigo continua operando em ritmo lento na Região Sul do Brasil, com poucos negócios efetivados e negociações restritas à reposição pontual de estoques por parte dos moinhos. A baixa liquidez predomina nos três principais estados produtores — Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná —, enquanto compradores e vendedores mantêm posições firmes diante do atual cenário de preços.

De acordo com levantamento da TF Agroeconômica, a comercialização segue limitada pela combinação de demanda moderada, margens apertadas da indústria moageira e expectativas em torno da nova safra.

Rio Grande do Sul concentra atenções na safra 2025

No Rio Grande do Sul, os grandes moinhos praticamente encerraram as compras para julho, concentrando seus esforços no planejamento das aquisições para agosto. As negociações disponíveis giram em torno de R$ 1.420 por tonelada entregue, com volumes reduzidos.

Além da lentidão nas vendas, produtores demonstram preocupação com a próxima safra. Os elevados custos de produção, os preços considerados pouco atrativos e as incertezas climáticas associadas ao fenômeno El Niño aumentam a cautela no campo. Também preocupa a possibilidade de maior incidência de grãos com níveis elevados de DON (Deoxinivalenol), micotoxina que compromete a qualidade do cereal.

Cooperativas das regiões Central e Noroeste do estado avaliam que a área destinada ao trigo poderá sofrer redução de até 40%, embora ainda não exista confirmação oficial desse percentual.

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Segundo estimativas da Emater-RS, a produção gaúcha poderá alcançar cerca de 2,2 milhões de toneladas, volume significativamente inferior às aproximadamente 3,8 milhões a 4 milhões de toneladas registradas na safra anterior. Caso esse cenário se confirme, o estado poderá enfrentar déficit próximo de 1,9 milhão de toneladas, ampliando a necessidade de importações.

Enquanto isso, o preço pago ao produtor no mercado de balcão apresentou leve valorização, alcançando R$ 70,02 por saca.

Santa Catarina registra compras pontuais

Em Santa Catarina, o mercado também apresenta baixa movimentação. Os moinhos estão relativamente abastecidos e realizam compras apenas para complementar estoques específicos.

Negócios envolvendo trigo melhorador foram registrados a R$ 1.450 por tonelada FOB, enquanto a referência geral permanece próxima de R$ 1.350 FOB. Para o trigo entregue no leste catarinense, os preços chegam a R$ 1.500 por tonelada CIF, refletindo os custos logísticos.

A evolução das cotações encontra resistência na dificuldade da indústria em reajustar os preços das farinhas, o que limita o espaço para valorização do grão.

No mercado de balcão, os preços permaneceram estáveis nas regiões de Canoinhas, Rio do Sul, Joaçaba e Xanxerê, enquanto Chapecó e São Miguel do Oeste registraram pequenas altas.

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Paraná mantém oferta reduzida e negociações limitadas

No Paraná, a oferta segue restrita e os negócios continuam acontecendo de forma pontual. Foram registrados lotes negociados a R$ 1.450 por tonelada CIF no Sudoeste do estado.

Também houve comercialização de trigo importado do Paraguai, entregue em Curitiba, com preços ao redor de R$ 1.570 por tonelada CIF.

O mercado permanece travado porque compradores resistem aos valores pedidos pelos vendedores, enquanto produtores seguem firmes na expectativa de preços mais remuneradores.

Para a safra nova, praticamente não houve negociações. As indicações para entregas entre o final de agosto e setembro permanecem próximas de R$ 1.400 por tonelada CIF moinho, sem evolução significativa nas últimas semanas.

Mercado segue atento ao comportamento da oferta

O cenário atual demonstra um mercado equilibrado entre uma oferta limitada e uma demanda cautelosa. Enquanto os moinhos trabalham com estoques relativamente confortáveis, produtores avaliam o impacto dos custos de produção, das condições climáticas e da rentabilidade da cultura antes de ampliar os investimentos na próxima safra.

A definição da área efetivamente plantada, o comportamento do clima durante o ciclo produtivo e a necessidade de importações deverão ser fatores determinantes para a formação dos preços do trigo nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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