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Parceria entre municípios mineiros impulsiona agroindústrias locais e leva produtos regionais para todo o país

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Minas Gerais lidera certificações nacionais para produtos de origem animal

Minas Gerais se destaca no cenário nacional por liderar a certificação de produtos de origem animal com equivalência ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA). Essa conquista permite a comercialização, em todo o território nacional, de alimentos como queijos, carnes, mel, ovos e derivados de leite produzidos por pequenas agroindústrias locais.

Atualmente, o estado conta com 26 consórcios públicos municipais reconhecidos com equivalência ao SISBI, o maior número do país. O selo garante que as agroindústrias mineiras sigam os mesmos padrões de qualidade e segurança alimentar exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), através da certificação dos produtos com o Selo de Inspeção Municipal (SIM).

Certificação amplia mercados e reduz custos para pequenos produtores

A equivalência ao SISBI representa um marco para produtores rurais e pequenas agroindústrias. Além de agilizar a legalização da produção e reduzir custos, o reconhecimento abre novos mercados, permitindo que produtos certificados sejam vendidos em outros estados.

Antes, o processo de certificação podia demorar até um ano. Hoje, graças à descentralização e ao apoio técnico local, a legalização é concluída em poucos meses, tornando o processo mais simples e acessível.

Para Juliana Rezende Mello, produtora de cafés e mel em Monte Carmelo (MG) e integrante da RIDES – Região Integrada de Desenvolvimento Sustentável, o selo é um divisor de águas.

“Com o SISBI, vou poder incluir o mel na minha plataforma de e-commerce e vender para todo o Brasil, diversificando e ampliando minha produção”, afirma.

Produtores celebram novas oportunidades de crescimento

Outro exemplo de sucesso vem de Tomáz de Aquino, proprietário da Queijaria e Laticínios Grotadas A2A2, em Lagoa da Prata (MG), que integra o Consórcio Intermunicipal dos Serviços de Inspeção do Centro-Oeste Mineiro (CISICOM). Segundo ele, a certificação transformou as perspectivas da empresa.

“Com autorização para vender em todo o país, podemos planejar a ampliação da produção e alcançar novos mercados, inclusive em cidades vizinhas que antes estavam fora do nosso alcance”, destaca.

Sebrae Minas fortalece consórcios municipais e o desenvolvimento rural

Desde 2018, o Sebrae Minas tem desempenhado papel essencial na estruturação dos consórcios municipais que buscam a equivalência ao SISBI. A instituição oferece consultoria especializada, apoio jurídico, implantação do SIM e capacitação técnica dos profissionais envolvidos nas etapas de inspeção e fiscalização.

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Até o momento, 16 consórcios mineiros já receberam consultoria direta do Sebrae, sendo que seis obtiveram recentemente a equivalência ao SISBI e outros dois estão com solicitação em andamento.

Segundo Ariane Vilhena, analista do Sebrae Minas:

“O reconhecimento da equivalência ao SISBI garante segurança alimentar ao consumidor e liberdade de mercado para o produtor rural. O Sebrae atua lado a lado com os consórcios para que as agroindústrias ampliem seu alcance e fortaleçam suas atividades.”

Consórcios certificados consolidam modelo de sucesso mineiro

Entre os consórcios mineiros reconhecidos com equivalência em 2025 estão:

  • RIDES, CISICOM, CONSERVAR Mucuri, CIMVALPI, CISRAL, CIMBAJE, CIMERP, CONSANE, CICANASTRA, AMEG e CIMOG.

Essas parcerias intermunicipais têm se mostrado fundamentais para garantir eficiência na gestão pública, redução de custos e expansão das agroindústrias familiares.

Modelo mineiro de cooperação se torna referência nacional

O modelo de consórcios públicos municipais de Minas Gerais tem se tornado referência no Brasil. Com 853 municípios, em sua maioria de pequeno porte, o estado encontrou na cooperação entre cidades uma forma de viabilizar economicamente os serviços de inspeção e fortalecer o agronegócio local.

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A formação dos consórcios permitiu dividir custos operacionais que antes inviabilizavam a criação de Selos de Inspeção Municipal individuais. Em cidades com até 5 mil habitantes, o custo de manutenção de um SIM pode chegar a R$ 10 mil por mês; já no modelo consorciado, esse valor cai para cerca de 20%.

Com o suporte técnico do Sebrae Minas, esse formato colaborativo tem impulsionado a geração de renda, a competitividade das agroindústrias e o desenvolvimento sustentável do campo, consolidando Minas Gerais como exemplo de gestão compartilhada e inovação no agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil bate recorde de registros de defensivos agrícolas e avanço asiático transforma mercado de agroquímicos

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O mercado brasileiro de defensivos agrícolas e bioinsumos vive uma profunda transformação regulatória e comercial. O país registrou em 2025 o maior número de aprovações de pesticidas da história, enquanto cresce a presença de fabricantes asiáticos no setor nacional de agroquímicos.

O cenário será um dos principais focos da Brasil AgrochemShow 2026, marcada para os dias 3 e 4 de agosto, no Centro de Eventos São Luís, em São Paulo. O encontro deve reunir mais de 1.500 participantes, incluindo empresas, distribuidores, consultorias regulatórias, especialistas, importadores, indústrias químicas e representantes do agronegócio.

Brasil registra recorde histórico de aprovações de defensivos

Levantamento da AllierBrasil aponta que o Brasil aprovou 912 registros de pesticidas em 2025, o maior volume já registrado no país.

Do total liberado:

  • 323 foram produtos técnicos
  • 427 produtos formulados químicos
  • 162 produtos biológicos

O volume representa crescimento de 37,5% em relação ao ano anterior.

A expansão também impressiona no longo prazo. Entre 2006 e 2015, o Brasil aprovou 1.454 registros. Já no período entre 2016 e 2025, o número saltou para 5.442 aprovações, avanço de 274,3%.

Somente nos últimos cinco anos, foram liberados 3.344 registros, alta de 59,4% frente ao período anterior.

Especialistas alertam para morosidade regulatória

Apesar do crescimento expressivo no número de aprovações, especialistas afirmam que o sistema regulatório brasileiro continua lento, burocrático e altamente complexo.

Segundo Flávio Hirata, engenheiro agrônomo, especialista em registro de pesticidas e sócio da AllierBrasil, o aumento das liberações não significa necessariamente maior eficiência regulatória.

“O registro continua sendo burocrático, oneroso e sujeito a constantes mudanças de interpretação e exigências regulatórias”, afirma.

De acordo com a consultoria, o tempo médio de aprovação em 2025 foi de:

  • 63,4 meses para produtos formulados químicos
  • 67,4 meses para produtos técnicos equivalentes
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Na prática, muitos processos levam mais de cinco anos para serem concluídos.

“O maior desestímulo ao investimento no setor é justamente o tempo necessário para acessar o mercado. Em alguns casos, quando o registro é aprovado, parte da eficácia agronômica já foi comprometida ou o ingrediente ativo se aproxima de restrições regulatórias”, explica Hirata.

Judicialização cresce no mercado de defensivos agrícolas

A lentidão nas análises regulatórias também impulsionou o aumento da judicialização no setor.

Atualmente, cerca de 2.830 processos de registros de produtos formulados químicos aguardam avaliação no Brasil.

Segundo a AllierBrasil:

  • 397 processos estão parados há sete anos ou mais
  • 94 registros aguardam análise há mais de dez anos

Entre 2019 e 2025, os deferimentos obtidos via ações judiciais cresceram:

  • 395% contra a Anvisa
  • 2.666% contra o Ibama

Somente até 22 de abril de 2026, 47 avaliações toxicológicas foram aprovadas por meio de decisões judiciais.

“O uso da judicialização deixou de ser exceção e passou a integrar a estratégia regulatória das empresas para acelerar o acesso ao mercado”, destaca Hirata.

Avanço da China e da Índia redefine mercado global de agroquímicos

Outro tema central do AgrochemShow será o avanço das empresas asiáticas no mercado brasileiro de defensivos agrícolas.

Segundo especialistas, a chamada “invasão asiática” representa uma reestruturação global da cadeia de produção de pesticidas.

“A China se consolidou como centro mundial de produção de defensivos agrícolas, enquanto o Brasil permanece como um dos maiores mercados consumidores do planeta”, afirma Hirata.

Nos últimos 15 anos, o mercado brasileiro registrou:

  • Crescimento de produtos pós-patente
  • Expansão de fabricantes chineses e indianos
  • Aumento de empresas nacionais com produção terceirizada na Ásia
  • Maior concorrência no setor de distribuição
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Atualmente, a China domina grande parte da produção global de ingredientes ativos utilizados nos defensivos agrícolas, enquanto a Índia amplia rapidamente sua participação.

Concorrência reduz custos, mas aumenta debate sobre segurança e rastreabilidade

O avanço asiático trouxe impactos diretos sobre preços, margens e competitividade no mercado brasileiro.

Entre os principais efeitos observados estão:

  • Redução nos preços de moléculas tradicionais
  • Pressão sobre margens das distribuidoras
  • Maior concorrência comercial
  • Crescimento da agricultura digital
  • Expansão dos bioinsumos e biossoluções

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação do setor com:

  • Rastreabilidade dos produtos
  • Pureza dos ingredientes ativos
  • Equivalência técnica
  • Dependência externa
  • Segurança regulatória e logística

No Brasil, os defensivos agrícolas precisam passar por aprovação de três órgãos:

  • Anvisa
  • Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)
  • Ibama

“Existe uma preocupação crescente sobre segurança de abastecimento e dependência externa. Por outro lado, a maior concorrência também ajudou a reduzir custos para o produtor rural e acelerou a modernização do setor”, avalia Hirata.

AgrochemShow 2026 reunirá indústria, distribuidores e especialistas

Além dos debates regulatórios, o Brasil AgrochemShow 2026 reunirá representantes da indústria química, empresas de biológicos, distribuidores, consultorias, importadores, revendas e fornecedores internacionais.

O evento terá foco em:

  • Inovação no mercado agrícola
  • Estratégias regulatórias
  • Tendências globais
  • Logística
  • Agricultura digital
  • Bioinsumos
  • Parcerias técnico-comerciais

As inscrições para participação estão abertas no portal oficial do evento, mediante doação de cestas básicas destinadas à ONG Crê-Ser, de São Paulo.

Na edição de 2025, a iniciativa arrecadou cerca de 14 toneladas de alimentos, reforçando o caráter social do encontro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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