Política Nacional

Participantes de seminário defendem que a primeira infância esteja no centro dos investimentos

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Alimentação, saúde, educação, esporte, lazer, cultura, inclusão, combate à pobreza e à violência são apenas alguns dos pontos que devem ser levados em consideração quando se pensa no desenvolvimento adequado das crianças de zero a seis anos de idade. Os desafios são muitos e a defesa de participantes de um seminário na Câmara dos Deputados é que a primeira infância seja foco de atenção, programas e investimentos no Brasil.

Deputados que participaram do encontro promovido por 12 comissões, que teve o mote do Biênio da Primeira Infância (2024-2025), destacaram que investir nessa fase do ser humano é importante não só para desenvolver o potencial do indivíduo, mas da sociedade como um todo.

“O Brasil que queremos construir começa na primeira infância”, afirmou a deputada Laura Carneiro (PSD-RJ). “Cuidar da primeira infância é cuidar do presente, investir no futuro, portanto investir no nosso país.”

Laura Carneiro ressaltou a importância da creche e da pré-escola, de profissionais capacitados para lidar com as crianças, da saúde materna e infantil, dos espaços públicos e digitais seguros, do ambiente familiar e social. Cada detalhe influencia no desenvolvimento motor e socioemocional do indivíduo e na formação de valores.

Entre as proposições em análise na Câmara, a parlamentar citou a Proposta de Emenda à Constituição 34/24, de sua autoria, que inclui a primeira infância como beneficiária de direitos e garantias no texto constitucional.

Desafios
Entre os desafios relacionados à primeira infância, o deputado Dr. Zacharias Calil (União-GO) mencionou a insuficiência de vagas em creches que impacta sobretudo as famílias mais vulneráveis. Ele citou estudo da organização Todos Pela Educação que indica que 41,2% das crianças de até 3 anos são atendidas em creches no país — ainda distante da meta de 50% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE) para 2024.

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O mesmo estudo também mostra que quase 2,3 milhões de crianças dessa idade estão fora da creche por dificuldade de acesso, como falta de vagas ou de unidades próximas.

“Precisamos transformar diagnósticos em políticas concretas e integrar esforços federais, estaduais e municipais e envolver a sociedade civil para que a primeira infância seja de fato prioridade absoluta”, defendeu Calil. Ele disse ainda que a educação infantil deve ser inclusiva e que o brincar é fundamental e sua promoção é tão importante quanto o acesso à saúde e à educação.

Ações
O secretário da Primeira Infância, Adolescência e Juventude da Câmara, deputado José Airton Félix Cirilo (PT-CE), acrescentou que a ideia de que a primeira infância começa na concepção deve estar expressa nas ações governamentais. Ele também destacou o lançamento recente da Política Nacional Integrada da Primeira Infância pelo governo federal, com o objetivo de estabelecer a coordenação intersetorial das políticas destinadas à criança.

Para o deputado Osmar Terra (MDB-RS), a primeira infância é a “mãe de todas as políticas públicas”, e a política lançada pelo governo merece todo o apoio. “Aqui não tem questão político-partidária”, disse.

Urgência
A diretora executiva da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Mariana Luz, reconheceu que a pauta une os parlamentares e que a Câmara tem estado aberta à escuta e ao diálogo. O assunto, disse, é urgente em um país onde 55% das crianças estão em vulnerabilidade socioeconômica.

“Como tolerar ter mais da metade das crianças em alguma situação de vulnerabilidade econômica? Isso tem que ancorar o debate. A gente tem que olhar para esse número e enxergar a redução desse percentual”, orientou Mariana.

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A secretária nacional de Renda e Cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social, Eliane Aquino, lembrou que o programa Bolsa Família atende a quase 9 milhões de crianças de 0 a 6 anos. O programa tem o objetivo de contribuir para o fim do ciclo da pobreza e a meta, segundo a secretária, é que essas crianças hoje atendidas não precisem de transferência de renda no futuro.

“O programa, sozinho, não é o que vai resolver, que vai tirar essas famílias de um cenário de desigualdade”, observou Eliane Aquino. “Precisamos fazer com que as gestões municipais e estaduais, assim como o Congresso Nacional, olhem para essa primeira infância com prioridade de investimento, de recursos realmente”, disse.

Mariana Luz acrescentou que políticas públicas bem implementadas são fundamentais para tirar as crianças do Bolsa Família.

Unicef
Oficial de Primeira Infância do Unicef, Maíra Souza afirmou que a criança só vai estar no centro das políticas públicas se estiver no centro do orçamento. Ela também lembrou que a pobreza tem várias dimensões e, no caso da infância, não é só a renda, mas uma série de exclusões que afetam a vida dos pequenos, como o racismo que é vivenciado desde cedo. “Investir em primeira infância não é gasto. É estratégia de desenvolvimento econômico e social”, defendeu.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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Política Nacional

Senado aprova MP do financiamento de veículos para motoristas de aplicativo e taxistas

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O Plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (1º) a medida provisória que destina recursos para o financiamento de veículos a motoristas de transporte privado de passageiros — incluindo motoristas de aplicativo (motos ou carros), taxistas, cooperativas de taxistas e profissionais de transporte escolar.

A medida provisória (MP 1.366/2026) aprovada pelos senadores mantém a redação que passou ontem na Câmara dos Deputados. A única mudança é uma emenda de redação feita pelo relator da matéria, senador Giordano (Podemos-SP). Agora o texto segue para a sanção da Presidência da República.

Durante a tramitação na Câmara, o texto incorporou dispositivos de outra medida provisória, a MP 1.359/2026, que destina até R$ 30 bilhões para o financiamento da compra de veículos novos que respeitem critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica. O prazo de validade da MP 1.359/2026 termina no próximo dia 15.

A emenda de redação de Giordano fez com que o texto fizesse referência explícita à MP 1.359/2026.

Outra mudança feita na Câmara é a permissão para o financiamento de infraestrutura, equipamentos e renovação da frota do transporte urbano de passageiros ou cargas. O foco principal do governo ao editar a MP 1.366/2026 era a concessão de empréstimos para a compra de motos e motocicletas por entregadores de aplicativo.

A versão aprovada pelos deputados federais também incluiu novas regras para o Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (Fiis), além de incorporar medidas relacionadas ao transporte escolar, à acessibilidade, à transparência e às áreas de trânsito, habitação e indústria de baterias.

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Pagamento flexível

A Câmara também incluiu na MP 1.366/2026 a autorização para que os bancos adotem um sistema de pagamento flexível para as operações. Essa regra permite a cobrança de parcelas com valores diferentes no início e no final do financiamento, com o objetivo de facilitar o acesso ao crédito pelos trabalhadores.

O acesso à linha de crédito fica limitado a um veículo por motorista de transporte privado ou taxista e, no caso das cooperativas, a um veículo por cooperado. O texto também permite o financiamento do seguro do veículo e do seguro prestamista, desde que sejam contratados com o bem financiado.

Além disso, o texto permite o uso da linha de crédito para custear a adaptação de veículos para motoristas com deficiência e para a adaptação de táxis ao transporte de passageiros em cadeiras de rodas.

A medida provisória também trata do financiamento de itens de segurança para mulheres motoristas. Nesse sentido, atribui ao Conselho Monetário Nacional (CMN) a competência para estabelecer taxas, prazos e carências com condições diferenciadas para mulheres.

Agentes financeiros

O texto determina que as linhas financiadas com recursos do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (Fiis) terão como agentes financeiros o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Essas instituições poderão habilitar outros agentes financeiros, públicos ou privados, desde que eles assumam os riscos das operações.

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As linhas financiadas com recursos do Fiis terão como agentes financeiros o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Essas instituições poderão habilitar outros agentes financeiros, públicos ou privados, desde que eles assumam os riscos das operações.

Durante a tramitação na Câmara, foi retirado do texto a referência explícita às fintechs, mas não foi proibida a participação dessas empresas como agentes habilitados.

Para aderir, os beneficiários deverão autorizar o compartilhamento das informações necessárias à verificação dos critérios de elegibilidade. No caso dos profissionais vinculados a aplicativos, as plataformas digitais serão responsáveis por fornecer os dados.

Transparência

O texto autoriza o uso de recursos do Fiis para financiar a renovação de frota e investimentos relacionados ao transporte urbano. Para reduzir os riscos das operações e ampliar a oferta de crédito, o arranjo prevê a cobertura de garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO) e do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI).

Pelo texto, os bancos divulgarão dados abertos com o número de operações, valores contratados, taxas praticadas e inadimplência, em observância à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O comitê gestor do Fiss deverá encaminhar ao Congresso Nacional um relatório anual de avaliação de impacto social, econômico e ambiental.

Com informações da Agência Câmara de Notícias

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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