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PCC usava setor de etanol para lavar bilhões, aponta investigação

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Uma investigação conduzida pelo Ministério Público, Receita Federal e Polícia Federal revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizou empresas do setor de etanol e estruturas financeiras para lavar bilhões de reais. O esquema envolvia desde usinas de álcool até fintechs, passando por distribuidoras de combustíveis e postos de gasolina.

Controle de fundos bilionários

De acordo com a Receita Federal, o grupo chegou a controlar cerca de 40 fundos de investimento, com patrimônio superior a R$ 30 bilhões. Esses recursos eram usados para ocultar dinheiro, financiar aquisições estratégicas e proteger bens de alto valor.

Operações na cadeia do etanol

O esquema se espalhou por toda a cadeia do setor. Usinas e fazendas de cana foram compradas de forma irregular, muitas vezes sob ameaças ou após incêndios criminosos, permitindo negociações abaixo do preço de mercado.

Distribuidoras também desviavam metanol para adulterar combustíveis, enquanto postos de gasolina movimentavam grandes volumes de dinheiro vivo ou via maquininhas de cartão. Além disso, vendiam combustíveis adulterados e emitiam notas fiscais falsas para encobrir transações ilícitas.

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Nos últimos quatro anos, o setor movimentou aproximadamente R$ 52 bilhões, com uma estimativa de sonegação fiscal de R$ 7,6 bilhões.

Fintechs atuavam como bancos paralelos

No setor financeiro, fintechs ligadas ao esquema funcionavam como verdadeiros “bancos paralelos”. Foram movimentados cerca de R$ 46 bilhões em contas que misturavam recursos da facção e de clientes.

Parte do dinheiro foi utilizada para investimentos em fundos e bens de alto valor, incluindo quatro usinas de álcool, cerca de 1.600 caminhões e mais de cem imóveis de luxo, entre eles fazendas em São Paulo e uma residência em Trancoso (BA).

Ministro destaca dimensão da operação

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, classificou a ação como histórica:

“É uma das maiores operações da história contra o crime organizado, sobretudo em sua atuação no mercado legal. Atacamos a apropriação das organizações criminosas em parte do setor de combustíveis e sua ligação com o setor financeiro para lavagem de dinheiro. Eu ousaria dizer que é uma das maiores operações também em termos mundiais”, afirmou.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

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A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

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A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

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Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

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