Agro News

Plantio do Algodão: Saiba Quando a Umidade do Solo Está no Ponto Ideal para a Semeadura

Publicado

A decisão sobre o momento ideal para o plantio do algodão é determinante para o desempenho da lavoura. Mais do que a ausência de chuvas, o sucesso da semeadura depende de uma combinação precisa entre umidade adequada no solo, temperatura favorável à germinação e condições climáticas estáveis nos dias seguintes.

Segundo a Embrapa, esses fatores reduzem o risco de falhas de emergência, embuchamento e perdas por encharcamento ou seca logo após o plantio — pontos críticos que podem comprometer o estande e a produtividade final.

Solo úmido, mas não encharcado: o ponto de equilíbrio é a capacidade de campo

De acordo com recomendações técnicas da Embrapa, o momento mais seguro para a semeadura é quando o solo está úmido, porém não saturado, condição conhecida como “capacidade de campo”.

Esse é o estágio em que o solo já drenou o excesso de água após uma chuva ou irrigação, mas ainda mantém umidade suficiente para sustentar a germinação e a emergência das plântulas.

Em áreas irrigadas, a orientação é que a lâmina de água aplicada antes do plantio seja suficiente para elevar a umidade até a capacidade de campo na profundidade utilizada para a semeadura.

Segundo a Embrapa, respeitar esse limite tem impacto direto na uniformidade do estande. Em solos encharcados, a falta de oxigênio prejudica o desenvolvimento inicial; já em solos secos, as sementes podem demorar a germinar, gerando falhas na linha e necessidade de replantio.

Leia mais:  Câmara aprova MP que libera R$ 15 bilhões em crédito para exportadores e agroindústrias afetadas por tarifaço
Temperatura ideal do solo garante emergência rápida e vigorosa

A temperatura do solo é outro fator decisivo para a arrancada do algodoeiro.

As publicações técnicas da Embrapa indicam que a faixa ideal de germinação está entre 25°C e 30°C, intervalo que favorece uma emergência uniforme e mais acelerada.

Se o solo estiver úmido, mas frio, o processo tende a ser mais lento, o que pode causar desuniformidade na lavoura ainda nas fases iniciais.

Esse cuidado é essencial especialmente nas áreas de sequeiro, onde o produtor depende da chuva e das condições térmicas naturais para iniciar o ciclo com segurança.

Profundidade correta e contato semente-solo são determinantes para o sucesso

Além da umidade e temperatura, o manejo da semeadura também influencia o aproveitamento da umidade disponível.

As orientações da Embrapa destacam que as sementes devem ser depositadas a uma profundidade entre 2,5 e 3,0 centímetros, garantindo bom contato entre semente e solo e evitando falhas de germinação.

A adubação, por sua vez, deve ser posicionada lateralmente e abaixo da semente, a uma distância segura para evitar danos ou interferências na germinação.

Em solos do Cerrado, onde a textura e a capacidade de armazenamento de água variam bastante, a profundidade de plantio deve ser ajustada conforme o tipo de solo, reforçando a importância da regulagem adequada dos equipamentos.

Previsão de chuvas define a melhor janela de plantio

A decisão de plantar também depende da previsão do tempo para os dias seguintes.

Leia mais:  Agricultura regenerativa ganha força em regiões desérticas e revela novas oportunidades

Segundo a Embrapa, realizar o plantio com o solo apenas no limite da umidade, “apostando na chuva”, aumenta o risco de veranico e germinação irregular.

Por outro lado, entrar com o solo muito úmido e enfrentar nova sequência de precipitações pode gerar encharcamento e falhas de emergência.

O ideal é buscar uma janela climática estável, com chuvas regulares, mas sem excesso, para garantir o estabelecimento saudável das plantas logo após a semeadura.

Checklist: o que o produtor deve avaliar antes de plantar o algodão

Com base nas recomendações da Embrapa, o produtor reduz riscos e melhora o potencial produtivo da lavoura ao observar os seguintes pontos antes de iniciar o plantio:

  • Solo úmido, sem excesso — próximo à capacidade de campo;
  • Temperatura do solo entre 25°C e 30°C;
  • Regulagem correta da semeadora, com profundidade adequada e bom contato semente-solo;
  • Previsão de chuvas estável, sem extremos logo após o plantio.

Ao aliar o manejo correto à leitura das condições de solo e clima, o produtor cria uma base sólida para o desenvolvimento da cultura do algodão, reduzindo perdas iniciais e aumentando o potencial de produtividade ao longo do ciclo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Exportações de suco de laranja encerram safra 2025/26 com receita 30% menor apesar de volume estável

Publicado

As exportações brasileiras de suco de laranja encerraram a safra 2025/26 com volume praticamente estável, mas registraram forte queda na receita em consequência da retração da demanda global e do recuo dos preços internacionais. Os embarques totalizaram 746,9 mil toneladas de FCOJ (Frozen Concentrated Orange Juice) equivalente, alta de apenas 0,2% em relação às 745,7 mil toneladas exportadas na safra anterior.

Em contrapartida, a receita cambial caiu cerca de 30%, passando de US$ 3,42 bilhões na temporada 2024/25 para US$ 2,38 bilhões na safra 2025/26. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), referentes às exportações realizadas pelo Porto de Santos, compilados pela CitrusBR.

Segundo a entidade, o resultado reflete um cenário de ajuste do mercado internacional após o período de preços elevados registrado nas últimas safras.

Demanda enfraquecida reduz receita das exportações

De acordo com o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, os elevados preços praticados nas últimas temporadas levaram muitos consumidores a substituírem o suco de laranja por bebidas mais acessíveis. Além disso, problemas de qualidade provocados pelas condições climáticas adversas e pelo avanço do greening também influenciaram o comportamento da demanda mundial.

Esse conjunto de fatores provocou uma forte correção nas cotações internacionais, reduzindo significativamente o faturamento do setor exportador brasileiro, mesmo com o volume embarcado praticamente inalterado.

Estados Unidos assumem liderança entre os compradores

A principal mudança na geografia das exportações ocorreu no mercado norte-americano.

Os Estados Unidos ultrapassaram a União Europeia e se consolidaram como o maior destino individual do suco de laranja brasileiro durante a safra 2025/26.

Leia mais:  Agricultura regenerativa ganha força em regiões desérticas e revela novas oportunidades

As importações norte-americanas alcançaram 355,8 mil toneladas de FCOJ equivalente, crescimento de 16,3% na comparação com as 305,8 mil toneladas registradas na temporada anterior. Com isso, o país passou a responder por quase 48% de todo o volume exportado pelo Brasil, ante aproximadamente 40% na safra passada.

Apesar do aumento dos embarques, a receita obtida com as vendas aos Estados Unidos recuou 20,6%, totalizando cerca de US$ 1,08 bilhão, reflexo direto da queda dos preços internacionais.

União Europeia perde participação nas exportações

Historicamente principal destino do suco brasileiro, a União Europeia registrou retração tanto em volume quanto em receita.

As exportações para o bloco caíram 10,9%, passando de 376,5 mil para 335,2 mil toneladas de FCOJ equivalente. O faturamento recuou aproximadamente 38%, encerrando a safra em cerca de US$ 1,11 bilhão.

Com esse desempenho, a participação da União Europeia no total exportado diminuiu de aproximadamente 50% para cerca de 45%, abrindo espaço para o avanço dos Estados Unidos e de outros mercados internacionais.

China amplia compras

A China apresentou um dos melhores desempenhos entre os principais destinos do suco brasileiro.

As importações cresceram 26% na safra 2025/26, passando de 20,1 mil para 25,5 mil toneladas de FCOJ equivalente.

A receita acompanhou esse avanço de forma mais moderada, registrando alta de 1% e atingindo aproximadamente US$ 70,3 milhões.

O resultado reforça o potencial do mercado chinês como um dos principais vetores de crescimento das exportações brasileiras nos próximos anos.

Japão registra maior queda entre os principais mercados

O mercado japonês apresentou a retração mais significativa da temporada.

Leia mais:  Marco do licenciamento ambiental suscita debates sobre regras e impactos no agronegócio

O volume embarcado caiu 28,6%, recuando de 20,1 mil para 14,3 mil toneladas de FCOJ equivalente.

A receita sofreu impacto ainda maior, com queda de 45,9%, totalizando aproximadamente US$ 58,9 milhões. O resultado foi consequência da combinação entre menor demanda e redução dos preços praticados naquele mercado.

Exportações seguem abaixo dos níveis históricos

Os números da safra 2025/26 confirmam que o setor ainda opera abaixo dos volumes registrados na última década.

Entre as safras 2014/15 e 2023/24, o Brasil exportou frequentemente volumes próximos ou superiores a 1 milhão de toneladas de FCOJ equivalente. Nas duas últimas temporadas, porém, os embarques permaneceram abaixo de 750 mil toneladas, refletindo os desafios enfrentados pela citricultura nacional.

Apesar disso, o país mantém a liderança global nas exportações de suco de laranja, abastecendo os principais mercados consumidores do mundo.

Perspectivas para o setor

O desempenho da próxima safra dependerá da recuperação da demanda internacional, da evolução dos preços globais e das condições da produção brasileira.

Além do comportamento do consumo, o setor continuará monitorando os impactos do greening, considerado atualmente o principal desafio fitossanitário da citricultura, e das condições climáticas sobre a produtividade dos pomares.

A expectativa do mercado é que uma combinação entre maior oferta, estabilização dos preços e retomada gradual da demanda internacional contribua para melhorar o desempenho das exportações brasileiras nas próximas temporadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana