A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta segunda-feira (18.5), mais uma etapa da Operação Cesin (Combate à Exploração Sexual Infantil), com foco na repressão aos crimes de produção, transmissão e armazenamento de arquivos digitais contendo pornografia infantil.
A ação é realizada por meio da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), em razão do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, data instituída pela Lei Federal nº 9.970/2000.
Foram cumpridas, em Mato Grosso, três ordens judiciais: um mandado de prisão preventiva, um mandado de busca e apreensão domiciliar e uma medida cautelar diversa, nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande.
Os alvos foram identificados a partir de investigações iniciadas pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), que analisou e confirmou a existência de arquivos digitais contendo pornografia infantil armazenados nos dispositivos móveis de propriedade dos investigados e já apreendidos anteriormente.
As investigações confirmaram também o uso, pelos investigados, de redes de compartilhamento para disseminação de arquivos com conteúdo de abuso sexual infantil. Durante a apuração, foi possível vincular os dados coletados aos usuários localizados nos municípios onde as ordens judiciais foram cumpridas.
Com base nas investigações, a Polícia Civil representou pela expedição dos mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e outras medidas cautelares diversas, todas deferidas pelo Poder Judiciário.
Investigações
As investigações da DRCI apontaram que os autores utilizavam a mesma ferramenta para baixar fotos e vídeos contendo cenas de sexo envolvendo crianças e adolescentes.
Um dos alvos da operação já possui histórico de produção e armazenamento de imagens com conteúdo de pornografia infantil, inclusive tendo sido preso anteriormente pelo mesmo crime, no ano de 2019.
Com outro alvo, além do material de pornografia infantil, foram localizados materiais de apologia ao nazismo, razão pela qual ele será indiciado também por esse crime, previsto no art. 20, § 1º, da Lei nº 7.716/89.
Segundo o delegado titular da DRCI, Sued Dias Júnior, a operação da Polícia Civil busca garantir a ordem pública, com a prisão preventiva e a imposição de medidas cautelares a investigados que tenham predisposição para praticar esse tipo de crime. Além disso, busca a apreensão de mídias eletrônicas, HDs, celulares e notebooks, com o objetivo de apagar e excluir esse tipo de conteúdo ilícito, inclusive com a destruição dos dispositivos, se necessário.
“No primeiro momento, verificou-se que os alvos realizavam download e armazenavam os arquivos de conteúdo de pornografia infantil em seus dispositivos informáticos. Os inquéritos policiais são independentes e serão relatados com o indiciamento dos dois investigados pelos respectivos crimes”, explicou o delegado.
Maio Laranja
A Operação Cesin ocorre em alusão ao Dia 18 de Maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, e integra as ações da campanha Maio Laranja, que visa dar visibilidade à causa e fortalecer a atuação integrada dos órgãos de proteção à infância.
A operação reforça o compromisso institucional com a defesa dos direitos da criança e do adolescente, atuando de forma proativa e preventiva no ambiente digital. A repressão qualificada aos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes é prioridade da instituição, especialmente diante da gravidade e do impacto social dessas condutas.
A Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT) promoveu, neste sábado (10.10), uma ação especial pelo Dia das Crianças na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. A iniciativa contou com a entrega de lanches e kits com doces e guloseimas às crianças que visitaram suas mães e avós custodiadas na unidade.
A ação teve como objetivo fortalecer os vínculos familiares e proporcionar um momento de acolhimento às crianças durante as visitas às familiares privadas de liberdade.
Foto: Keuri Lopes – Sejus MT
A diretora da Penitenciária Feminina, Keily Adriana Arruda Marques, destacou que a iniciativa busca amenizar os impactos que o contexto prisional pode provocar nas experiências e nas memórias das crianças.
“Realizamos aqui na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May uma ação em alusão ao Dia das Crianças. Como forma de fortalecer os vínculos familiares, fizemos o acolhimento de filhos e netos das mulheres custodiadas. Não como forma de romantizar o cárcere, mas sim de tentar atenuar os efeitos negativos que essas circunstâncias podem causar na construção de memórias dessas crianças. A Sejus, além do dever institucional, tem compromisso com a responsabilidade social”, afirmou.
A coordenadora da Educação da Penitenciária, Margaret Anderson de Oliveira, ressaltou a preparação da equipe para proporcionar um momento especial de convivência entre as mulheres custodiadas e seus familiares. Segundo ela, algumas mães estavam há anos sem contato presencial com os filhos.
“É uma ação social em que organizamos carinhosamente esse momento da mãe com os seus filhos. Temos mães que não veem os seus filhos há quatro ou oito anos, e esse é o momento desse acolhimento com as nossas pessoas privadas de liberdade e seus filhos. Organizamos antecipadamente com a assistente social, direção, educação e todos os envolvidos nessa ação social”, explicou.
Margaret também destacou que a programação da unidade inclui outras atividades ao longo de outubro, como ações relacionadas à campanha Outubro Rosa, com iniciativas diferenciadas a cada semana para as mulheres custodiadas. Foto: Keuri Lopes – Sejus MT
Uma das participantes da ação, a pessoa privada de liberdade M. S. de A., relatou a emoção de reencontrar os filhos após oito anos sem vê-los.
“Já faz oito anos que estou aqui e hoje é a primeira vez que vejo eles depois de todos esses anos. Eu estou muito feliz. Hoje, por estar trabalhando na oficina de costura, graças a Deus, tenho como dar presentes para eles”, declarou.
Além de proporcionar um momento de convivência familiar, a iniciativa reforça a importância de ações de responsabilidade social no ambiente prisional, com atenção aos vínculos afetivos e aos impactos do encarceramento sobre as famílias das mulheres custodiadas.
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